Breve Leitura de: “O existencialismo é um Humanismo” Sartre

Breve Leitura de: “O existencialismo é um Humanismo” Sartre
Li com alguma atenção e pouquíssimo lastro o texto dessa conferência, sempre gostei de ler os romances e contos de Sartre. “O Ser o Nada”, peguei algumas vezes, mas achei muito complicado, eu gosto muito mais da literatura, mais ainda da contação de histórias, do que da filosofia, essa foi a minha grande conclusão com os filósofos, já a alguns anos. A arte e principalmente a poesia conseguem chegar mais fundo em leitores comuns, como eu, do que a filosofia, mesmo a boa, que tem filosofia que é pura retórica, não é o caso da conferência de Sartre, neste texto ele defende seu ponto de vista como um Leão defende seu território, mas parece que ao falar sobre as críticas (que devem ter sido severas,de pensadores cristãos, que devem ter defendido a existência de Deus) ao seu texto ele mesmo se reelabora.
“ O existencialismo não é, sobretudo, um ateísmo no sentido de empenhar-se para demonstrar que Deus não existe. Declara, ao contrário, que, mesmo que Deus exista,isso não mudaria nada; esse é nosso ponto de vista” Sartre pg 44. Muito bom isso, já para mim que sou um Ser Humano e Existo, acredito que Deus existe,  confio nessa minha crença, mas se não existir não muda nada. Existindo ou não Deus, parte do meu “destino” é feita por mim mesma, pelas minhas escolhas, nasci e antes de mim tudo já estava estabelecido, então a Essência do Coletivo no qual estou inserida, A Humanidade, já existia, concreta, materialmente e transcendente. Todas as leis naturais ou abstratas já existiam, as demarcações os sulcos feitos pelos ancestrais já estavam aqui, nasci em 11/06/1968, a Humanidade já tinha milênios de histórias vividas e contadas, mas eu só sei de 1968 para cá, só sei parcialmente o que aconteceu deste ano até a data de hoje 11/11/2017, muita, muita, muita coisa aconteceu que eu não sei e nunca saberei nesta pequena fatia de tempo e no mundo inteiro. Mas estou lendo a conferência de 1945, ano em que eu como sujeito ainda não existia, mas que me foi legada pelo amigo e controverso poeta Sartre, que nunca conheci e nem irei conhecer mas que acredito que existiu, da mesma forma que acredito que Deus existiu, não sei e pouco me importa se “O Existencialismo é um Humanismo”, não sei quais caminhos meu amigo trilhou, se precisou desconstruir o Humanismo para reconstruir em suas palavras e atrelar a ele o Existencialismo. Não sei nada disso, não sei da fúria e da ofensa que os cristãos da época sentiram ao ter parte da humanidade desconstruindo e negando a Deus, acho que era seu direito defender suas crenças. Acho que atualmente, muito longe de 1945, Deus está em voga como pólvora de muitos conflitos, que Deus? Que normas, que moral vai prevalecer? Algumas religiões muito antigas querem impor seus dogmas de fé a toda a Humanidade e isso considero um erro, como também o ateísmo querer impor sua lei de que Deus não existe, isso não funcionou. Parte da Humanidade venera, acredita, segue ensinamentos de mestres, profetas, Deus, em diferentes formas e manifestações, e tudo deveria coexistir na liberdade de expressão e no respeito. Acho correto ter a dialógica que espaços como esta conferência buscam, principalmente para aceitar e viver a diversidade e modificar a realidade. Eu, além de acreditar em Deus, em sua existência, acredito na Humanidade e na Natureza, inclusive na Natureza Humana que de alguma forma determina que uns sejam mais criativos, outros mais engenhosos, outros guerreiros, alguns líderes e a grande maioria liderados, que gostam e seguem lideranças desde que justas e honestas, somos geneticamente programados para desempenhar alguns papéis sociais? Temos habilidades físicas, emocionais e cognitivas diferentes uns dos outros?  Todos de alguma forma buscamos a liberdade, o que cada um entende como liberdade é diferente, por isso na falta de Deus, na sua negação e na falta de um consenso sobre sua existência ou ainda, entre os que acreditam em sua existência,  sobre que normas eles determinou , que religião é a Verdadeira, precisamos para ordenar o nosso caos, já que na desordem não funcionamos bem( somos parte do Universo e o Universo é ordenado e segue princípios e leis), de leis justas a nos orientar. Acho que em breve teremos uma Constituição Terráquea, onde estarão descritas normas universais, algo como um tratado maior do que a “Declaração Universal dos Direitos Humanos'( corrigi estavam invertidos os termos) ou a “Carta da Terra”. Estes acordos já existem, muitos são cumpridos, outros não. Mas entre eles deveria ter a ampla e irrestrita liberdade de credo, expressão e de ir e vir. Mas isso é assunto para os filósofos e grandes pensadores, eu acredito que sou algo mais perto do naturalismo, sem ser eco, é possível, porque na natureza, e na natureza humana estão todas as coisas que construímos amor, ódio, propriedade, bondade, maldade, violência, proteção, prosperidade,ciúmes, territorialismo, fortuna e miséria. Estamos aqui como seres da natureza, inseridos nela, nossa consciência é nossa existência, quanto mais acesso temos ao legado humano do conhecimento mais parte da humanidade nos tornamos. Mas, mesmo quem não acessa determinados códigos como a escrita, a história e a matemática sabe e vive dentro do seu saber, que muitas vezes é o mesmo dos doutores em tudo, um saber passado pelo sangue, não é maior, nem menor, é o mesmo saber, adquirido pela experiência e pelo olhar. Pessoas que existem por existir, naturalmente, como eu, vamos a cada dia novo tomando decisões, construindo na ação e no andar parte da existência da humanidade, parte dos conflitos e de suas soluções. O desesperar é natural ao ser, a culpa, a vontade de transpor barreiras, de construir ou destruir, são, para mim, parte da ação que é viver, e ao mesmo tempo do testemunho de vida que é o crer, em Deus, no Homem, no Homem com Deus, no Homem sem Deus. Eu, ao escrever este texto, estou apenas dizendo que estive aqui, que li o pequeno livro contendo a conferência de Sartre, que gostei em parte, que gosto mais de seus personagens fictícios, que sei pouco, mas com o pouco que sei interagi abstratamente com o texto, não com seu criador, que acredito que tenha existido, até por ler seus textos, ver suas fotografias e demais provas de que pelo mundo passou, mas não sei se continua existindo em outro reino ou formato, gosto de imaginar que sim, que ele está por aí encarnado ou não, gosto de acreditar na Alma Imortal dos Seres Humanos, mas isso é para mim, aceito que outras pessoas não gostem nem acreditem. . Admiro este escritor mais por pura devoção do que por profundo conhecimento, talvez mais como celebridade do que como mestre.  Então é isso, o dia está lindo, ensolarado, levemente frio, silencioso... opa, a cachorrada acabou de romper o silêncio. Eu, como ser ciente, acredito que mesmo antes de estar aqui presa a esta forma e corpo, já existia como essência e luz, acredito que uma vez terminado meu período na Terra, que horas é prazeroso, horas angustiante, volto ao Cosmos como luz e levo daqui este testemunho, em 1968 desci a mansão dos vivos e feito a imagem e semelhança do meu Senhor, do pó vim ao pó retornei e no principio era verbo, depois de findo o meu breve tempo, ao verbo retornei.Aqui deixo rastros de verbos, em grafia, fotografias, minha vós em algum lugar talvez tenha sido gravada, meus passos no solo estão para sempre marcados,então os que depois de mim passarem aqui neste belo e adorado Planeta Terra, saberão que eu existi,  e que era um Ser Humano limitado como todos somos.

Fernanda Blaya Figueiró 

Comments