Saudação ao amigo de meus amigos, Walt Whitman
Brasil, em onze de junho de mil novecentos e quinze ainda
faltava muito para eu nascer, nunca li só agora ou talvez tenha lido e não lembre
poemas seus, que sei da grandeza pelos outros. Essa é de fato uma grandeza.
Nos dias de hoje a sexualidade está novamente na berlinda,
preocupante, o nu assusta e não deveria, as tribos se chocam com tudo, a burca
foi imposta a algumas culturas, em outras não existe. Não em pano preto, mas um pouco diferente,
numa censura velada. Tudo é uma relação de poder, sexo virou poder, como sempre
foi. Tudo virou assédio, é uma onda, tem um pouco de exagero de um lado e do
outro lado selvageria correndo solta. Selvageria na sua mais pura e violenta
expressão confunde o que é com o que não é “liberdade sexual”
“O espírito que dá vida neste momento sou EU” Campos
“Pode o homem se quiser, conduzir seu desejo
por veia de coral ou celeste nudez.
Amanhã os amores serão rochas e o Tempo
Uma brisa que vem adormecida pelas ramas” Lorca
Lendo o poema de Lorca e sua clara separação entre o amor
livre e os opressores da carne, me pareceu que isso é bem antigo. O poeta ergue
sua voz mas não contra o menino puro e seus desejos, mas contra os “que dais aos rapazes gotas de suja morte
com amargo veneno.” Poderíamos dizer que se aplica a meninos e meninas, meninos
meninas, meninas meninos. Pela avalanche de escândalos que não mais
escandalizam e que brotam como sarampo recolhido. As relações humanas estão
ficando tão artificiais e inflexíveis parece.
Hoje Walt Witman seria aceito? Foi assédio o beijo roubado em
Oscar Wilde? Se é que de fato existiu ou foi pura lenda, não sei... que há muita
fantasia na rede...
Mas a poesia sim essa era real e verdadeira. A vida dos
outros é um assunto interminável, como rende, muitas dessas coisas foram
criadas, outras vividas mesmos, mas o peso que estão ganhando parece ser irreal.
Me preocupa que em breve tudo será desenho e nada será vivido por gente. Sabe
gente de carne, osso, gente que sente e existe
“E cheira-me o suor, a óleos, a atividade humana e
mecânica...
... Sim- eu,franzino e civilizado, meto dentro as portas,
Porque nesse momento não sou franzino nem civilizado,
Sou Eu, um universo pensante de carne e osso,querendo
passar,
E que há de passar por força, porque quando quero passar sou
[
Deus!” Campos
O etéreo e abstrato Campos, aquele que não sendo é, imerso em
corpórea humanidade.
É tudo uma cansativa retórica, puro impuro, nobre vulgar...
prisões
Claro que tiveram assédios sérios e abusivos, mas também uma
“criminalização” exagerada das relações criada. E isso é a velha censura
voltando. É o desejo dos falsos puritanos, onde tudo é proibido e assim, nas
escondidas, é mais excitante. As pessoas sabem quando há um verdadeiro assédio e
sabem se defender, sabem até onde aceitam e onde deixam de permitir, quando precisam sair.
Walt Witman hoje seria indecente... quase duzentos anos se
passaram e nada passou...
Poetas e seus poemas não são coisas deste mundo, Campos
certamente é o mais concreto e real de todos estes meninos... O que mais
profundamente viveu e experimentou a vida corpórea e lúdica.


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