Todas as palavras que eu já escrevi
No meu próprio fim dos tempos, eu acredito que somos eternos,
mas é tão bom
Imaginar um lampejo de elucidação, de entendimento, a revelação
de tudo
Eu as verei empilhadas e serão postas contra mim, ou a meu favor,
Quantas coisas já escrevi, perdi as contas, foram muitas
Há poetas lindos, sucintos e de escrita limpa,
Não sou assim, escrevo muito, muito, muito
Depois reescrevo muito, muito e muito
Minha palavra horas é bela, horas é horrorosa
Às vezes acho que as pessoas provocam, testam, cutucam os
Ogros e
Depois se encolhem, sabem exatamente o que o que fizeram
Eu, sou Pessoa, então sou assim meio que ando na berlinda,
depois volto
Digo e desdigo,
No fim... lá no fim da linha vou ter deixado longa trilha de
histórias,
Há quem não goste de longas trilhas, os passarinhos podem
achar que são migalhas e
Comer algumas, as formigas podem achar que são folhas e
furar outras
Algumas amarelam, outras somem, o que não gosto
definitivamente destruo, isso de gostar muda como o vento ... Minha palavra é
livre e navega sem rumo e sem controle.
Não imprimo nada, mas será mesmo que nada impresso no papel
deixa de ser?
Não vai sobra nada de mim, é bom, lá do meu fim de linha
Vou olhar, se não houver Fim? Que canseira que dá pensar num
Eterno, eterno, eterno , terno tempo... Se for será...
Fernanda Blaya Figueiró
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