Continuando o post anterior: Alguns conceitos que talvez
tenhamos que mudar.
O que vou ser quando crescer??
Essa é uma indagação permanente nas famílias e muito
improdutiva, nós desde crianças já somos, já temos ideias sobre o mundo,
expectativas e medos. Um dos maiores problemas talvez para a juventude é ter
que se encaixar no Mercado de Trabalho, o jovem tem que corresponder as
expectativas das famílias e dos seus pares, alguns ficam aterrorizados diante
do futuro: O que vou ser quando crescer vira um peso colocado sobre os ombros.
Ter que escolher uma profissão e seguir nela ou ainda ter que responder a
constantes questões financeiras, pode ser ruim, passar a escola toda com essas
preocupações não é saudável. Nosso Sistema de Educação pode agora mudar e isso
será muito bom, permitir a primeira infância mais voltada ao brincar, jogar,
criar laços afetivos, não ter uma pré escola “adultizada”, pode colocar os
pingos nos iii, até os seis anos a criança tem que brincar, aprender a amar e
ser amada, conviver com os colegas sem competição, com arte, cultura, acessar
as histórias infantis, a pré escola poderia ser uma rede de proteção da infância
mesmo nas escolas públicas, ter acesso a pediatria, odontologia, nutrição,
educação física, ter acompanhamento afetivo social da família, mães, pais,
companheiros, avós ou quem responda pela criança, saber quem são, onde moram, como
se sustentam, ter planejamento familiar
Ensino fundamental poderia focar no ensino da língua,
matemática, ciências, histórias, informática, ou seja os fundamentos da educação, a cultura
geral. Nessa etapa muitos das escolas são violentas e isso é muito prejudicial,
o aluno não tem o ambiente ideal para o aprendizado e deveria aprender e
desenvolver sua socialização, entender hierarquia, valores morais, entender como
funciona o sistema, a função do trabalho, da Justiça, o que é certo e errado e
as conseqüências de seus atos, sem ser baseado no medo, mas ensinar a estrutura
da sociedade como algo bom e fonte de
crescimento pessoal. A escola como formadora de cidadão , também com forte
acompanhamento familiar, porque essa etapa muitas famílias já mudaram, já há
desgastes dos relacionamentos e crises. Além de que nessa faixa etária começam
alguns problemas de abusos físicos, sexuais e emocionais. Conselho Tutelar,
Tribunais da Vara e Juventude já poderiam agir preventivamente dando suporte
para a criança e o adolescente poderem se desenvolver num ambiente saudável.
Ensino médio, hora de perguntar: O que quero ser
profissionalmente. O aluno que chega nessa etapa já tem em torno de quatorze
anos é um adolescente e já pode pensar e planejar a sua vida adulta. Aqui as mudanças na Lei de
Diretrizes e Bases podem ajudar a que cada cidadão encontre o seu tipo de
trabalho, se rural ou urbano se mais abstrato ou mais corporal... O acompanhamento
da escola, da sociedade pode ser fundamental para evitar que o aluno embarque
no mundo das drogas e sirva de mula dos traficantes. Formar entre os jovens
mais guerreiros bombeiros, militares,
policiais, evitando que desviem para o crime, lideranças políticas,
profissionais nas mais variadas funções e ter cursos adequados as necessidades
do mercado de trabalho. Nem todos vão conseguir, porque temos que saber que a
criminalidade existe em todos os tempos, mas pode diminuir, dando ao jovem a
opção de ser protagonista na própria vida.
Outra coisa que precisamos repensar: gravidez na adolescência
talvez não seja um erro... Os jovens são cheios de hormônios, talvez estejam
biologicamente preparados para a paternidade e maternidade, a idéia de que é
preciso focar primeiro na profissão pode não servir para todas as pessoas.
Assim como é preciso respeitar a pessoa que não quer ser pai ou mãe, é um
direito também. Ou ser mais tarde. São opções de vida diferentes, organismos
diferentes, habilidades diferentes. Só esses jovens precisam novamente de todo
essa cadeia de eventos acontecendo, ter pré escola de qualidade, acesso a
planejamento e saúde familiar.
Talvez em poucos vinte anos toda uma nova forma de relação
se estabeleça, com mais civilidade e um Brasil mais seguro. Uma hora tem que
começar e os meios de comunicação, os institutos e instituições tem que ser
parte desse processo.
Só algumas bobagens, mas quem sabe algo de bom se tira desse
longo texto, se começamos a pensar nas coisas projetamos as mudanças.
Fernanda Blaya Figueiró
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