A plaqueta
“Já construíste a tua barca da morte, a
tua?
Constrói a tua barca da morte, vais
precisar dela.”D.H.Lawrence.
Um estrondo!
Um tiro certeiro! Do inimigo, em terra!
Lightning P-38, perdeu altitude, desceu
em circular ou em linha reta?
Silêncio nas profundezas da água. “A água não
dá a vida ela é a vida.”
A água tão escassa no deserto, tão gélida na
montanha, tão doce na boca, tão amarga no sono derradeiro. Eu simplesmente
dormiria.
Muito, muito, muito tempo depois... no
sono, nas profundezas uma plaqueta enferrujada identificava o local, indicava,
apontava como as lanternas e as estrelas. Guiava. A Verdade foi vindo a tona
aos poucos e ainda não é inteira. Ainda há enigmas como algumas palavras
comidas por formigas ou traças nos antigos papiros. Faltava tão pouco para o
fim da maldita guerra, é como partir antes da música acabar. Foi o certo ou foi
o errado? É bonito morrer na água? É cruel a guerra ou é o caminho para a paz?
Mozart tocava nas águas profundas? Foi no ar teu último suspiro, ou foi na
água? Encontrou a Terra teu corpo preso a mortalha de ferro? Como um Wiking tua
barca queimou e afundou? Como um Príncipe tua amiga Cobra forneceu o passaporte
para o infinito?
Esse é um inútil resto de poema, de um
assunto encerrado esta manhã, mas que se disse importante. Quem sou eu para não
pari-lo? Que direito de autora tenho em negar-lhe a escrita. Tens vida própria
poeminha, mas devagar para não despertar o manguito... A minha nau é essa longa
prosa do blog. Navegar é preciso, escrever é preciso, viver é isso, fazer o
preciso.
Fernanda Blaya Figueiró
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