O Gato Mafioso.
Aqui na minha rua há uma penca de gatos, são livres e transitam entre os telhados, cercas, muros e a pequena mata ciliar que sobrou ao longo de um córrego sujo, pobrezinho, mas eles tem toda uma complexidade... A rua é cheia de cães, prisioneiros de pátios que devem guardar, aqui em casa tenho sete. Imaginem as farpas, grunhidos e latidos, mas os vizinhos todos tem cães, alguns galinhas ou lagartixas,seguramente aves de diversas espécies e muitas formigas, lesmas danadas que comem quase tudo que se planta, todos sabem dos gatos. Há poucos dias uma gatinha que chamei de Simona, em homenagem a Grande Mona, uma Fila Brasileira de porte de rainha, que viveu aqui há anos atrás e que era irmã de criação dos primeiros gatos, ocorre que quando mudei para cá eles já habitavam a rua. Bessie quase os dizimou ou pelo menos reduziu em parte suas trupes e os manteve muito longe do portão. Simona apareceu com as orelhas muito machucadas, é toda pretinha, pequena, arisca e muito medrosa, devido ao fato de ter um portão que separa o pátio em dois e que durante longas horas os cães não ocupam o espaço da garagem, só os carros, e por pura necessidade aos poucos ela começou a dormir de baixo do carro, problemas só quando uma mangueira do ar quente, ressecada estourou, não porque eles gatos fogem as vezes para dentro do motor. Eles gatos, porque ela tem no mínimo dois amigos um malhadinho e um siamês, que descobri chamar Zuzu... Comecei a alimentá-los já que pareciam um pouco famintos, um pouco, não: muito... Ocorreu que as notícias voam e apareceu por aqui, sempre escondido na mata, com olhos opressores e pronto para o ataque, um enorme gato malhado branco e preto, muito bem nutrido e forte como um leão do mato... Ao colocar a comida as contendas começaram, ele saiu de seu esconderijo, armado com agilidade e patas ameaçadoras passou a bater em todos, gritaria, correria e comia tudo, o guloso... Passei a chamá-lo Mafioso e a repor a comida depois que ia embora... Ele odiou o nome, descobri que para proteger os pequenos deveria impor um limite ao Mafioso, então passei a colocar um pouco de ração na beira da calçada e para os pequenos dentro do pátio. Ele veio um dia com uma linda companhia, magrinha e com leite pingando, olhou para mim com olhinhos pedintes e entendi o drama, a ninhada aguardava a comida. Mafioso se mostrou não um bandido violento com os outros gatos, mas sim um pai zeloso que levava ração na boca para a ninhada recém nascida... Simona se não for de ninguém, que já perguntei e ninguém se apresentou como dono, já que ela é definitivamente da mata, levarei para castrar, antes que mais uma ninhada nasça sem casa certa. Mafioso me desafia e come o que quer, não tem mais batido em ninguém e disse que eu sou preconceituosa, que não entendo nada de gatos, o que é a mais pura verdade e que deveria deixar tudo como está... Não! Digo a ele que fique do outro lado da rua e respeite o limite da lei da quadra...
Fernanda Blaya Figueiró
P.S. Isso tudo queria saber o gato que vive lá na padaria, por isso que resolvi contar...
P.S. Isso tudo queria saber o gato que vive lá na padaria, por isso que resolvi contar...






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