Poema - Na falta de


Na falta de

Na falta de Deus –Cocaína
Na Falta de Heróis- Craque
Na falta de Educação- Ritalina
Na falta de Amor- Heroína
Na falta de Futuro- Cachaça
Na falta de Trabalho- Desespero
Torreador, Torreador
Esse grande número de jovens dispostos a matar e morrer em nome de seitas ou de gangs sempre existiu, como lidar com eles é a grande temática da sociedade. A questão toda nem chega a ser a idade em que morrem, mas a forma violenta e cruel em que vivem, as opções que tomam, os rumos que dão a suas vidas, o medo que impõe nas suas comunidades e até no país. Quem são os Heróis dessa juventude que transgride? Os Traficantes, os Terroristas. Monlight a trajetória do protagonista é comum ao mundo de hoje, forjados a ferro no mundo do crime. Não é em nada diferente do retrato que o cinema faz da máfia em vários lindos filmes. A arte imita e representa a vida, mas cria também.
Torreiam, na falta de adrenalina de encarar de frente um touro verdadeiro, entre si e contra os indefesos.
A Captura e a Morte
“Eram as cinco horas da tarde em todos os relógios!
Eram as cinco horas da tarde em sombra!”Lorca
Professora de catequese, em cidade do Interior
Capturada, torturada, enforcada
Menina fazendo exercício no pátio da escola
Encontrou uma perdida bala saída de um fuzil
Menino sentado na calçada de sua casa
Mesmo destino de bala sem alvo
Policial trabalhando mais do que deveria
Captura, identificação, morte
Bandido de facção contrária
Cava, cova, deita, morre
Morador de território marginal
Morte só para mostrar quem mata
Mandou matar até o cachorro
Frase de seriado latino sobre gangs perversas
Cinco horas da tarde ancestral, presente e futura
Cinco horas e o Mundo perde a Esperança
Tráfico de seres humanos, de drogas e mercadorias
Sempre as cinco horas da tarde
Dialogo tangencialmente com muitos poetas mortos
Alguns vivos e muitos robôs, os leitores de nosso tempo
O chicote na mão do carrasco é sempre o que açoitou
Jesus Cristo até a morte, as chicotadas todas no lombo, a tortura, a opressão
Sempre existiram, não são próprias de um tempo, de uma cor, raça ou território
A mão forte que segura o açoite e com força e determinação
Solta todo seu ódio, é a dos maus Seres Humanos
Solta com raiva no lombo do cavalo
Solta com força no lombo do irmão
Solta com prazer no lombo da mulher
Solta por ordem no lombo de Cristo
E recebe o açoite nas noite mal dormidas, na iminente morte violenta, tem o troco
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do Mundo” Álvaro Campos por Fernando Pessoa
Porque escrever todas estas sem sentido coisas, se como fala Juremir (prefiro sua prosa, mas a poesia está fluindo, deixa fluir )em sua coluna de hoje: Ninguém mais lê.
Porque morreu, depois de longa e produtiva vida Umberto Eco e o Mundo ficou sem Eco
Eco, Eco, Eco... Na falta de grandes poetas, de grandes prosadores, de pensadores e cientistas, de boas idéias, de velhos, nós que já não somos jovens precisamos continuar... Não com a genialidade deles, na nossa limitação, mas é preciso continuar a ler e a escrever, mesmo que não seja o melhor, o mais perfeito... Os velhos, meu velho, somos nós... E o Mundo precisa de velhos, de preferência sábios, mais raros ainda, e de jovens que contestem e superem estes velhos e digam: tá velharada vão tomar a sopinha das cinco, deixa com a gente que consertamos tudo . Que será do Mundo: ele navega a deriva?
Fim dessa novelinha, que começa com eu já Nasci Velha.
Fernanda Blaya Figueiró

Comments