Brasil espera o Carnaval.
“Poderes
Talvez o amor restitua um cristal quebrado no fundo
do ser,um sal esparzido e perdido
e apareça entre o sangue e o silêncio como criatura
o poder que não impera se não dentro do gozo e da alma
e assim neste equilíbrio poderia fundar-se uma abelha
ou encerrar as conquistas de todos os tempos numa papoula,
porque assim de infinito é não amar e esperar na margem
de um rio redondo
e assim transmutados os vínculos no mínimo reino recém-
descoberto.”Pablo Neruda , Memorial de Isla Negra pg 238.
“Poderes
Talvez o amor restitua um cristal quebrado no fundo
do ser,um sal esparzido e perdido
e apareça entre o sangue e o silêncio como criatura
o poder que não impera se não dentro do gozo e da alma
e assim neste equilíbrio poderia fundar-se uma abelha
ou encerrar as conquistas de todos os tempos numa papoula,
porque assim de infinito é não amar e esperar na margem
de um rio redondo
e assim transmutados os vínculos no mínimo reino recém-
descoberto.”Pablo Neruda , Memorial de Isla Negra pg 238.
Muito belo este poema perfeito para o Brasil de hoje, preocupado com os poderes, enlutado pela dificuldade de entender o que foi feito de todas as utopias, que se deixaram virar pó, opressão, corrupção.
A esquerda afirma categoricamente “as utopias morreram”, a direita “meu país em primeiro lugar”, na tentativa de volta ao protecionismo e nacionalismo. São tempos em profunda transmutação, para quem tinha apego a um ou outro projeto é difícil entender, “não amar” a mutação é esperar a margem de um rio redondo, se redondo não é rio é lago, lagoa, açude, que rio corre e deságua, nasce nas pedras e fontes, corre entre campos e cidades, margeia os tempos e deságua caudaloso ou suave no mar ou em outro rio.
Brasil se prepara para o carnaval e na quarta feira as cinzas levarão o peso de janeiro, os pedidos a Iemanjá, novas contendas e acertos vão brotar.
Não somos obrigados a participar dessa falácia cansativa da luta entre os poderes, é preciso desatrelar dessa cansativa retórica “e apareça entre o sangue e o silêncio como criatura”, trégua até o fim do Carnaval. Luto para uns, luta e esperança para outros, elaboração, é tempo de elaborar e meditar. Algo bem melhor está sendo gestado, é preciso paciência, zelo, cuidado, uma nova utopia está nascendo e pertence aos jovens, eles tem o sangue fervente, o ímpeto transformador, nós somos o lastro, o encoberto saber que dá os limites, os contornos, as margens que permitem ao rio correr. Seja esse saber acadêmico ou empírico, seja um olhar severo, uma palavra forte ou uma acalento, um incentivo. A economia, a política, as religiões, a educação, a arte são construídas por nós, estão em nossas mãos. É bom chorar as mágoas, se alegrar com as conquistas, mas depois é preciso colocar a mão na massa, pensar clara e objetivamente. Isso deu certo, aquilo errado, foi aqui que colocaram muito fermento e azedou, ou faltou açúcar nessa fase, muito tempo de forno, pouco sal, a água era ruim, ou era boa, faltou leite, sobrou gordura... O mundo vai ser forjado pelo atrito entre o velho pensamento que não quer morrer e o novo que força o nascimento a fero e fogo. O equilíbrio será em algum momento alcançado até que se perca e volte, e se perca e volte.
Há um amadurecer individual e solitário e um coletivo, há percas e ganhos, amor e desamor. Há linhas na nossa existência e nem todos estamos no mesmo patamar de desenvolvimento, isso não significa que uns são melhores ou mais importantes que os outros, mas que a existência precisa de todos. Entende e aceita todos os seres, dos mais primitivos aos mais evoluídos, todos tem algo importante a ensinar e aprender e o direito de viver e morrer.
A esquerda afirma categoricamente “as utopias morreram”, a direita “meu país em primeiro lugar”, na tentativa de volta ao protecionismo e nacionalismo. São tempos em profunda transmutação, para quem tinha apego a um ou outro projeto é difícil entender, “não amar” a mutação é esperar a margem de um rio redondo, se redondo não é rio é lago, lagoa, açude, que rio corre e deságua, nasce nas pedras e fontes, corre entre campos e cidades, margeia os tempos e deságua caudaloso ou suave no mar ou em outro rio.
Brasil se prepara para o carnaval e na quarta feira as cinzas levarão o peso de janeiro, os pedidos a Iemanjá, novas contendas e acertos vão brotar.
Não somos obrigados a participar dessa falácia cansativa da luta entre os poderes, é preciso desatrelar dessa cansativa retórica “e apareça entre o sangue e o silêncio como criatura”, trégua até o fim do Carnaval. Luto para uns, luta e esperança para outros, elaboração, é tempo de elaborar e meditar. Algo bem melhor está sendo gestado, é preciso paciência, zelo, cuidado, uma nova utopia está nascendo e pertence aos jovens, eles tem o sangue fervente, o ímpeto transformador, nós somos o lastro, o encoberto saber que dá os limites, os contornos, as margens que permitem ao rio correr. Seja esse saber acadêmico ou empírico, seja um olhar severo, uma palavra forte ou uma acalento, um incentivo. A economia, a política, as religiões, a educação, a arte são construídas por nós, estão em nossas mãos. É bom chorar as mágoas, se alegrar com as conquistas, mas depois é preciso colocar a mão na massa, pensar clara e objetivamente. Isso deu certo, aquilo errado, foi aqui que colocaram muito fermento e azedou, ou faltou açúcar nessa fase, muito tempo de forno, pouco sal, a água era ruim, ou era boa, faltou leite, sobrou gordura... O mundo vai ser forjado pelo atrito entre o velho pensamento que não quer morrer e o novo que força o nascimento a fero e fogo. O equilíbrio será em algum momento alcançado até que se perca e volte, e se perca e volte.
Há um amadurecer individual e solitário e um coletivo, há percas e ganhos, amor e desamor. Há linhas na nossa existência e nem todos estamos no mesmo patamar de desenvolvimento, isso não significa que uns são melhores ou mais importantes que os outros, mas que a existência precisa de todos. Entende e aceita todos os seres, dos mais primitivos aos mais evoluídos, todos tem algo importante a ensinar e aprender e o direito de viver e morrer.
Fernanda Blaya Figueiró
Comments