Amigas Borboletas
Hoje tem aqui um
vento de dia de finados,
Seis dias antecipado, está o vento, ou o feriadão já começou
para quem vai enforcar a sexta feira, o povo já está de olho no longo descanso. Nosso país teve muitas mortes violentas
talvez seja isso, são muitas almas vagando para um só dia.
Mas,
Ontem recebi a alegria da visita inesperada de minha amiga Borboleta,
que chamei 2017. Um primor, pequenina e perfeita. Os mesmos olhos com formato
de infinito nas asas, sem se preocupar muito bebeu um pouco de cerveja... Puxa,
pensei será certo uma jovenzinha tomar cerveja, mas ela que pousou ali e hoje
pela manhã estava na ponta de uma cadeira, então tudo certo... O que queria me
contar? Não soube ouvir...
A natureza é perfeita e se nos assusta é porque nos achamos
em condições de igualdade com ela, que tolice, somos muito, muito, muito
menores e fracos.
Pássaros, um relincho de cavalo, o canto do galo, a briga
dos gatos, o vento vem contando todas estas novidades, do mundo e do além mundo
manda dizer que o pior já passou... Um tempo de calmaria virá de paz e
esperança... Assim esperamos.
A Humanidade só precisa de um pouco mais de sol e de luz do
luar... Está muito enclausurada em seu compacto conhecimento, fechou as portas
para o desconhecido, rema, rema,rema e não sai do lugar...
Esqueci meu poema, puxa eu tinha tudo pensado e fugiu...
Sim! Dizem de minha escrita que é verborréia... logorreia,diarréia
mental ... Vocês, mestres da censura, que amam frases curtas e bobagens
minimalistas, o que fazem aqui?
Se da vida nada sabem ou encontram sentido nas suas pobres
existências, porque um texto tem que necessariamente ser coerente, pesado e
cheio de púrpuras?
Não! Não era nada dessa interferência que eu queria falar...
Não tem lugar para gente no mundo, só para projeções de
gente... Estranho isso...
Eu fiquei tão feliz em rever minha amiguinha e esse vento veio
trazendo tanta coisa em si, tanta quietude e ao mesmo tempo o som, a música do
Universo...
Senhores o nome disso é fluxo, simples e mero fluxo de
energia, não tem nada para os grandes sábios aqui, aqui é só a boa e velha
natureza acontecendo, displicentemente... não é poesia de concurso ou para
vender... É ação por ação... poetar, por poetar... Risca um vidro no chão, que
beleza de som faz...
Fernanda Blaya Figueiró
2015

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