Liberdade em foco.
Um bebê na Inglaterra foi condenado à morte, a Justiça determinou que os pais autorizassem os médicos a desligarem os aparelhos que o mantinham vivo, havia um tratamento caríssimo e “experimental” que ele poderia tentar, mas fora de seu país, foram arrecadados fundos suficientes, então as despesas não seriam do Estado. Não sei nada das leis daquele país, nem se o tratamento seria eficaz, ou só movimentaria um grande valor em dinheiro, um negócio ou uma alternativa boa? Mas algumas questões são levantadas com um episódio assim: até que ponto somos realmente livres para escolher? Até que ponto o cidadão tem autonomia dentro de seu país? Até que ponto a medicina e a lei podem ir?
São questões muito sérias e próprias da atualidade, ser cidadão de um país nos torna parte de um todo, regido por leis e normas e com direitos e deveres a serem cumpridos. Os pais mesmo abalados aceitaram a ordem e permitiram aos médicos que deixem o menino morrer, que desliguem tudo, serão horas de muita apreensão. Horas pesadas em que nada pode ser feito, a não ser rezar para que ele encontre a paz.
Somos livres até o ponto em que algo aconteça e nos coloque diante da lei, nesse caso foi uma doença, mas poderia ter sido uma bala perdida, um carro desgovernado, uma demissão, um conflito qualquer. O Brasil está enfrentando micro guerras urbanas, há gangues e milícias muitas vezes ligadas as drogas que oprimem as comunidades e os cidadãos, muita gente pensa em ir embora, em sair daqui. Mas será que ser um brasileiro é realmente pior do que ser um inglês? Será que a liberdade e segurança que muitas pessoas procuram podem ser encontradas em outros lugares? Esse casal é livre para deixar a Inglaterra?
Muito se tem falado atualmente nas migração em massa, na volta da escravidão, com outros formatos, no tráfico de seres humanos, nas guerras e violência descontrolada que alguns países enfrentam. Acho que nosso “modelo de mundo” está em profunda transformação, a globalização aos poucos está passando, a geração de renda e emprego está dificultada em muitos países e a miséria coloca muita gente em xeque.
No modelo capitalista muitas pessoas estão sem emprego, sem oportunidade de auto sustentação, logo caem no mercado informal. No socialista, ou comunista como na China o trabalho é quase escravo, o que leva a uma produção em massa de coisas de pouco valor, mas que movimentam muito dinheiro para o Estado . O ser humano está a serviço da economia, enquanto ela deveria ser o suporte para manter a humanidade.
Capitalismo-comunismo- socialismo se tornaram a tríade do mal?Tem como superar e evoluir indo para outro entendimento? Havia realmente um tratamento que pudesse salvar a vida do menino inglês ou só um comércio perverso? A Humanidade caminha para que tipo de vida? Que tipo de liberdade ainda temos e como podemos melhorar tudo isso?
Fique em Paz Charlie Gard, vamos rezar por sua pequena alma.
Fernanda Blaya Figueiró
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