O Brasil não inventou a opressão em comunidades pobres, mas precisa combatê-la.

O Brasil não inventou a opressão em comunidades pobres, mas precisa combatê-la.

Fevereiro fervente na mídia brasileira, o decreto presidencial que autorizou uma Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, está movimentando o pós carnaval, a situação lá é de desordem e caos social, então esperamos, como brasileiros, que seja resolvida da melhor forma possível. Se os traficantes armados, as facções e milícias (a parte corrompida da polícia) forem enfrentadas podem acontecer mortes de civis inocentes, esperamos que não. A “oposição” está alarmando a todos, parece que vai ser o fim do mundo, que o Brasil deixar de ser uma democracia, mas deixar a população nas mãos da “ditadura da marginalidade” é normal? Ou talvez seja esta ocupação paralela e violenta do poder nas favelas e bairros de baixa renda a tão sonhada “Ditadura do Proletariado”? O medo de toda a população de ser assaltada e morta ao andar na rua.
O Brasil não inventou essa marginalização, ela é muito antiga, parte do modo operante das máfias e organizações criminosas do mundo inteiro, várias sociedades já passaram por essa degradação, os EUA mesmo já enfrentou isso como mostram os famosos filmes do “Poderoso Chefão” e tantos outros longas, seriados e documentários, onde o poder nas comunidades fracas e pobres é exercido de forma paralela ao estado, ou nos violentos faroestes. Comunidades atormentadas  pelo  medo, morte, propaganda da violência, cobrança de ‘taxas de proteção”, abusos sexuais, pactos de silêncio aparecem em todas as eras e em diferentes países ao longo da história, só que um dia termina, muda ou se acomoda.
Cidades morrem, quando são muito deturpadas são abandonadas, o que o Rio precisa é reestruturar as favelas, abrir largas avenidas, levar serviços do estado para o centro das comunidades e isso tem que contar com a participação e apoio da sociedade. Guetos onde a polícia não pode entrar contam com a cumplicidade de toda a comunidade, muito disso acontece porque as pessoas se sentem protegidas dentro destes grupos fechados, há uma dinâmica de poder baseada no medo e na falta de outras alternativas, há uma propaganda terrorista absurda que vai minando a mente das pessoas, há lavagem cerebral.
A sociedade brasileira está pagando por ter permitido que os grupos criminosos se fortalecessem, por ter sido conivente com a corrupção,  isso não acontece só aqui é uma realidade generalizada nos países pouco desenvolvidos e mesmo nos países ricos, onde o crime organizado também existe e faz vítimas, basta lembrar do esquecido escândalo do Panamá Paper, onde as veias abertas do Planeta Terra, por acaso ou por estratégia, despejaram papéis e mais papéis de dinheiro sujo,  lavaram  capitais de origem duvidosa, para não pagar taxas e impostos em seus países de origem. Tudo está interligado, a geração de miséria está intimamente ligada a geração de falsas fortunas, sonegação, lideranças políticas corruptas, mercado artificial e manipulado, bolhas financeiras, armamentos ilegais, contrabando, exploração do ser humano,  etc... É preciso gerar fortunas saudáveis, empreendedorismo real e não de fachada. Planejamento que vise desenvolver econômica e socialmente os países e não simplesmente dar acesso ao capital para empresas e políticos corruptos. É preciso lembrar das “reuniões do clube das empreiteiras” verdadeiras negociatas onde o Plano de Aceleração do Crescimento virou um loteamento de licitações fraudulentas, feitas em cartel, super faturadas e com absurdos desvios.
É assustador ter o Governador Pezão fazendo discurso sobre a necessidade de gerar empregos, quando não assume a responsabilidade pela destruição dos empregos que o Petrolão fez no Rio e em todo o Brasil, ele já era político então deve ter alguma pontinha de cumplicidade com o esquema que destruiu os empregos, ou não? Os petistas estão tentando descolar a imagem de Lula Jararaca e Dilma dessa miséria, mas foi nos seus governos, os 13 anos e meio destruindo o Brasil, que a mentirada e maquiagem das contas, da realidade gerou a maior crise financeira que o país já viveu, jogou o país num atoleiro financeiro e social. A roubalheira nas Estatais, no BNDES, os “empréstimos” fraudulentos para fomentar “governos de esquerda” em outros países, a conivência com a criminalidade e o trabalho informal foram todos agentes que levaram o Rio a situação de emergência que está agora e que se dissemina pelo país.
Os outros estados devem  já ficar em alerta para combater o tráfico de drogas, a imposição da força do crime nas comunidades, algo que já existe, a guerra entre traficantes e marginais locais com os invasores, pois as facções do Rio vão tentar se instalar em outros estados e cidades, trazendo seus arsenais bélicos, seus membros integrantes, seu dinheiro sujo e conexões criminosas. A intervenção no Rio vai ter sucesso se for apoiada pelos outros estados da federação, por forças tarefas nos países onde as drogas que passam pelo Brasil vão parar, pelos países onde as drogas são produzidas, pela rede bancária que identifique e evite a circulação do dinheiro de origem duvidosa, pelo mercado que seja justo, até porque precisa da força motriz  dos países pobres, precisa do consumo e do trabalho da classe média e das classes populares, precisa que tudo isso funcione.
Agora  triste, mas triste mesmo foi saber das quase 200 mortes na Síria, em uma guerra civil interminável, violenta e desumana que parecia que estava caminhando para o fim. Isso foi desolador.

Fernanda Blaya Figueiró 

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