São longuinho, são longuinho, dou três pulinhos...
1-
Encontrei meu paninho de limpar os óculos, fazia
tempo que não sabia seu destino e com ele o sorriso que a Carta ao Refém contém,
encontrei no meio do livro, assim um paninho todo dobrado e amassado. Re ler a
carta ao refém depois de Terra dos Homens faz um pouco mais de sentido. Talvez
esse simples texto belo tenha levantado uma Nação.
2-
Acho que encontrei o que precisamos para 2018: “Se
o respeito pelo Homem estiver estabelecido no coração dos homens, os homens
terminarão por estabelecer de volta o sistema social, político ou econômico que
consagrará esse respeito. Uma civilização funda-se antes de tudo na substância.
Ela é antes de tudo, no homem, o desejo cego de um certo calor. O homem, em
seguida, de erro em erro, encontra o caminho que conduz ao fogo.” Muito
parecido com os ensinamentos de Confúcio, me pareceu esse trecho.
3-
Perdemos a noção da hora nesse mar de denúncias,
de escândalos, de traições, corrupção e degredo que o Brasil vive,nossos muitos
erros, mas os milagres estão o tempo todo acontecendo. Como o menino sozinho
diante da imensidão do céu, deslumbrado pelos fogos de artifício, entrando o
ano rodeado pelas mães de santo e todo o branco da paz. Esse menino não é
pobre, nem rico, é o Homem Inteiro, o
Ser Humano denso que não tem medo do mar, mas respeito a sua tribalidade, sua essência.
Não importa se esse menino será identificado, ele é o milagre, seu senso de
humanidade de pertencimento a esse mar Brasil é nosso pequeno príncipe das
águas. Se é “bom” ou se é “mau”, o mundo agindo nele vai ir moldando, o espírito
soprado nele o torna Homem. O momento era precioso demais e ele não sorria, a
hora do sorriso nele é outra.
Não dou três pulinhos físicos, que
minha “patela” reclama e anda quieta que até dá um pouco de medo essa quietude
de quem uma hora pode faltar. Mas deixo esses pulinhos de palavras.
Fernanda Blaya Figueiró
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