O jardim das cerejeiras.Bela leitura.
“... a vida passou... passou... e eu nem vi” Firs em O
jardim das cerejeiras, Tchékhov pg78.
Estive em Cachoeira do Sul, há alguns meses, conheci o
Viveiro Cultural, um lindo lugar dedicado a cultura e a arte, lá comprei este
pequeno livro, pela capa, achei lindíssima. Não atentei para o fato de que o
texto era uma peça de teatro, difícil de ler, com vários lindos e densos
personagens, linguagem elaborada e cotidiana coexistindo em diálogos bem
construídos. Pedi a minha amiga Jane, que estava reclamando que não via sentido
na vida de recém aposentada, algo realmente difícil, que pintasse um guardanapo para mim com a capa
do livro, mais para dar a ela um sentido, um propósito,uma meta, eis que virou
um pesadelo, Jane se sentiu obrigada e isso é terrível, então peço desculpas a
ela, não vou mais aprontar dessas. O guardanapo ficou lindo, uma verdadeira
pintura, algo para ser guardado e não usado. A Jane que é muito querida me
indagou: para que tu queres esse guardanapo? Na verdade para nada, só para que
ela achasse uma ocupação e um sentido na vida. Agora que o tempo passou, que já
é primavera, que há cerejas lindas a venda para o Natal o livro voltou a mim e
então consegui entrar em seu Universo e toda a complexidade da peça me
deslumbrou, a capa é linda, o texto é maravilhoso. Procurei e não achei montagens
desse livro em filme, mas tem peças que vou assistir daqui a pouco, não é a
mesma coisa do que ir ao Teatro, mas com um pouco de imaginação dá para entender
e aproveitar a arte. Eu diferente de Firs estou vendo, lendo, escrevendo e
interagindo com essa passagem da vida, em comum temos o hábito de falar sozinho
que todos os loucos tem, uma loucura saudável. Imprimir, imprimir, imprimir, na
semana passada fiz um exame e o médico falava com a máquina em sua frente,
essas expressões, Imprimir, imprimir, imprimir. Ufa, não são só os loucos que
falam sozinhos os médicos também. Outro dia fui ao super mercado e diante da geladeira
cheia de sorvete falei: - Ah, Napolitano de novo, não, aqui Chocolate para
varia um pouco! O cidadão que estava ao meu lado ficou um pouco envergonhado e
evitou me contrariar... Louco não se contraria, então Jane o guardanapo vou
guardar, o livro ler e a vida imprimir, imprimir... imprimir! E esse
pessoalzinho que consegue resolver com um imprimir só, que vá se catar, essas
máquinas demoram muito para responder então a vida vai passando e elas não vêem.
Fernanda Blaya Figueiró


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