A Espada Cansada
Há uma vaga
Uma cadeira vazia, uma toga no armário
...
Há homens que não
honraram seus Juramentos
Foram levianos em suas ações
...
Que pese sobre eles a Espada de Têmis
Cansada de colo, de leniência de guinchos
...
Ao assumir seu posto lembre que esses
Que bebem os melhores vinhos pagaram tirando o pão da boca
do pobre
...
Seus risos tirânicos, conchavos, pixulecos sujaram as nascentes
dos rios
Desviando a verba do saneamento das cidades, dos povoados,
das favelas para suas taças
...
Cada tijolo superfaturado, cada gota de petróleo roubado
Faltou na escola não construída, a ponte nunca terminada, a
estrada destruída
...
Cada contrato corrompido deu ao bandido a bala que mata
A mãe, a criança, o jovem, o pai, o vô, a polícia
...
Que a espada caia forte e firme rasgando a impunidade
Sangrando a corrupção e devolvendo a sociedade o que lhe é
de direito
...
Essa pizza enorme azedou, foi mais triste que o abatumar do
bolo de Delfin
Sonhos vendidos de prosperidade, roídos por ratos sujos dos
esgotos não construídos
...
Brasil, Brasil
Veste a farda, a toga, a camisa e busque a Justiça
...
Feche os olhos, ouça cada caso de descaso
Cada morte violenta, cada posto sem remédio, cada família
sem teto
...
Quem se corrompeu sabia exatamente o que fazia
Agora é hora de acertar os ponteiros e sair de cena
...
Um novo Brasil vai ter que nascer
Estamos muito cansados do descaso
Fernanda Blaya Figueiró
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