Sou já Moinho de Ilusões
Esquerda – Direita ultra, radical, moderada, mega, pseudo,
pós tudo isso e mais um pouco.
Não falta em nosso país ideologias, nem discursos vazios.
Faltam Homens.
Em todas as partes
E isso não acontece só a nós
Acontece natural e sistematicamente nas sociedades
Ontem assisti novamente o impactante Biutiful, é
impressionante
Uma Barcelona que daqui nunca imaginaríamos que existe
E existe em todos os lugares do Planeta, a praga da opressão
pela fome e miséria
Os “escravos modernos” correndo dos cassetetes da polícia, dormindo
em porões trancafiados, com pouca comida e nenhum dinheiro, a morte libertadora do sacrifício de viver. O metafísico
desafiando a ciência, corpos boiando, almas desprendidas em revoada.Perfeito para
um feriado em que ninguém sabe ou lembra o que é República e como foi difícil
chegar a ela para que fosse deformada na forma de cleptocracia... O jovem
policial corrupto, os irmãos malandros lucrando com a venda da gaveta em que o
pai estava... A redentora acolhida da alma na fotografia da infância. Poesia.
Sim amiguinhos há muita poesia nesse filme, há poesia em muita prosa, em música
e em arte gráfica. Poesia é esse olhar duro,diferenciado e ao mesmo tempo melancólico
e leve. Poesia não é só feita de flores e ela sim pode mudar o rumo das coisas.
Esquerda- Estado grande, burocrático, o ser pertence ao
Estado e ele serve.
Direita- Estado enxuto, burocrático, o ser pertence ao
Mercado e ele serve.
Ultra equerda – O Homem é instrumento para o fim único: O
comunismo.
Ultra direita- O Homem é instrumento para o fim único: O
lucro.
Esquerda radical- A ditadura do proletariado é a única forma de governo.
Direita radical- A ditadura neo liberal é a única forma de
governo.
Esquerda moderada- O socialismo busca o bem estar social
amplo e para todos
Direita moderada- O livre mercado busca o bem estar social amplo
e para todos
Mega, pseudo e pós tudo isso: esta em nossas mãos.
Somos os loucos que podem sonhar o novo, correm a nosso lado
os jovens que já estão fazendo o novo, em rede e muito, muito rapidamente. A
nós cabe sermos paredão. Eles vêem batem em nossas crendices, nós reagimos
destruímos suas ilusões, eles vêem batem em nossas certezas, nós vamos e
devolvemos muitas charadas, ironias e sabedorias, eles vêem socam nossas
tolices, nós mostramos a eles os pontos fracos de suas utopias. Nós destruímos
seus sonhos como Moinhos que somos, Moinhos de ilusões. Eles vêem com seus
cavalos espadas e escudos, nós seguramos firmes suas investidas... Até que vem
o vento e nos joga longe, espalha tudo, vem a chuva e as sementes germinam, nós
deixamos de ser de um jeito, passamos a ser pós nós mesmos. Os jovens nessa
labuta viram Moinhos de Ilusões, e a roda gira, gira, gira... Podemos fazer
diferente, eu vos pergunto? Poesia bonitinha não é comigo, sou pedra...
"Ouça-me bem amor, o mundo é um Moinho..." Amo esse poema, pesado e leve... que síntese triste do Brasil.
Fernanda Blaya Figueiró
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