Tragédia e mais tragédia... Dessa vez em Goiás.
Não escrevi nada sobre o jovem assassino de Goiás, porque seria repetir tudo de novo... Um aluno de escola particular, de classe média alta, matar contraria muitos dos nossos discursos de que a violência acontece mais entre os jovens pobres, que seria fruto da miséria. Só podemos sentir a dor das famílias, não tem mais nada para fazer. Ele esqueceu um ponto no seu delírio, ficou vivo, isso é uma novidade, não poderá cumprir medida “sócio educativa” na FASE, como filho de policiais não duraria um dia junto aos outros adolescentes. Parece que terá 45 dias de internação numa clínica, matou duas pessoas feriu outras tantas e em 45 dias pode estar solto? Os seus pais certamente estão condenados ao sofrimento que terão que lidar daqui para frente, os colegas serão marcados pela tragédia e as famílias dos jovens mortos também. Como a arma entrou na escola é irrelevante, porque o crime poderia ter sido cometido na entrada ou saída, ele estava determinado a matar, virou um criminoso, do mesmo jeito que viram os meninos que vende nas bocas de fumo ou que assaltam nas esquinas.
Os pais, professores, a imprensa estão agora falando no Bullying, no poder devastador que pode ter na sociedade, muito triste isso tudo. A escola terá que lidar com o fracasso diante do caso, como não percebeu que algo não estava indo bem? Serão tempos difíceis para essa comunidade toda... Algo está fazendo com que a violência aumente talvez a “glorificação dos marginais” nas novelas, jogos,seriados e filmes. Uma pessoa boa não se sente seduzida pelo poder da violência, uma pessoa má sim. Pensar em vingança, em assassinato, em crueldade pode criar o impulso destrutivo? Esse jovem tem consciência de todo o mal que fez, ele matou o melhor amigo, seu objetivo era o suicídio após o crime ou não?
Os pais sabiam que ele era ridicularizado pelos colegas? Que estava sendo dominado pela vontade de vingança? Os professores perceberam algo? Os colegas sabiam que estavam passando dos limites e sendo maus com ele? Sabiam que ele poderia se vingar, ou agiam assim porque achavam que nada ia acontecer?
Gentileza gera gentileza, violência gera violência.
Esse jovem já está morto, pode sim viver longos anos, mas sua alma não terá paz.
Aos outros pais resta conversar com seus filhos, saber o que está acontecendo, até procurar um médico para saber se o odor deles é normal ou se é excesso de hormônio. Podem as mudanças nos hormônios corporais terem desequilibrado seu organismo e liberado nele alguma forma primitiva de pensar e agir? A Besta nele falou mais alto do que a sua civilidade? Até que ponto um ser humano aguenta ser ridicularizado e ofendido? Quanto do seu ato foi por vontade própria e quanto foi por ação de pensamentos obsessivos, sejam eles entendidos como mecanismos da mente ou como fragilidade diante das energias que nos circundam, o Bem e o Mal, em que muitos não acreditam mais.
Havia nessa turma especificamente algum nível excessivo de competitividade?
Como falei são todas coisas já ditas e sabidas, nada há de novo.
Nossa escalada de violência está em ascensão, existe muita energia destrutiva entre nós e pouca esperança, pouca fé na humanidade e na bondade. Inútil escrever sobre isso, mas é força do hábito.
Fernanda Blaya Figueiró
Não escrevi nada sobre o jovem assassino de Goiás, porque seria repetir tudo de novo... Um aluno de escola particular, de classe média alta, matar contraria muitos dos nossos discursos de que a violência acontece mais entre os jovens pobres, que seria fruto da miséria. Só podemos sentir a dor das famílias, não tem mais nada para fazer. Ele esqueceu um ponto no seu delírio, ficou vivo, isso é uma novidade, não poderá cumprir medida “sócio educativa” na FASE, como filho de policiais não duraria um dia junto aos outros adolescentes. Parece que terá 45 dias de internação numa clínica, matou duas pessoas feriu outras tantas e em 45 dias pode estar solto? Os seus pais certamente estão condenados ao sofrimento que terão que lidar daqui para frente, os colegas serão marcados pela tragédia e as famílias dos jovens mortos também. Como a arma entrou na escola é irrelevante, porque o crime poderia ter sido cometido na entrada ou saída, ele estava determinado a matar, virou um criminoso, do mesmo jeito que viram os meninos que vende nas bocas de fumo ou que assaltam nas esquinas.
Os pais, professores, a imprensa estão agora falando no Bullying, no poder devastador que pode ter na sociedade, muito triste isso tudo. A escola terá que lidar com o fracasso diante do caso, como não percebeu que algo não estava indo bem? Serão tempos difíceis para essa comunidade toda... Algo está fazendo com que a violência aumente talvez a “glorificação dos marginais” nas novelas, jogos,seriados e filmes. Uma pessoa boa não se sente seduzida pelo poder da violência, uma pessoa má sim. Pensar em vingança, em assassinato, em crueldade pode criar o impulso destrutivo? Esse jovem tem consciência de todo o mal que fez, ele matou o melhor amigo, seu objetivo era o suicídio após o crime ou não?
Os pais sabiam que ele era ridicularizado pelos colegas? Que estava sendo dominado pela vontade de vingança? Os professores perceberam algo? Os colegas sabiam que estavam passando dos limites e sendo maus com ele? Sabiam que ele poderia se vingar, ou agiam assim porque achavam que nada ia acontecer?
Gentileza gera gentileza, violência gera violência.
Esse jovem já está morto, pode sim viver longos anos, mas sua alma não terá paz.
Aos outros pais resta conversar com seus filhos, saber o que está acontecendo, até procurar um médico para saber se o odor deles é normal ou se é excesso de hormônio. Podem as mudanças nos hormônios corporais terem desequilibrado seu organismo e liberado nele alguma forma primitiva de pensar e agir? A Besta nele falou mais alto do que a sua civilidade? Até que ponto um ser humano aguenta ser ridicularizado e ofendido? Quanto do seu ato foi por vontade própria e quanto foi por ação de pensamentos obsessivos, sejam eles entendidos como mecanismos da mente ou como fragilidade diante das energias que nos circundam, o Bem e o Mal, em que muitos não acreditam mais.
Havia nessa turma especificamente algum nível excessivo de competitividade?
Como falei são todas coisas já ditas e sabidas, nada há de novo.
Nossa escalada de violência está em ascensão, existe muita energia destrutiva entre nós e pouca esperança, pouca fé na humanidade e na bondade. Inútil escrever sobre isso, mas é força do hábito.
Fernanda Blaya Figueiró
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