Uma brincadeira, um jogo literário

Uma brincadeira, um jogo literário

Outro dia, não vou encontrar agora a citação correta, mas li nos Escritos de Guerra de Sartre, uma passagem em que ele reclamava do uso feito de seu “Piloto de Guerra” pela política da época... Fiquei pensando se é certo ou ético falar nesses senhores e senhoras todos, mas se eles escreveram entregaram aos leitores, se o que eles escreveram for entendido errado, não tem problema, a culpa não é deles, mas da ignorância de quem não entende ou na alquimia do tempo. Com a devida explicação acredito que posso brincar com a sofisticada Beatriz Viterbo. A musa de Borges seria bela como a musa de Dante? Nunca li a Divina Comédia, mas é como se tivesse lido não sei bem porque, talvez porque seus personagens são vivos e muito utilizados, são assustadores e de susto chega a vida.

A casa da rua Garay!
Juan de Garay criador da Cidade de Santa Fé, para nós cidade literária criada por Érico Veríssimo, lembrado neste conto como homenageado como nome numa rua, foi testemunha, de dentro do Alefh do que vou relatar. Que se há um olhar por fora pode haver sim um olhar por dentro. Escrevi “da hora” na crônica anterior e achei estranho as letras coloridas incorrigíveis, demorei para perceber era uma marcação da rede social, interagindo com o texto e soltando símbolos, muito legal, agora já sei é uma expressão muito importante. Vou procurar não usar.
Bem, de fato o Alefh tem seus textos semelhantes, tudo tem, e saber isso é realmente muito libertador, poesia e prosa são a mesma coisa, isso também é importante. Rimbaud é difícil de ler porque faz essa mistura, confunde, mas é bom. Juan que não é o Don achou uma certa invasão da privacidade, Borges vasculhar seu mundo. Há um Alefh ou cada ser tem seu Alefh??
Essa grande dúvida fica nas entrelinhas da fala de Carlos Argentino, que não é Gardel, (meu Deus que invejinha de Gardel e seu reconhecimento, me pareceu isso) quando ele indaga se viu tudo colorido. Muita da Erudição de Borges eu não tenho, meu conhecimento é tupiniquim e muito, muito mais popular, Gregos e seus mitos me assustam, mas sei alguma coisa, pouca, na leitura do mundo principalmente. Juan viu as inúmeras vezes que Borges chegou em sua rua, na porta da casa parava enigmático, em muitos trinta de abril, sorridente, garboso, cheio de esperança. Beatriz sentia os olhares, mas alimentava suas conversas com Carlos, como Borges não percebeu? Anos de amor platônico, por quem mesmo? Beatriz, a eterna musa!
A agonia de sua morte ligou os dois homens eternamente em sua ausência, a saudade, a falta de nitidez de seu rosto, o apagar da memória. Juan também, sentia por ela um certo apreço. O segredo do Alefh a ausência do tempo, tudo de todos os tempos ao mesmo tempo e no mesmo lugar. “É mais difícil um rico entrar no céu, do que um camelo passar pelo buraco de uma agulha”. Beatriz sabia de seu charmoso admirador, que não sabia das secretas cartas para Carlos... Mas isso pouca importância tem, a imensidão inexplicável do infinito, a certeza da verdade, a presença da Eternidade, a dificuldade de relatar o impossível foram muito fortes para ele. Beatriz amava a si mesma e sua superior condição de Eterna Musa, Carlos, Juan, Borges eram seus. Seus admiradores, olhava para um, escrevia para outro, sabia de tudo o tempo inteiro. Em Borges amava a persistência, os anos a fio de amor distante, amor poético, lírico, platônico, achava suas visitas românticas, nunca porém sairia disso. As cartas, como Carlos foi desleal, as cartas eram os poemas premiados. Imaginem se Borges soubesse? Em Carlos via-se no espelho, amava como quem ama a si mesma, com orgulho. Amava mesmo era Juan, o desbravador, ou Gardel mesmo, que Musas tem direito a ter Musos.
Fernanda Blaya Figueiró


PS: Sim, um pouco de escapísmo, que aqui no mosso concreto mundo a coisa tá feia. Querem que eu volte a bater em, Lula Jararaca, calma que eu já volto... Tá no Temer, na Dilma, no Cunha( o esquecido)...blabla blablabla... na esquerda, na direita...

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