Terra das Mulheres
“ A Verdade para um homem é o que faz dele um homem.” Saint pg146 Terra dos Homens
Esse é um texto que só diz respeito a quem gosta de ler!
Sei, bom amigo, que este teu Homem é o Homo Sapiens e que a Mulher é parte deste Homem Ser Humano, não é o gênero é o todo, o completo.
Uma pausa
Feliz cumpleaños, amada Violeta! “La Jardineira” Que decidiu o seu dia derradeiro, que não quis esperar a mão do destino, a inútil morte ao pé da cordilheira, o barracão caído, decidiu e pronto, colheu a rosa dos espinhos grossos, entrou na eternidade deixando para trás o piar enérgico o gavião... Pobre gavião, perdeu o sentido de ser.
Fim da pausa
Estava eu sentada no vagão do trem de terceira classe, chacoalhando, com meu pequeno nos braços, meu homem dormia a meu lado. Passou por nós o franzino escritor,senhor das areias e da cordilheira, vinho de frança e pão amassado no derradeiro vôo. Bem vestido, penteado com esmero, nos olhos dois profundos poços negros de dúvidas, lábios carnudos e bem nutridos, pele barbeada e algum tipo de assimetria no rosto típico dos seres humanos densos, andava entre nós, cheio de um profundo pesar. Olhar afiado como se fosse um gavião, parecia determinado a nos conhecer, ou nos reconhecia como partes de si. José dormia profundamente, não soube de nada, o menino era Ele o próprio destino, era Ele um anjo, o Pai, o Filho e o Espírito. Eu? Me chamam de Maria, a mãe. Em todos os trem nós viajamos, e no teu avião mergulhando em areia, na barrigada do ferro contra o chão do mundo nós estávamos, sentimos e seguramos o teu sofrimento, salvamos teu companheiro, sentimos tua sede, aplacamos tua dor, a luz,amigo, estava lá, sabíamos que servirias para dar ao mundo um verdadeiro Príncipe mesmo que pequeno, um grande ensinamento, uma diretriz. Eram os reis magos as lanternas que iluminaram tua esperança. Não era, amigo, tua hora ainda. Precisávamos de teu talento, nosso Mozart das letras, cultivado desde pequenino, no jardim, era preciso que tua coluna doesse para que o mundo pudesse viajar em tuas palavras, era preciso dar um sentido a beleza das misses.
Qual seu livro preferido? O Pequeno Príncipe! Muitas nunca leram, as misses, mas são rosas cultivadas em graça e beleza, elas são completas nas passarelas. Completam os Homens! Nós mulheres não mais belas também, amamos a tua rosa, o teu pequeno desprotegido e tua raposa. Nós mães que trazemos todos ao mundo precisávamos de teu engenho. Assim é o deserto, o mar, a floresta, as cordilheiras do mundo... José dormia, Jesus sorria e eu fingi não te ver. Ali, parado, profundamente reflexivo, nos achando barro... Sim, também me incomodam as sopas das caridades, elas são o orvalho colhido no tecido do paraquedas, só servem se transitórias como os trens, é preciso desembarcar do torpor e embarcar na vida, mesmo que as miragens e o pânico estejam nas ruas e nos campos. É preciso viver a vida, morrer é parte da vida, é o novo nascimento, é o Universal que tanto querias. O último e silencioso vôo te libertou da angústia, como a bala de Violeta? Nós, Maria encarnadas, não sabemos tudo do mundo, só de nosso mundo. O menino não era Mozart, era Jesus! Mesmo um grande escritor pode enganar-se, não era o barro era o próprio sopro.
Na Terra das Mulheres as guerras são diferentes, mas presentes, elas são indecifráveis, pois levam nossos pequenos para a morte, que não se sabe se alguma morte acontece na hora errada. Como saber? Como o operário espanhol que vira soldado e chega o dia do combate e ele tem que vestir sua pesada armadura, no mundo das mulheres a cada abrir de olhos pela manhã há uma casa a manter, a nutrir, há uma armadura pesada a vestir, o poder olhando como gavião todos os passos. Um mundo a desbravar e entender. Vontade de gazela de correr rumo a liberdade, mas se o destino for alimentar o Homem, não se furta a ele. “– Era pastor de ovelhas e me chamava Mohammed!”. Engana- te, amigo, teu escravo liberto nunca, em um só dia, em uma só xícara de chá servido foi um escravo, era ele o tempo inteiro um Homem Inteiro, os conheço aos montes, eles tem um olhar típico os seres livres, não há algema, corrente ou grade que os prenda, são livres na alma. “E de pé, á noite,cheio de sono,cheio de ternura por tanta fraqueza ignorante,Bark médico, profeta e rei, rezava por seu povo.” Como Violeta e seu canto forte, nunca foi pobre, nunca foi fraca ou digna de pena, uma Mulher Inteira, capaz de enfrentar um governo, de dar vida e voz a seu povo. Amigo, a força interior de um ser aparece na hora certa e cada um tem um motivo para ser como é. “Havia, em algum lugar, um parque cheio de pinheiros escuros e tílias, e uma velha casa que eu amava.” Todo e qualquer ser humano é um Mozart. Sempre. A existência precisa de todos, seja aquele que foi ainda no útero perdido ou no deserto deixado a morrer solenemente por não ter mais serventia. Que cruel e ao mesmo tempo perfeita é a natureza é o Homem Mulher. ... “era dos confins do mundo.” Foste lá por conta de Kant?
Terra das Mulheres é só mais sólida que a dos Homens, penso. A vida é a mesma, tudo é o mesmo, e não é.
Feliz Dia dos Reis Magos!!
Fernanda Blaya Figueiró
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