Minha Terra Tem Palmeiras

Minha Terra Tem Palmeiras

Nunca li muito da poética doce de Gonçalvez Dias, não sei porque
Não sei, são lindos versos, cheios de amor, não sei porque
Talvez porque fosse obrigatório.
Não gosto que me obrigue a nada, nem eu me obrigo
Cumpro as obrigações, quase religiosamente, mas não penso nelas
Foi um lindo poeta,  um poema forte essa canção, esse exílio,
é bom, mas não li
Tem Palmeiras na Minha Terra,tem o canto do sabiá
Pouco, esse ano, que a matilha foi impiedosa com os filhotes
Perdi o ouvido ou se foram as sinfonias de fim de tarde
Um pouco porque estamos sem Luz
Luz na alma
Os pássaros continuam cantando, mas os ouvidos de nossa alma estão fechados
As Palmeiras compridas ainda estão aqui são reduzidas a ornamentos
Que triste!
Nós poetas nos tornamos inúteis, deslocados como uma Palmeira no meio de uma avenida
Um obstáculo para a cidade acelerada.
O cinema rouba os poetas sem vergonha nenhuma
Rouba a última palavra, a melodia perfeita, a imagem criada do néctar da poesia
A culpa é nossa que não entendemos os mercadores
170 anos depois Minha Terra tem Palmeiras
Sangra esse meu Brasil,  violência urbana, esse novo nome da guerra
A corrupção corroeu tanto as coisas que assusta, não é só aqui
É em tudo, em toda parte, algo muito grandioso vai aparecer
A Humanidade quando sente que precisa sacode a poeira
Os povos lutaram muito para tentar algo diferente, não funcionou?
Ou é assim mesmo que o Bicho Homem evolui...
Algo muito belo está por vir, e os ouvidos de nossa alma vão reconhecer

Ouça no silêncio a leve cantiga trazida pelo  vento
Muita gente vai ainda morrer nessa pequena guerra
Do forte ao insignificante
Ville de Boulogne, naufragou  salvaram-se todos menos  o  poeta
Morreu no mar, esquecido, agonizando em seu leito
Morre-se muito no mar por aqui
Muito, muito
Do outro lado da vida há uma longa jornada e a esta terra ele certamente voltou
Temos sangue mestiço agora, todos nós temos
“Não permita Deus que eu morra sem que volte para lá”
Quantas vezes já esteve aqui? Não sei.
Morreu no mar, na costa brasileira
Havia palmeiras dançando e sabias cantando certamente

Um dia
O Belo vai brotar novamente, não um novo messias, uma nova fantasia
Será forte o suficiente para mudar tudo
Tudo o que era errado, tudo o que era certo
Tudo! Tudo!
Um banho de luz vai atingir a todos os que souberem reconhecer
O poeta voltou, seu derradeiro olhar foram estas águas conhecidas
Está certo, tudo está certo!! Até pequenas guerras...
Um dia minha alma pequena entende seus versos e leio...
Seus cantos... Um dia...

Fernanda Blaya Figueiró 

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