Crônica A Vingança dos camarões

A vingança dos camarões

Ontem almocei uma farta porção de camarões ao alho e óleo e poucas horas depois fui para o aeroporto em Florianópolis e por coisas do tempo maluco dos fins de estação um temporal fechou para pousos no destino, Porto Alegre, fomos então levados a Campinas, do alto achei uma cidade linda e pareceu muito organizada, jamais pensei em ir lá, não é um ponto turístico e fomos muito bem acomodados pela companhia. Mas se para uma pessoa calma isso é normal, para um ser ansioso é quase o fim do mundo, como diz minha mãe sobre meu pai, O Vovô tem que manter o controle, acho que se aplica a mim, a fruta não cai longe do pé... Lembrei das tartaruguinhas do Projeto Tamar nadando em pequenas piscinas tendo o mar ali a poucos metros, milhas e milhas de liberdade e ao mesmo tempo o risco de não sobreviver. Não passamos risco em momento algum, foi sim angustiante ficar uma hora e pouco sem saber direito onde estávamos e ouvir o tilintar da chuva, as asas do avião tremelicando, por sorte não deu turbulência mais severa, só uns pulinhos o retorno a Porto Alegre hoje teve mais trepidação. Bem, cada pessoa no avião reagiu de uma forma, uns mais acostumados nem ligaram, só com o fato de perder algumas horas, outros ficaram irritados, uns calmos... Para mim foram horas de muita aflição, já havia vomitado no passeio de barco, algo bem comum, não tenho medo da morte, ou de sofrimento, sim a sensação de clausura, estar rodeado pela  água ou o ar e não o amado elemento terra é muito confinador. É uma sensação não natural, porque é uma situação não natural, o rapaz, a quem nem perguntei o nome, que estava ao meu lado deve ter percebido nitidamente que eu estava “lenta” e ao meu terceiro pedido me alcançou um copo com água... Com todas estas descargas químicas o camarão,o alho e o óleo puderam se vingar de seu trágico fim, torcendo-se de rir no interior desta Moby não Dick, um continho que esbocei a tarde e que me pareceu muito indigno da grande personagem da literatura universal... Mas logo passou, então agora fico entre escrever ou deletar meu continho??
Para ser fidedigna, que muito modificamos nossas primeiras tentativas de escritas vou fotografar a historinha... Que já estava a pobre condenada retornou do amassamento...
Um dia se der digito que não estou com vontade agora...
Fernanda Blaya Figueiró




















não sai em ordem não numerei as folhas... depois digito...

Comments