O último ato, não sei ainda se gostei do filme.

O último ato, não sei ainda se gostei do filme.
(aviso para chatos: pode ser spoiler)
Hoje assisti ao filme “O último ato”, ando um pouco chata com filmes, mas achei lento, com alguns bons momentos parecidos de mais com outros filmes, logo repetitivo. Talvez me tenha faltado cultura, não sou  fã de Shakespeare, pode ser heresia isso, li alguns sonetos atribuídos a ele, alguns fragmentos de peças, filmes e releituras. Fiquei imaginando que foi um tipo de releitura ou a possibilidade de Al Pacino fazer um papel de rei demente, que ele faz muito bem, já que parece que gosta do estilo confuso. Uma mistura de incesto, fantasias sexuais e muita decrepitude com doença de Alzheimer fazem parecer que a velhice é um fardo, que a vida é um fardo, uma “eterna crise”,me lembrou o livro “Memórias de minhas putas tristes” de Garcia Marques. Acho que Al Pacino merecia um roteiro melhor,ter a oportunidade de dar a muitos “fãs” um personagem diferente, encontrar a beleza, a plenitude, o lado iluminado da vida e da morte. A leveza. Ficar velho não deve ser nada fácil, mas pode ser mais alegre, menos deprimente, mais suave. Gostaria de ter mais coisas belas, talvez e é verdade nossas escolhas nos levam aos mesmos filmes, poemas, dramas, músicas. Se Al Pacino fizer mais um personagem decrépito não vou assistir, mesmo que sua atuação tenha sido boa, consegue deixar a dúvida se a personagem feminina existe ou é uma projeção sua, se saiu de sua clausura ou viveu tudo em sua própria mente. Acho que o cinema precisa inovar, primeiro voltar ao princípio: início, meio, fim, essa coisa de deixar muito para o expectador meio que esgotou, segundo ritmo, não precisa ser tudo rapidíssimo e alucinado, que também cansou já, mas ter um tempo atraente e envolvente. A dor da loucura que aparece no filme é um vício, uma corrente a que a humanidade está se prendendo, não é real, é parte de um excesso de mitificação do exagero dos sentimentos, como se a “Loucura” ou “A doença” tivesse virado uma forma de religião( A religião de Freud), ou pior um mito mesmo. Há um envelhecer saudável, sábio, iluminado, há formas diferentes de viver a excentricidade que não a da decadência que a arte tanto propaga e gosta . Ou eu estou ficando chata por ver filmes de mais, ler muito, buscar muito algo "superior" enquanto é tudo só entretenimento e estou aqui respondendo a minhas duas horas de ocupação.Assisti o filme por que quis, eu podia simplesmente ter desligado, como em a Grande Beleza, andamos buscando longe o que esta ao nosso alcance.
Fernanda Blaya Figueiró

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