Crônica Quebra-quebra na praça.

Quebra-quebra na praça.

A gauchada gosta de uma polêmica, ontem as manifestações  contra e a favor da exposição no Santander fizeram um espetáculo de falta de civilidade em plena praça. Grande parte dos gaúchos são muito conservadores, isso vem de muito longe e é difícil mudar. Vamos esperar para ver, mas acho que o Santander não vai reabrir a exposição. Esse episódio precisa ser bem discutido para que ambos os lados evoluam. Arte,  Religião, Ciência, Poder a relação entre  estas humaníssimas expressões  da alma nunca foi muito calma. A arte ou ideia  que provoca tem que estar preparada para lidar com o incômodo que causa. Vamos ver até onde isso vai ir.
Mas lembrei de algo, em 2011 a associação que administra a Casa de Cultura Mario Quintana mudou de direção e o novo diretor queria mudar um pouco a orientação dos espaços. Na época  circulou uma fofoca horrível, alguém disse que ele teria comentado  em uma reunião que não queria mais crianças e velhos circulando pela casa.Imaginem só 80% mais ou menos do público são exatamente as crianças e os idosos, foi uma coisa terrível, houve paralelo a isso o fechamento  do “Museu do Brinquedo” , uma tragédia, um pouco por questões técnicas para ser museu é uma burocracia danada, então a Biblioteca Lucília Minssen herdou o acervo e criou  um “espaço de memória do brinquedo”.  As exposições no MAC e em outros espaços mudaram de tendência, foi bom, havia muito vermelho e temáticas mais adultas, mas havia um aviso nos corredores sobre o conteúdo. Foi feito, acho que no terceiro andar, “um buraco”, como se o expectador entrasse em um  “anus”, onde haviam desenhos de cunho erótico e símbolos fálicos. Houve lógico um conflito entre parte do público mais conservador e a arte mais de vanguarda, tiveram ótimas coisas uma exposição de pássaros no lado externo do prédio lindíssima, entre outras que agora não recordo, houve uma “invasão” de jovens que jogavam RPG, um público novo,  mas os contadores de histórias, os idosos e as crianças não abandonaram o espaço até para manter, porque para ter um público adulto era preciso se livrar das crianças e velhos? Talvez isso fosse só um mal entendido, mas “mexeu no nosso queijo”. Houve algum desconforto até que tudo se acomodou e os seres conviveram sem maiores problemas. No dia dos bobos fiz uma brincadeira pela indignação de minha amiga Carmem Henke,  depois achei tolice, o poema, porque esse jovem diretor acabou falecendo repentinamente, tinha a saúde fraca. Seu trabalho rendeu mudanças e desacomodou um pouco as pessoas que faziam sempre as mesmas coisas, no fim mesmo que por um  breve tempo, ele conseguiu atingir seus objetivos: mudar um pouco o cenário da arte na CCMQ. Carmem conta histórias até hoje e é um “gavião” defendendo os brinquedos, livros e o espaço das crianças junto com a equipe da Biblioteca.Não se envolve mais com os outros espaços.
Meu poema vingativo é esse, hoje não o escreveria, porque acho que a casa precisava mesmo de uma boa mexida, assim como acho que mesmo com quebra-quebra essa polêmica do Santander vai mudar as coisas e fazer as pessoas pensarem.





O dia dos bobos!!!


Bum!Bum!Bum!...Bobo! Bobo!!
Bum!Bum!Bum!...Bobo! Bobo!!

No mundo da fantasia este é um grande dia
Bum!Bum!Bum!... Bobo Bobo!!
Bum!Bum! Bum!... Bobo Bobo!!

É o dia dos corações baterem forte de tanta alegria
Bobo é quem se acha sempre sorrindo... Todo arrumadinho
Bem penteadinho... Bobo é quem sabe brincar e dançar

É o dia de rir sem medo
De soltar a emoção e fazer brincadeira
Tomar banho de chuva, andar de pé no chão,
Comer pipoca colorida, jogar peteca e furar balão!!!

É dia de ouvir um pouco o próprio coração

Não tem expediente só sonho e
Fantasia
Muito antigamente era hoje que o ano
Começava!!! No fundo o ano gira.

Aproveite e ria com
A criança escondida ou o velhinho
Que perdeu o guarda-chuva !!!

Pobre moço que se acha!!
Cuidado com o andaime!! Cuidado com a escada!!
Cuidado com esse poema que ele logo desaba
Numa louca chuvarada!!!

É preciso ser criança
Criança ser para nesta chuva brincar?


Fernanda Blaya Figueiró

1 de abril de 2011

P. S.
Encontrei uma reportagem que fala um pouco da polêmica da época e pensando bem, o pessoal entrou muito arrogante e desfazendo de tudo o que já havia... O Poema é até bem ameno neste sentido, para inovar não precisa atacar as pessoas. O ex diretor era amadíssimo por todos... Mas, a cidade tem que relembrar para superar as contendas.

https://portoimagem.wordpress.com/2011/02/14/casa-de-cultura-mario-quintana-folego-para-sair-do-sufoco/

Comments