Poema Portais das Estações


Prólogo
Amigos do Facebook, sei que este não é um espaço para longos textos, mas preciso de provas, produzo provas para o futuro, pois há robôs que roubam trabalhos alheios e os copiam como se fossem seus, publicam sem vergonha na cara, ganham dinheiro e se divertem rindo dos verdadeiro autores, poetas. Então eu escrevo, publico no blog, no Facebook, porque um dia se alguém disser que eu não trabalhava, que eu não escrevia terei testemunhos nas redes, clicks e leituras silentes, ou ainda torno os leitores cúmplices. Então não neguem como Pedro que vocês sabiam que eu escrevo e que esta é minha obra, tem meu DNA, minhas digitais gastas de labutar neste teclado. Não se irritem ou se irritem é só produção de provas. Caso alguma forma de ditadura nos assombrar no futuro, então digam nada sei, nada li, nunca ouvi ou fiquei sabendo. Pequeno esclarecimento aos amigos. Ditadura nenhuma aceita a arte.


Portais das Estações
O alegre canto das aves invade o silêncio
Há muitas vozes, um elogio cantado a vida
Em cada cantinho, nos galhos e
Cumes das árvores moram as esperanças
De um amanhã cheio de luz e algumas belas sombras
Os pássaros coexistem com a urbanidade
Se adaptam as mudanças rapidamente, filtram as impurezas
Eles vão voar livremente se um dia a terra perder o Ser Humano
Se o Ser Humano deixar de existir a vida vai continuar
Cada um de nós vai voltar pássaro, peixe, réptil, mamífero ou ameba
Dia Mundial sem Carro, que coisa sem sentido
Algumas pessoas colocam todos os males do mundo sobre os ombros cansados da Humanidade. Outros atribuem toda a insensatez ao número de seres humanos como se nos tivéssemos tornado a grande praga. Logo surgem os que colocam a culpa na “Mãe”, mãe natureza e sua fúria ou nas mães, mulheres que trazes ao mundo os bebês. Põe toda a culpa em Eva, em Pandora, ou na mãe de Freud, tudo é culpa das mães do mundo. Coração de Mãe não reclama, aceita sem espanto, tudo é mesmo nossa culpa, deixamos a economia dominar o mundo e construir freneticamente carros, postos, estradas, gasolina, pneus, acessórios, para ir de lá para cá, sem sentido, só para que nossas crias se sintam importantes, pesadas, cheias de terrores, amores, dores... Um dia mundial sem carro, quanta energia ficaria parada, num dia assim? Quantas boquinhas famintas não teriam seu leite? Os puritanos querem o mundo só para si, querem poucas pessoas, nenhuma carro, pouca, luz, pouco barulho, pouca energia, pouca sujeira, são todos neuróticos. E a noite? Vão por acaso querer dormir? Quando quiserem se sentir vivos e contar suas bravatas, quem irá aplaudir? Quem irá participar de suas surdas Rave?? O Mundo segue bem rumo ao seu Destino, nada disso é pecado ou tragédia, somos muitos, mas não somos além da conta,mais de 7 Bilhões de Seres Humanos, e de pássaros?? E sementes brotando onde antes só havia asfalto? Em cem anos não restará muito desta fatia de tempo de seres, de energia. Se a Terra deixar de existir, vamos chegar ao dia do Juízo Final repletos de humanidade, cheios de indagações. Formigas? Só no meu pátio há centenas delas, será que volto uma formiga, será que terei que carregar na cabeça uma folha esmagadora muito maior do que eu? Será que meu destino é voltar lesma? Rastejar por tudo soltando um brilhante óleo? Pássaro, que o futuro me reserve asas, seria muito bom. Meus amigos gatos será que me reconhecerão?
Os portais ficaram poucos minutos abertos, mas em suas frestinhas havia um esplendor de vida abundante, um perfume de fruta madura, de semente moída, uma leve brisa sacudindo suavemente os cabelos das árvores e um brilho diferente, feito raio de luz, uma sombra na folha branca. Muita vida, muita vida mesmo e cada passo apertado, cada olhar desconfiado, cada sussurro de malícia pode ser ouvido. Quem é? O que faz, assim? Quem pensa que é? Ah, Humanidade tão ocupada e tão sem sentido... Cante ao sol nascer, chore suas mágoas, amaldiçoe sua falta de sorte e siga seu rumo, vai bem parte da Humanidade, parte anda no escuro. A culpa? É nossa, não se ocupe das culpas, você veio ao mundo por que era isso que precisava acontecer.
Ontem morreu um ser em profundo estado de sofrimento, Farah Jorge Farah, um Louco de fato,de carteirinha, viveu até o último minuto sua insanidade criminosa, matou e mutilou o cadáver de uma ex paciente... Paciência! Sei muito pouco de sua história, mas vestido de mulher tirou a própria vida cortando, com a perícia de anos, a artéria fatal... Fez bem! Em algum momento a culpa, que muitos colocam nas mulheres, por suas vidas de infelicidade foi pesada ao ponto de matar. Sofreria terrivelmente na cadeia, então tomou os últimos goles de liberdade libertando seu corpo de sua mente, fez um bom serviço a si mesmo? Eternamente condenado já estava à viver a tortura de quem torturou. A vida é uma oportunidade, não um castigo, ele foi agente de sua derrocada e de sua partida triunfal, matou a mulher que habitava seu corpo, a mulher que ocupava seus desejos e em quem devia colocar toda a culpa por sua maldade: Matou Eva, perdeu o paraíso. Uma vida infeliz acabou e pronto, sociedade satisfeita dorme mais tranquila que este é um louco perigoso morto. Fim desta tragédia, do pó veio e ao pó voltou. Ele era um médico que ficou louco, ou era um louco que nunca deveria ter sido médico? Mas, era um em mais de 7 Bilhões, então poucos loucos são assim tão perigosamente médicos, poucos médicos ficam assim perigosamente loucos. A maioria não faz  mal algum.
Os portais estavam abertos ontem, em algum lugar nasceu uma vidinha cheia de luz, porque havia muita Luz na abertura da primavera. E assim “mães” renovam os tempos... É assim mesmo desde que o mundo se fez mundo, estamos aqui e para cá retornamos. As vezes penso que essa camadinha mais externa da Terra, essa que o vento varreu, que tremeu e foi inundada ou ressecou de tanto sol, onde furamos nosso poços, onde fixamos casas, como ninhos pomposos, se esta camadinha não é como pele de cobra, na medida em que o tempo passa ela muda, acho que estamos justo agora numa destas trocas de roupa dela.
Tirando essas velhas novidades, o Mundo me parece um tanto quanto Concreto.
Fernanda Blaya Figueiró








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