Palavras soltas no ar: O racismo é uma estupidez




Palavras soltas no ar: O racismo é uma estupidez

Passei uma ótima semana de turista em Santiago no Chile, é uma cidade muito bonita, quente e intensa. Muita arte, artesanato e cultura coexistem com trabalho duro. É a vida! Estive lá há dez anos atrás e a cidade mudou muito, está mais rica e pobre, como todo o mundo acho, os mesmos dilemas sociais do Brasil encontramos lá. O ar é repleto de línguas, uma mistura cosmopolita, mas todos se entendem bem, num dos muitos passeios de metrô conheci um haitiano, acho que com trinta e poucos anos, nos breves minutos entre uma estação e outra ele reconheceu nosso português bem brasileiro e disse que havia morado um tempo no Brasil, em Caxias, Florianópolis até ir para Santiago onde já está há quatro anos, perguntei a ele se achava que no Chile havia mais riquezas que no Brasil, ele respondeu com um universal gesto de balançar a mão, como um mais ou menos, seus olhos eram de alguém que esta resolvido na vida, mesmo longe de sua terra natal. Estamos quase todos peregrinando pelo mundo, em solo pátrio ou em terras estrangeiras. Perguntei seu nome, demorei um pouco a entender e ele pacientemente me respondeu Moises o nome de Deus, com muito orgulho seu sorriso abriu. Diria Moises um dos nomes de Deus. Uma de suas muitas faces!

A Globalização tem que acertar os ponteiros para diminuir a desigualdade social e gerar empregos em alta escala e bem remunerados, não importa se no Brasil, no Chile ou no Haiti, somos todos Latino Americanos, temos nosso próprio estilo de viver, nossa compleição física, nosso jeito de ser e amar a vida. Moises e eu somos filhos da América e merecemos respeito a nossas diferenças e semelhanças. A questão da migração em massa de irmãos Venezuelanos é presente em todos os noticiários praticamente, assim como a intolerância de alguns Norte Americanos com os Latinos, assisti a um documentário sobre grupos “Neo Nazista e de Supremacia Branca”, acho que na CCN Chile, mas não anotei essa informação e se perdeu, mas um jovem “branco”, falava sobre o Nazismo com uma constrangedora idolatria, somos todos livres para pensar, ele tem o direito de ser um “racista”, pelo jeito em seu país isso não é crime. Eu assistindo a sua entrevista em Inglês com legendas em espanhol, tive muita pena dele, é um ser muito pouco evoluído na minha percepção, falava idiotices como tornar o casamento interacial uma traição, ou achar que Hitler tinha razão e que os campos de concentração eram lugares onde os judeus podiam trabalhar, ou que Pinochet fez certo ao matar muitas pessoas, não recordo o número, violando todos os tratados de uma civilização... Essas são inverdades tão medonhas que assustam, são mentiras que contadas muitas vezes e não rebatidas podem virar uma ‘falsa memória coletiva”... Esse jovem sofre de lavagem cerebral? E se alguém agora decidisse “eliminar’ todos os supremacistas brancos? Como ele se sentiria? A premissa de que era justificável o genocídio por questões de economia e de ódio racial serviria ou ele se sentiria “traído”? 0,001 % da Humanidade é Racista ou Supremacista e quem não é tem que combater esse discurso distorcido, não com a estupidez e brutalidade de “eliminar um ser humano por suas ideias políticas e sociais”, mas esse jovem poderia ser convidado a trabalhar como um latino, viver como um igual, sem seu falso “muro” financeiro e racial. Ele e os outros que a reportagem aborda não são melhor do que ninguém, posso até afirmar que são inferior a maioria da Humanidade, com seu discurso de ódio, são uns ‘bárbaros” pronto para fazer barbaridades, sem pensar, deve ter uma inteligência social muito pequena. Quem ele pensa que planta a cevada que ele bebe como se fosse uma pessoa “superior”, quem colhe os ovos que ele usa como "energético” já que seus potentes músculos não servem para nada, só para levantar peso a toa, nunca virou uma massa de cimento, nem sabe a felicidade de laçar um terneiro no campo aberto, nunca sambou cantando: Brasil, Brasil... enquanto arruma o edifício e lava as janelas. Ele deve ter sido criado por pais prepotentes que o ensinaram a ser um egoísta, pessoas que devem desprezar o trabalho alheio e pagar menos do que o devido, deve ter sido educado pensando que é uma pessoa melhor, não é, é um neonazista e isso é o pior que há na humanidade na atualidade. Ele deve achar que suas feições são belas, não são é o retrato da maldade andando sobre a Terra, mas ele não tem culpa de ser assim, é um produto do espírito da guerra, alguém que veio ao mundo para gerar dor e sofrimento. Nós Americanos Mestiços (Descendentes de países Europeus Latinos como Espanha, Portugal, Itália... Ou seja todo o Império Romano, do antigo Império Otomano, da África Inteira, Oriente Inteiro, da Ásia Inteira, Nativos da América, do Antigo Império Austro Húngaro... ) somos 99% da América, número simbólico, talvez não tenhamos todo o “dinheiro” que os “pseudos brancos” tem, porque se nascidos na América beberam água desta terra, comeram os frutos dela, então “Brancos” não são, são mestiços. Tudo o que fazem acontece em Pachamama, que os recebe com dor. São filhos de Pachamama e a ela devem respeito, devem o solo onde seus umbigos foram depositados e onde seus corpos bem nutridos serão enterrados. Eles podem pensar que são superiores, mas são uns tolos mimados que pensam que a Terra é deles, não! Eles são da Terra, não são mais importantes do que a grama ou as pedras do caminho que trilham, o pão suado que comem com desdém e sem consciência, não há pobres e ricos no mundo há vidas humanas em busca de sobrevivência e felicidade.

Não existem Imigrantes, existem povos itinerantes em busca de seu sustento, não existem seres mais importantes, há aqueles que evoluíram e são mais dotados de um tipo de conhecimento, outros que vivem e entendem as coisas de maneira diferente e os que de tanto serem excluídos de tudo não tem lugar no mundo que não seja a sarjeta, foram jogados para fora do sistema, como sempre acontece na história da humanidade, são em parte responsáveis por seus destinos e em outra sufocados pelo sistema econômico, pela droga e a doença.

O que a globalização tem que fazer? Funcionar melhor, evitar a corrupção e a degradação das sociedades.

“Toda a doutrina social que visa destruir a família é má, e para mais inaplicável. Quando se decompõe uma sociedade, o que se acha como resíduo final não é o indivíduo, mas sim a família” Vitor Hugo. A América Inteira é nossa família e está em decomposição, precisamos achar um jeito de recompor, de ter espaços para todos com responsabilidade e muito trabalho. Há um lindo mundo novo se formando, ainda vamos encontrar o equilíbrio entre o Individual e o Coletivo, o Ser e o Ser Social, minha liberdade termina quando o meu agir está fora da lei e da ordem. A Lei a Ordem precisam de limites claros, de Justiça, de fiscalização para não se tornarem tiranas. Como é a geração de renda da coletividade e a do indivíduo, qual o papel de cada um, são questões que estão em definição e mutação. Quando um empreendimento fecha fica uma ferida no tecido social, quando uma governo se corrompe fica outra, quando o indivíduo desiste da vida, de seus sonhos, fica um rombo na sociedade.

Estas são palavras soltas, pequenas percepções de uma blogueira latino americana de nível mediano, mas com todo o direito de ser e se expressar. Não pretendo ser mais do que sou, nem menos.

Fim das férias!

Fernanda Blaya Figueiró

















Essas são algumas fotos de 2007:









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