Conversa com um poema.

Conversa com um poema 

Os muito déspotas que me perdoem
Mas liberdade é fundamental.
Poeta, poetinha! Feia é a P. que te Pariu!
Teu delírio : “ E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente
                                                               [ e nos fazer beber
O fel da dúvida”...Vinicius de Moraes... 
Poeta de um tempo morto.
É um belo poema, mas é um hediondo poema ao mesmo tempo. Belo no erotismo não pornográfico, mas que soa como unilateral, nada contra o unilateral.  Hediondo na coisificação do objeto de desejo como se fosse uma frígida folha de calendário numa parede tosca qualquer...
Tua receita é de uma coisa sem vida, não de um ser pensante como todos os seres. Mas, divagar é divagar, não é proibido, nem é crime, ou pecado. Longe de nós o pecado. É de dar dó, mas há beleza no poema, há uma adoração do impossível, uma coisa que só existe na vontade, não na memória. Ou numa memória Frankenstein, recortada e remendada sem alta costura.
Receita de mulher ou Manual de uso de boneca de plástico para homen solitário?
Somos seres inteiros e livres, se feias, se belas,se perfeitas, se imperfeitas, se frias, se quentes, se, se,se... . Um ser e não um corpo inerte e sem vida. Ser em plenitude exige liberdade, até de teu belo poema machista.
Sonhar, delirar, imaginar é permitido. Oprimir não mais.
O fel da dúvida deve ser muito amargo e servido em guampa, é uma prisão neurótica o teu poema. Quantas mulheres manipuláveis usaram teu verso solene para rir-se das outras, as muito feias... Sem perceber a armadilha escrita, correram contra o relógio na busca do absurdo... Os homens em teu poema buscaram a receita... Receita? Receita de Homem tem na Bíblia, só procurar.Um pouco de Barro e seja o que Deus quiser...
“Sobremodo pertinaz é” ou fica a impressão de que nunca deve ter conhecido o teu poema uma mulher verdadeira na vida.
Poetinha,  teu tempo está morto!  Hoje o mundo é outro, ainda bem, só não sabemos ainda como será... É um belo poema feio... Muito feio, hoje tu seria triturado. A mulher de hoje é  livre dos poemas, se quiser ser, só não quer mais armadilhas, gaiolas de ouro com outros nomes. Só. Difícil ser pássaro livre... Mas possível.

Fernanda Blaya Figueiró.
PS A favor da Mulheres francesas e norte americanas. Contra o Trump e seu discurso ultrapassado eu também sou.

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