Poema Segundo: Borges.

Poema Segundo: Borges.
Não sei quão louca pode ou que tamanho terá essa brincadeira.
Letras e números.
O Aleph é uma letra, constrói palavras, mas é medido em centímetros e tem todos os números...
Alguém me disse que tudo na natureza é geométrico e repetitivo...
Não há novos sons e todos os sons cabem no alfabeto, menos os cantos
Os cantos tem sua própria simbologia e nem todo mundo decifra...
O infinito não pode ser mensurado, poderia o conhecimento humano ser??
Ou é limitado? Não que isso seja ruim, mas qual é o limite, onde fica, quem define, quem determina? Somos programados para aprender na hora certa as coisas todas? Há um Plano no Universo? Ou tudo é Aleatório?
Eu, Beatriz Viterbo, musas das musas, senti todas as dores do mundo num só lugar, morri depois disso, e meus admiradores como seguiram em frente sem se preocupar? Sem sofrer terríveis dúvidas e permitir que a mente esquecesse das lindas e das terríveis imagens, das belas canções, de todas as equações resolvidas... Imaginem os matemáticos com todas as equações resolvidas, os sábios com todos os dilemas elucidados, os músicos com todas as melodias a seus pés, as divas e seus pintores com a beleza perfeita... Nostradamus que inveja deve ter tido destes momentos de lucidez...
E Deus!
Teriam eles visto sua face?? Ouvido sua voz?? Sentido toda a grandeza de seu infinito amor?? Teriam perguntado a ele sobre todo o sofrimento e a miséria Humana??
Amigos, sem querer desiludir-los... Sem querer romper a sua leitura e sua admiração, é mesmo muito admirável o conto de Borges, que é sim um dos grandes escritores dos últimos tempos, mas me parece que sua aventura no Aleph foi mais conduzida pelo pequeno gole de falso conhaque... Ópio? Dezenove degraus?? Aleatório?? É muito concreta sua experiência, notável mesmo, bela, instigante, mas concreta como a Terra, pesada, sólida, inteira...
“Neguei-me com suave energia, a discutir o Aleph”
Mas eu, Beatriz Viterbo, que naquele alçapão vivia a outra vida, a vida além da vida , que de lá observava vi seu terror... Borges teve medo de enlouquecer... De contar coisas que ninguém suporta ouvir. Coisas Dantescas. Todos os erros revelados a luz do meio dia, para que todos saibam, tremeu ante a punitiva mão de São Pedro e sua chave. Teve terror de perguntar se subia ou se descia, se purgava, iluminava ou penava...  Era sincero seu afeto por mim... Sei disso, sei dos alfajores, do licor, sei tudo... Reencarnei porque o fim dos tempos pode ser individual, ressuscitar pode ser um encontro com Cristo, ou com Deus em momentos diferentes para as pessoas. Talvez o Purgatório seja aqui, como muitos dizem, que entre nós estão as almas penadas.
 Se eu disser isso depois de um longo dia de trabalho, de muitas fotografias e catálogos, vão acreditar em mim?? Duvido muito e essa dúvida era a mesma de Borges, então somos ligados pela dúvida Borges e Eu,
Beatriz Viterbo,

Por Fernanda Blaya Figueiró
PS o pudim ficou feinho mas muito bom....

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