A perdida poética de Beatriz Viterbo

A perdida poética de Beatriz Viterbo
Aviso ao leitor: Só leia se sua carteirinha da Pinel estiver em dia e carimbada... 
Hoje as oito horas da manhã eu já havia lavado a louça, colhido laranjas ,alimentado cães e gatos, feito um pudim com as laranjas do pátio, planejado meticulosamente o almoço, a janta e tudo o mais. E eram oito horas, o dia prometia chuva, umidade, calor, frio e sol ao mesmo tempo. Uma terrível falta de vento. Pedimos um ventinho e ele moderadamente apareceu. Os sabias laranjeiras estão em festa, é época de ensinar o canto aos seus filhotes. Então a festiva alvorada é as cinco. Com muita melodia e alegria.
Pois bem, pensei como seriam os poemas de Beatriz Viterbo? Personagem que,como todos sabem, não é meu, pego emprestado de Borges. Não tenho academicismo, nem gosto de sonetos ou de métrica, muito menos de doçura em poesia, então trago Beatriz, que morreu em 1929, para os anos presentes. Em solo tupiniquim, digamos que tinha ela uma avó índia vinda do Chaco Argentino e um avô Mercenário que veio lutar nas guerras antigas e que aqui deixaram parte de sua descendência e parte de volta na Argentina, Beatriz era desse ramo o segundo... Beatriz Viterbo reencarnou em solo brasileiro, digamos que tem em torno de vinte e poucos anos, voltou para resolver pendências com Borges, Juan Garay e Carlos Argentino Daneri, além de seu grande amor: Carlos Gardel. Muitas pendências deixou essa jovem alma em vidas passadas. O Aleph não mais existe, a pobre casa da rua Garay cumpriu seu destino. 
Poema Primeiro
Minha terra é de um verde forte e abundante
Mas, minhas raízes profundas me chamam para a Banda Oriental
Não sei bem o motivo me sinto uma Correntina. 
Dizem que tenho sangue indígena e hispânico, que meus ancestrais vieram de lá
Mas parece que fui eu que lá vivi. Que lá morri... 
Sinto a profunda dor sem explicação das gentes que sofreram muito 
Lembro ou visitam-me em sonho muitas almas penadas
Penam por minha falta
Juan Garay – O desbravador?? 
Carlos Argentino Daneri – Poeta usurpador?? 
Borges – Criador ou criatura?
Carlos Gardel- Um amor perdido no tempo em meio a muitos acordes, tipo amor impossível e ideal. Gardel... Ah! O encantador Gardel. 
Não sei rimar, não sei florear, minha poética é simples e desnuda. 
Eu vi e sei que vi e sei que existe um ponto branco na folha negra, um ponto negro na folha branca. Aleph. Hoje é absolutamente proibido falar em coisas sem sentido coisas que ninguém acredita, coisas do imaginário, da criação ou diferentes do que está determinado pela Ciência. 
Estou bem, uma casa pequena, um sótão sempre fechado, uma vida inteira pela frente, modelo, sou modelo, não sei a inúmera quantidade de fotografias que já tiraram de mim ?
Beatriz Viterbo, Musa das Musas, é um trabalho muito respeitado.
Paris, NY, Buenos Aires, Londres, São Paulo, Pequim, Tóquio, São Petesburgo, Rio, Montevidéu, Dubai... Tantas lindas cidades pelas quais já passei e essa dor antiga de quem sabe muito e nada da vida consegue entender. 
“La comparsita 
Os amigos já não vem mais 
Nem se quer a me visitar
Ninguém quer me consolar 
Na minha aflição” Carlos
Quantas melodias embalam meu devaneio platino... 
As batatas estão prontas
Se vai dar certo este projeto. Não sei.
Não se ouve Tango em baixo volume seria uma tragédia,
nem sentado nos calcanhares. Tango é delírio e movimento...
Há! Sou sim leitora de Campos, como queria escrever como ele, esse poeta indisciplinado... 
Beatriz Viterbo por 
Fernanda Blaya Figueiró

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