Poema- A Fogueira das Vaidades Arde



Fogueira das Vaidades Arde

No meio do vilarejo, no meio da roda onde a tribo procura um culpado para a falta de sorte.
 Não fiquem achando que vão sepultar as dívidas sem serem sepultados.
As dívidas perdoadas após a II Guerra Mundial quitaram as barbáries de todos os lados,
O estupro das mulheres Russas pelos soldados Alemães, o estupro das mulheres Alemãs pelos soldados Russos, Americanos, e todos os outros. O holocausto matou parte da humanidade em todos os envolvidos nessa guerra e não tem quem não tenha sido envolvido.
Tudo queimado
Não podemos comparar o que aconteceu naquele nefasto tempo, com o que acontece aqui, aqui é só roubo, corrupção, aqui ainda estamos no antes, no que antecede uma coisa bem pior. Acho que, se formos sábios, vamos conseguir driblar e acomodar os ogros. Por as crianças para dormir e esperar o amanhecer. Tem sim locais, como a Rocinha mostrou, que a barbárie já corre solta e sem controle. .
No fim dessa terrível guerra, havia já  crianças nascidas de mães alemãs e pais russos, ou de mães russas e pais alemães, nascidas na falta de amor e civilidade, no ódio e na vingança. Havia uma mistura de sangues por revolta, uma dívida de todas as partes, não havia bons e maus, todos estavam exaustos e feridos profundamente em suas almas sobreviventes. O perdão custou muito caro, era preciso costurar as almas partidas, enterrar os sonhos sepultados. Só se pode perdoar as dívidas quando o “Fuhrer” for morto, se não ele teria erguido um IV Império. Agora é hora de lembrar que não tem sangue puro na humanidade, todos somos mestiços. Não tem um só território, nem na mais escondida Amazônia que seja puro sangue, sangue puro... A barbárie é nosso lado feio, que precisamos entender e superar, nós somos parte Besta parte Elevação.
Aqui só poderemos realmente retomar e talvez perdoar as dívidas  quanto a Cleptocracia estiver domada, controlada, quando  “O Clube das Empreiteiras” estiver destruído e seu integrantes presos. Aqui não temos, nem queremos ter, a pena de morte. Aqui o perdão a Anistia ampla geral e irrestrita  no fim da Ditadura Militar, foi um erro, não punimos os excessos do Estado, nem dos Terroristas, gerou cinqüenta anos após, quando tudo estava prescrito “Comissão da verdade” quando a verdade não tinha mais como ser achada foram procurá-la . Já tivemos este grande perdão e ele não foi eficiente, gerou um discurso de culpa e vitimização que levou a isso: a Cleptocracia, a corrupção desenfreada e o enfraquecimento das leis.
Agora é a hora de aprender com esse passado todo, o nacional e o universal,  e fazer as coisas direito. Perdão sim, mas com a responsabilização, com o cumprimento de penas e principalmente com mecanismos eficientes que não permitam a sua continuidade. É preciso extinguir as raízes da corrupção para que ela não esteja presente na nova safra, é preciso punir os excessos, do estado e do poder paralelo. Não podem os chefes de tráfico dominar pelo medo milhares de cidadãos brasileiros, violentar crianças, mulheres, espancar adolescentes, matar pais de famílias, impor seus códigos violentos da cadeia nas cidades, que andam pouco livres, e não serem punidos, eles serão. Assim como não pode o político ser pego com enormes quantidades de dinheiro público roubado, seja em espécie ou em contas bancárias e contábeis e continuar livre, praguejando mentiras na TV, sendo candidato a voltar a roubar. É uma estupidez isso.
Zerar sem tirar a fonte do endividamento não serve para nada, só “pedala” as dívidas e ainda contrai novas. É como “dar corda para enforcado”. Não resulta em nada.

Tudo queimado
Estala a pele sobre os músculos
Shin,shin,shin
Crepitam os ossos
Crer,crec,crec,
Esbugalham os olhos
Hum,hum,hum
Mãos amarradas
Pés amarrados
Todos os livros empilhados toscamente
A lenha dessa fogueira
Filmes e músicas, hinos entoados
Um grito de horror
Um grito de pavor e medo
Aos sobreviventes o estupro, o espancamento
A morte, muitas vezes a morte
Somos todos um.
Quem não ardeu nessa fogueira??
O que estamos construindo aqui?? O que nossa falta de Memória e conhecimento permitiu que acontecesse??
Eu queria falar nas flores, na chuva gostosa que amacia a terra e faz a vida brotar bela e abundante. Queria cantar, não sei cantar, então sei contar.
Vamos todos com muita calma e serenidade consertar estas contendas, evitar que o caldo entorne e sejamos lenha para a fogueira. Eu sou um pouco queimação de fogueira nessa vaidade toda. Mas, é o que sou, não acho certo me furtar de ser quem sou.
Você quer que respeitem sua religião, respeite a do outro
Quer construir sua sólida fortuna, pague os devidos impostos
Quer uma sociedade justa, cobre que ela aconteça
Quer expressar sua ideia, aceite a do outro
Quer viver sua sexualidade, viva para si e não ameasse a do outro
Vai dar certo, vai dar certo, tudo vai dar certo.

Fernanda Blaya Figueiró

P. S. Dorinho quer atenção... Eles estão preocupados com a gravidade do poema... Calma, é só palavra, não tem fogo nenhum.

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