Poema: Diga o que você está fazendo!

Diga o que  você está fazendo!
Plantando e colhendo,
O que?
Luz, Liberdade, Paz
Não é muita pretensão?
É
Diga-me onde estão os opostos?
Sombra, Prisão, Guerra
No lugar de sempre
Há muita paz alcançada e muita guerra vencida
Há muitas prisões superadas e muitas cadeias imaginárias
Há luz e sombra na medida certa, como sempre houve
Eu sou contra o júri popular, porque a vingança tem um gosto muito amargo, ela está dominando os corações, o perdão é muito difícil, mas é preciso. Dar ao povo o chicote quando está dominado pela dor e pela raiva não é certo, me parece. É preciso ter coragem para perdoar. Tem que esquecer as cenas tristes, as vidas ceifadas em plena vitalidade. Jogar no abismo toda essa dor, na Garganta do Diabo, ela esteve aberta, insaciável, é preciso deixar ir... Por mais difícil que seja. Entregar uma contenda ao povo que só pensa em sangue é pôr em seus ombros o peso da morte. A pena tem que estar dentro da lei, não da barbárie. Para que os nomes dos meninos e meninas sejam ditos cheios de luz, de Amor e sem Rancor. Sempre há um fim acontecendo, as vezes solitário, as vezes coletivo, as vezes violento, outras pacífico, sempre há um desprendimento da alma, um retorno do corpo ao pó, ao infinito e toda nossa energia fica nas sementes plantas, nas lágrimas vertidas, nos risos soltos, sem medo de parecer feio ou impróprio. Não sei nada da vida e da morte, só sei que antes de Eva eu já estive aqui, depois de todo o fim aqui voltarei. Sombra também espalhei, que só de luz não se vive, sombra é o tempo da semente esperar dentro do ventre da Terra. Nada sei sobre a boca do monte, nem sobre as vidas antigas e as futuras, não sei da dor e das alegrias, das esperanças e das lembranças. Nada sei dos jovens, nem de seus sonhos, mas eles vieram, viram, venceram algumas batalhas, outras não. Nada sei dos dias de calor abafado, das noites de serestas, nem do caminho do trem, nunca que soube dos sinos distantes ou dos triângulos e seus pinos, o chamado, do algodão doce, do biscoito fininho... Não sei nada sobre o exército e suas botas, ou a universidade e seus ensinamentos, nunca entendi bem esta cidade, não que seja esta cidade, mas este mundo, ou talvez eu entenda de mais, eu pense de mais, eu sinta de mais, não faz sentido para mim a luta pela perfeição, sou muito ciente de minhas imperfeições. Sei que alguns não gostam do meu jeito, outros da minha forma, e ainda da minha voz. Já da minha escrita ignoram, poucos entendem, é a sina de nós gente comum, que fala língua de povo, que não se deslumbra com ouro ou que entende que tudo no mundo já existe, sempre existe sempre termina e sempre retorna. O povo derruba um César e vem outro, vence uma batalha e outra inicia... Constrói-se um templo e logo ele é queimado, tomado por vendilhões de tudo. Mas é preciso um templo erguer, mesmo que as cinzas ele seja reduzido, é preciso.
Posso ir agora?
Não! Quero saber o que andas fazendo?
Mas bem expliquei: ando andando!
Não acredito. Ficas aqui até eu decidir, nesta página, não vire ou morrerás.
Enquanto meu corpo obedece as suas ordens meu espírito voa, alto,muito alto, não há prisão para espírito, só o medo e a culpa, que são artifícios da sociedade para controlar.Estou livre sim, presa a está página, nunca se dá as costas para uma opressão. Então aguardo.
 Segue teu rumo,  deixa essa balela aqui... Poesia? Isso lá se pode chamar de poesia?  

Fernanda Blaya Figueiró 

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