A morte não é fim de nada, é uma continuação.
Obs: Este será mais um longo texto sem sentido, sinta-se a
vontade de não ler se não quiser...
A nossa sociedade está ocupada em demasia com a morte, evitá-la
de qualquer forma não é tão importante assim. Sim, precisamos ter alguns
cuidados, entre eles ter o medo que mantém a atenção em guarda, mas não permitir
o que paralisa a vida. Morrer é muito fácil e ao mesmo tempo dificílimo, é uma incógnita
e por isso está sempre em nossa atenção.
Acho que estamos muito próximos de uma grande mudança, as grandes mudanças assustam muito. Esses jovens
que andam se explodindo pelo mundo ou
vivendo extremadamente em gangues violentíssimas, pensam que seus problemas
findam com suas dolorosas e inúteis mortes. Isso não é verdade, a idéia de que a
morte encerra um ciclo é muito simplória e tem a aprovação de muita gente. Somos
energia, corpo e alma, o corpo volta a terra na forma de húmus, decompondo, ou
de pó se incinerado, a alma retorna ao Universo na forma de energia, de raio de
luz. É tudo luz, mas nem por isso não existe, ou não tem continuidade, a consciência
ou alma descolada do corpo vira eterna angústia ou paz. Nós somos eternos, esse
corpo pode ser uma etapa de nossa evolução. Nascemos e tudo está definido é
assim: você tem que aprender tudo, respirar, comer, andar, ler,escrever, amar,
odiar, trabalhar, reproduzir, produzir, obedecer, desobedecer... Nossa passagem
aqui deixa marcas, transforma o mundo, depois partimos. Nossas angústias,
conhecimentos, amores, desamores, conquistas e fracassos vão conosco. Nada
disso que acabei de escrever é verdade, nem precisa ser, mas pode ser, é uma
possibilidade. Essa enorme quantidade de vidas destinadas a morte prematura por
opção própria não é algo novo, muitas vezes a história já viveu isso,
disfarçado de guerra, de outros nomes, mas não está correto. É um período de
involução, como se estivéssemos perdendo pontos, marcos de civilidade.
Aqui no Brasil pelo que percebo, sem nenhuma ciência, apenas
a pura e simples observação parece que a sociedade se tornou extremamente
permissiva, cada núcleo se fechou em seus “quadrados” e a sociedade como um
todo se perdeu sem um olhar mais amplo, ninguém consegue mais ver o todo, só os
múltiplos fragmentos. Há “o asfalto” e “a favela”, são dois universos
separados, mas eles se cruzam e no encontro há os conflitos. Há vidas
exageradamente protegidas, vivem com medo constante de que algo rompa sua rede
de proteção e há vidas totalmente vulneráveis, vivem com medo constante por que
sabem que suas redes não são de proteção.
A sociedade esta toda voltada para um só objetivo: Dinheiro.
Nossas belas construções como Política, Economia, Educação, Saúde,Família,
Religião, Cultura, Justiça, estão voltadas todas para um único objetivo:
financeiro. Uns tem um pouco mais, outros um pouco menos, alguns tem em excesso,
outros não tem nada. A globalização é um sistema financeiro e um movimento que
visam o lucro, está padronizando a Terra, e talvez isso seja o que nosso tempo
nos permite fazer, criar padrões de consumo e vida uniformizados, só que está
usando o homem para fins financeiros, deveria ser o contrário, gerar renda para
que o ser humano possa evoluir, possa viver bem. A acumulação de pessoas nas
metrópoles cria a ilusão de que todos poderão viver bem assim, não é bem
verdade, todos estão amontoados nas metrópoles
porque sem dinheiro não se vive, sem produzir algo mensurável e
mercantil a pessoa deixa de ser parte do
mecanismo. E sendo parte do mecanismo o ser não pode parar nunca porque a “riqueza”
é muito efêmera, ela dissolve, ou você continua ou morre. Quando as pessoas
percebem que nunca vão vencer, ficam sem esperança e a morte se apresenta como
solução. Esses jovens podem pensar: “Foda-se” se não há lugar para mim, morro,
e daí? Tornam suas vidas fontes de mortes. Uma mãe me contou que um jovem que
recentemente morreu disse aos seus familiares algo mais ou menos assim: “Com
tudo que eu já fiz, não tenho mais como voltar”. Tinha já passado pelo sistema
prisional e tomado parte, era de um lado, de uma facção. Livre Arbítrio, esses
jovens que no mundo andam se matando e assassinando outros, tomam decisões e
sabem exatamente o caminho que estão escolhendo, em parte porque não tem outra chance, em outra porque
são seduzidos pelas sensações do poder, o gosto do sangue e porque não
acreditam em nada. Acham que o mundo deve a eles, por sua falta de chance e
mais que a morte encerra tudo, ou como os fundamentalistas que na outra vida
serão recompensados. Uns não crêem em nada outros numa redenção futura baseada
na dor e na morte. Acho que ambos estão errados e se permitem ser manipulados
por líderes poderosos. Esses poderosos se acham intocáveis, não são, vão pagar
por seus atos. Deus e o Diabo existem, são energia, mas existem, nós precisamos
que eles existam, já que nossos sistemas de civilidade andam falhando. Nos
falta civilidade, precisamos encontrar novas formas de valorização da vida e entendimento
dos instintos básicos, suicido não é algo natural, contraria a Lei da sobrevivência;
ver um povo passando fome enquanto nossa dispensa está cheia não é saudável, os
países e as corporações, porque como estamos vendo aqui no Brasil a política e
as corporações estão misturadas e destrutivas, precisam achar um jeito de
tornar a vida acessível e boa no planeta todo, porque a riqueza de uns está atraindo
o desejo de outros. Talvez tenhamos que ter uma lei universal, sermos todos iguais
aos olhos de uma lei Terrena, ou Terrestre, porque a globalização se ocupa dos
lucros e se exime de responsabilidades dos prejuízos sociais. Cria pequenos
paraísos e legiões de infernos, essa falta de equilíbrio, que talvez tenha
sempre existido, leva a uma tensão muito grande, a uma angústia e revolta contra
tudo e todos, cria o terreno para a semente do fundamentalismo.
Querer impor um só
modelo econômico, político, sufoca os povos, somos diferentes, nem todos
queremos as mesmas coisas, mas a propaganda massiva nos faz ter os mesmos
desejos e ao mesmo tempo nos tira a possibilidade de satisfazer muitos desses
desejos, uma constante fonte de frustração e cansaço... Não viemos ao mundo
para ter fama, dinheiro, sucesso, beleza, felicidade constante, consumo constante.
Não devemos manter a coluna ereta sempre, ela precisa descansar, não precisamos
mirar estrelas sempre, querer sempre o que não está aqui. Somos primatas, as
vezes algumas pessoas ao tentar nos entender ou se entender esquece que somos
animais, animados, primitivos. Nossos organismos sociais precisam de líderes,
mas precisamos confiar neles, a confiança é a ilusão de que estamos certos, evoluindo,
sendo bons e que vamos vencer os desafios da vida.
Sonhei a algum tempo com a morte angustiante de uma pessoa
doente, muito doente, que passou muitos anos de sofrimento ( nós temos mais
percepções do que admitimos ter ou que nos permitem dizer que temos). Para mim
sonhos são contatos com outras pessoas, bem, no sonho eu estava com alguém que não identificava, a pessoa não tinha feições,
ela pulava num tanque... Um profundo tanque, a água ia puxando seu corpo para o
fundo, havia um estreitamento, levava a escuridão, não fui em sonho até Lá, mas
tentei evitar que a outra pessoa fosse sem
sucesso, em outros sonhos com resgate. A sensação era de um profundo peso, a água
pesa, sentia o gosto levemente salgado e a angústia de não poder fazer nada,
votava a superfície... A impressão ou a lição que tiro desse sonho é que a
angústia nos acompanha. Ninguém tem a certeza nem de que somos finitos, nem que
somos eternos, ninguém pode afirmar categoricamente: “A vida não é eterna” ou o
contrário, então permitir ao ser humano que tenha dúvidas, que se sinta
responsável por seus atos é algo importante, que talvez tenhamos perdido.
A Globalização tem que permitir e resgatar a tribalidade,
deixar espaço para que o ser humano se sinta integrado a sua vida, importante
no seu fazer mesmo que não seja o mais
aceito. Nem todos nós estamos no mesmo patamar de desenvolvimento ou seguimos
as mesmas idéias. Nem todos somos urbanos, ou temos as mesmas
características... Isso não faz de uma sociedade superior a outra, mas sim
diferente, de um indivíduo superior ao outro, mas com tomadas de decisões
diferentes.
Somos seres de Luz, morrer angustiadamente cobre nossa luz e
nos leva para as sombras, por longos períodos...
Fernanda Blaya Figueiró
Comments