Crônica Antigamente, muito antigamente,quando fui parar na reciclagem.

Antigamente, muito antigamente,quando fui parar na reciclagem.
Aviso, só para matar tempo...
As vezes sinto uma certa vontade de criar personagens, mas porque? Porque alguém iria criar novos personagens? Abandonei um pouco os contos por que eram muito parecidos entre si e com os outros contos contados por aí... Pensava eu uma época que se evitasse alguns autores deixaria de parecer com eles, é errado isso, e ao mesmo tempo certo. Os escritores que lemos nos deixam marcas, estilos, então por mais que se queira ser autentico e único, não conseguimos. Porém nenhum de nós é igual ao outro, somos no fundo únicos, mesmo que a nossa cultura ou a falta de uma determinada cultura em voga apareça em nossa escrita, no fundo, lá no fundo da escrita tem um traçado que é só seu sua assinatura, seu DNA, seu estilo. Como gosto mais de meus poemas do que de meus contos, então abandono a idéia e passo a esse exercício simples e puro de escrita. Ninguém mais tem paciência para isso, mas isso não torna o ato de escrever menor ou menos importante, só é o velho hábito de fazer coisas, como quem cozinha pratos elaborados para cães, ou pesca o peixe e devolve a natureza, não come, não mata, só maltrata um pouquinho, se delicia e devolve. Somos obsoletos, nem todos nós fomos programados para a obsolescência, então continuamos agindo como velhas máquinas obsoletas. Nossa sorte que de tempos em tempos há movimentos “retrô” que olham para essas coisas antigas e reciclam.
Aqui olha, que tal essa escritora?
Hum! Velharia, mas se quiser toma... Duvido que sirva para alguma coisa, pode valer uns centavos no brechó. Pesado, cheio de imagens prontas, não sei... Agora se levar vai ter que fazer relatório, pensa bem. É uma mala!
E se eu levar esses outros?
Cê tá louco? Esses três empataram a vida de muita gente, deram nós e rodeios, foi um horror, horrível, pessoas andavam em círculo, achando que tinham descoberto: A Verdade!
Eu podia colocar eles a conversarem...
Seria algo travado como antigamente eram as coisas... Quem sabe larga isso, pega um pós guerra nuclear do terceiro milênio... Esse pessoal do segundo milênio era muito brucutu... Se matavam por qualquer bobagem, pariam como se fossem um rebanho, não souberam usar o Petróleo, aproveitar A Terra... Acho que dar ouvidos é levantar questões superadas...
Então porque são guardados?
Porque esse pessoal que arquiva não tem o que fazer... Só pode. Quer algo bom e ingênuo vai para o pré milênio... Pega os bem antigos, eles que influenciaram todo o resto, até chegar a nós. Mas, se eles não tivessem levado o Mundo a Guerra, hoje não existiríamos.. Seríamos ainda Humanos, mortais, inseguros, obtusos, frágeis...
Você acha que o Universo melhorou pós fim da Humanidade?
Não! Nem sim! Continuou tudo a mesma coisa. Eu não vou levar nada... vou fechar o depósito, vai levar algo?
Sim, eu tenho muito tempo sobrando, então vou levar esses quatro, depois faço relatório e deposito novamente...
Você não está se “re humanizando”, está??
Não! De jeito nenhum, eu só pensei em matar um tempinho...
Quanto tempo vai levar?
Pouco... Acho que dessa vez vai mais rápido.
Aposto que esse teu movimento vai fazer começar tudo de novo...
Nada pra fazer, pode deixar comigo!! Céu ou Inferno que tu escolhe?
Ah! Joga uma moeda! Coroa é céu, Cara Inferno...
Esse material do fim do segundo milênio... não sei se rende um bom conteúdo... Mas vai joga
Cara! Que beleza, vou variar um pouco!! Huhu!!
Vamos lá, então!!!
Fernanda Blaya Figueiró

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