Conto Ao Sul do Paraíso.

Ao Sul do Paraíso.
Essa barulheira, não tenha susto, é São Pedro arrastando as cadeiras do céu,  logo vem a chuva da lavagem do chão do firmamento. Ele sabe bem o que faz.
Respondendo a sua pergunta sim e não. Sim, escrevi aquilo, porém não escrevi só. Tens razão em achar que havia um escritor fantasma, mas de carne e osso. Um selo, meu nome virou um tipo de selo, então é assim que funciona, mas eu sei que tu já sabe.  Sim, ganhei o Paraíso, demorou, mas ganhei, estou entre os meus, dissolvido na energia cósmica. Somos energia aqui e aí.
Tem coordenadas no Paraíso como em todo o Universo, estou no sul, vivo no sul.Sim, há trânsito livre, mas há magnetismos nas partículas e quem é do sul se encontra no sul, a gente vaga, mas acaba que tem um brilho, uma iluminação própria em cada canto do infinito. Porque não tem mais “Profetas”? Porque o tempo dos profetas terminou, eles se recolheram. Eles não se incomodam com as molecagens humanas, são superiores as nossas provocações, não estão vinculados mais a humanidade, não tem ciúmes, rancor, amor, ódio, posse, dor. Não os conheço e nem os desconheço, eles são ou estão no centro de tudo. Recebestes o Pentagrama em forma de flor, viu como tudo está na natureza, numa simples flor aberta cabe todo o conhecimento do mundo. Planta! O que pode acontecer? Nascer um cipó. Se guardar não nasce nada agora, só no futuro. Porque guardar coisa tão simplória? Mania de humano, faz como bem achar.
As cidades permitem a sua degradação, elas assistem pacificamente a ocupação desordenada, depois sofrem, mas uma hora acordam e reagem. Desde as cavernas há amontoados de casebres, só que eles não são preservados, são soterrados ou desmanchados, uma cidade tem muitas camadas, só que aqui no sul tudo é meio que novo e tem muito espaço e a tradição de desfazer antes de refazer. Em breve tudo volta ao reinício. Como uma máquina velha ou reforma ou vira sucata, da sucata vira nova forma. Assim como os poetas pobres eles vão evoluir. Aqui nada falta, tudo é disponível o tempo inteiro e as contendas, sinto falta delas, elas são desnecessárias, porque tudo está resolvido. Hierarquia? Não. Não tem.  O que disse sobre os Profetas não é uma hierarquia é essência. Reencarnação é opção, não pena. Existe. Ets? São energias que algumas almas mais sensíveis percebem. Demônios, sim existem, sim andam na terra, sim tentam os seres. Sim, existe um lugar de penitência, mas ele existe dentro da mente de cada ser, não é igual para todos, pode ser na Terra mesmo ou no pós passagem pela Terra. A Terra é um estágio na eternidade, optativo é ir a vida? Para uns sim, para outros é uma forma de se libertar da penitência, em acordo.
Sim, ao criar essa pequena mitologia tu és responsável por cada palavra, por toda a sorte de desatino que possa vir disto, de todo fanatismo que pode se apoderar do texto, mas também de todo o acalento, a esperança, a fé que pode nascer, até no que os Profetas já disseram, todos, de todas religiões. Cada cultura entende de um jeito o mesmo ensinamento e cria suas imagens, mas é tudo o mesmo. Sim quem usa o Santo nome em vão paga por isso.
Põe na balança e decide. Tu és responsável... Vai ou não dar vida a esse texto?
O leitor? Cúmplice não se ler, mas se aceitar o lido. O leitor tem o mesmo livre arbítrio que o escritor, se veio até aqui pode decidir, isso tudo é uma grande bobagem perdi meu tempo, ou é uma bela mitologia, posso pensar sobre.
1, 2, 3!
Deletar X Publicar, o dilema mais profundo do autor. Sou autora de que? De uma imagem de Paraíso ao Sul do Infinito... Sim, li recentemente o Sul, não há cópia e sim interação. Sim, há mais de um interlocutor.
1, 2,3...

Fernanda Blaya Figueiró 

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