4 dias e 2018 joga a toalha.

4 dias e 2018 joga a toalha.

"Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…
Texto extraído do livro “Nova Antologia Poética”, Editora Globo – São Paulo, 1998, pág. 118." 


2018 tem só quatro dias e já está numa terrível crise existencial diz ele: eu não queria! Não pedi para nascer,tudo é culpa de 2017, minha mãe,como dizem os freudianos tudo culpa da mãe.  Ele, masculino feminino que me pariu,  que não via a hora de acabar. O acabado me forçou a entrar em cena, eu não queria. Entende?( como diria Pele). Eu não queria, sou só mais um reles anos, antecedido de 2017 iguais a mim. Agora: rebelião não sei aonde, morte pra tudo que é lado, 3 ministros caíram, o Lula Jararaca vai ser julgado( Graças a Deus), mas,  continua seu lamento, porque no meu início?  Não podia ter sido no preguiçoso do 2017? O cara se atira em dezembro, na desforra, bebeu que nem gambá, soltou mais foguete que pum do Universo, dançou Despacito a rodo e deixou tudo pra mim... Vê se isso é justo? Tô aqui com 4 dias uma menina travessa a tal de Esperança pentelhando e chove tragédia, bala perdida, malas relembradas, extravios enormes de bom dinheiro público. Eu pareço uma professora de pré escola de joelhos desejando: chega dezembro, chega!!!Só quem doma 20 ferrinhas um ano inteiro sabe o que isso significa, a alegria e a exaustão que um ano letivo tem. Chega, chega! Já tô vendo a notícia: 2018 inicia com aumento da violência, da inflação e risco Brasil, o assustador risco Brasil. E querem que o coitadinho faça o que? Voltar: não pode, Pular o calendário: não pode... Você marcha 2018? 2018, para onde?... (Quem quiser a identificação do poema glossado nesta última frase pergunte a alguma  criança da pré escola que é mais conhecido que as pedras do caminho.) 
2018 será como sempre um ano, direita e esquerda se reinventam e só sabem fazer o que o ser humano sabe: repetir padrões. Nossas invenções serão a imagem e semelhança de nosso passado. 
Vamos colocar o coitadinho do 2018 no corner, dar uma aguinha, fazer uma massagem nos músculos do pescoço, dar um tapinha nas costas e mandar seguir apanhando que vai ser longa a peleia. Não desanima, mantem a guarda e a esperança que: tâmo junto!



P.S. isso é uma charge, mas como eu não sei desenhar (uma traição do destino) eu descrevo porque é o dom que me sobrou nesse latifúndio.

Fernanda Blaya Figueiró 

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