“Loucura” x “Maldade”
O impacto dos massacres de
Manaus e de Boa Vista causa ainda uma sensação ruim na sociedade brasileira, só se
fala nisso, como se fosse algo novo, não é, a violência e degradação das
instituições é antiga, conhecida e difícil de solucionar.
O Jovem Bruno, ex integrante do governo, prestou um desserviço a Juventude, ao governo e ao que ele chamou de "Coxinha",com declarações controversas. Eu sou "coxinha" e não concordo com ele, não acho que "chacina" resolva algo, só aprofunda a crise que o país está. Mas, ele é um Jovem Ser Humano, pode errar, já pediu desculpas e fez bem em sair do governo. Precisa amadurecer muito.
O Jovem Bruno, ex integrante do governo, prestou um desserviço a Juventude, ao governo e ao que ele chamou de "Coxinha",com declarações controversas. Eu sou "coxinha" e não concordo com ele, não acho que "chacina" resolva algo, só aprofunda a crise que o país está. Mas, ele é um Jovem Ser Humano, pode errar, já pediu desculpas e fez bem em sair do governo. Precisa amadurecer muito.
Violência gera
mais violência, a facção atingida com certeza vai se vingar, então a mortandade
vai longe, precisarão de dinheiro, logo farão assaltos a caixas eletrônicos, joalherias, casas, bancos,
carros, e não será só lá longe em Manaus, será onde conseguirem, onde tiverem
tentáculos e parece ser no país inteiro.
Brincar com uma coisa séria não ajuda, agora ele é livre para
pensar e expressar suas ideias, que encontram muitos adeptos em todos os
segmentos sociais, partidos e ideologias, mas que para mim é um erro. A
violência vai diminuir a hora que a sociedade como um todo voltar a funcionar
bem, combater a miserabilidade, a corrupção e a falta de civilidade.
Quando a notícia circulou a primeira expressão que
veio a minha mente foi: “Que loucura!”. Essa parece ser uma coisa feita por
loucos... Não, foi por gente má, que de louco não tem nada. Loucura a frase do
jovem... “deveria ter uma chacina por semana”... Loucura não, só
irresponsabilidade, falácia, falta de cuidado diante de um microfone. Ele tem
direito a falar o que pensa, muitos jornalistas lançam ideias parecidas como “ladrão
bom é ladrão morto”... Entre outras...
Muitas vezes pensamos que esses presidiários são
loucos, pessoas que tem debilidades mentais, o que não corresponde a verdade em
muitos casos. A “loucura” serve em alguns casos só para maquiar a “maldade”, assisto a vários programas que tentam definir o perfil psicológico do mal feitor, normalmente buscando a “culpa”
na família ou em falhas da educação, essa tendência acho que é um pouco de
modismo, ou uma busca para entender como acontece algo tão brutal, (a morte por
arma branca de 56 pessoas confinadas, com requintes de crueldade, mutilação e decapitação) isso assusta e não queremos pensar que essa barbárie é
feita por pessoas “normais”, mas é.
Quando alguém explode em raiva as pessoas em seu
entorno logo pensam que isso é loucura, um desajuste, uma anomalia, é desumano, essa
pessoa tem síndromes, lesão na cabeça. Não, nem sempre, as vezes é só a
manifestação mais autêntica de humanidade. É mais fácil achar que é um
distúrbio, em alguns casos até é, ou que é por ação de drogas, de álcool, de
fármacos, em alguns casos pode ser, mas a generalização atrapalha, tira da
pessoa a responsabilidade por suas ações, que tem reações.
O que aconteceu nos recentes massacres não foi
loucura, foi a reação a uma pressão muito grande e o choque entre pessoas que
se odeiam. É fácil dizer: “Eu Odeio tal coisa!” como a frase leviana do jovem “Tinha
é que matar mais...” ou “Ninguém pensa nas meninas que eles mataram...”(referindo-se
aos mortos) Ou como alguns “pensadores” ‘Eu odeio a Classe Média!”. Eu por exemplo vivia dizendo
“Eu odeio telemarketing!” Mas parei, porque inúmeras pessoas no mundo vivem
dessa atividade e não faz bem odiar. O ódio corrói as relações e vai formando
uma ou outra das nossas duas palavrinhas: Maldade ou Loucura.Porque nenhum de
nós está livre de um dia topar com uma delas, de ser tomado por sua opressora
força. É errado pensar que o mal ou o louco é o outro, ele pode ser a gente, em
algum momento. E não há “glamour’ nisso, estamos aqui experimentando a vida,
observando,agindo e interagindo. Esse episódio horrendo foi uma pequena batalha
numa guerra em pleno andamento, pelo controle econômico sobre uma ou muitas
atividades altamente lucrativas, ilícitas e fonte de muito poder.
Os homens que morreram eram capazes de matar, eram
ligados a grupos de pessoas que estão em todos os lugares, alguns muito maus
outros muito loucos, santo não tem. É algo que a sociedade vem tentando
entender e não tem conseguido, muito falamos em “falta de educação” ou da “família”
como se fosse uma pílula mágica que consertaria tudo, não é verdade. A educação
formal ou familiar ajudaria muito, bem como dar mais opções de auto sustentação
a população. Agora a riqueza atrai e nosso mundo está distorcido, basta ver a
enorme quantidade de pessoas envolvidas na corrupção, muitas delas hoje recolhidas
aos presídios. Loucura ou maldade desviar Trilhões de Reais dos cofres
públicos?
Varias vezes já abordei e alguns leitores não
gostaram, que acho que estão inventando rótulos em excesso e a ‘normalidade”
está virando uma raridade, isso pode não ser construtivo, porque cria nas
pessoas o medo de “ser louco”, esse estigma que
a sociedade usa muitas vezes para o que é diferente. Para quem não é
obediente, para quem diz acreditar em “Deus”, para quem é tímido ou quem é
extrovertido, para quem é sensual ou assexualizado. Da mesma forma a maldade é normal em nós até um ponto, depois disso vira um problema social, na hora
em que a violência atinge o outro ela perde o controle e para isso existe o
sistema penal, para regrar a ação humana, para controlar a besta em nós.
Ninguém está livre de uma hora estar lá, no meio de
um presídio, com uma arma na mão ou com uma arma apontada para si, por algo
justo ou por algo injusto.
Os tempos estão cabeludos e a hora é de ter calma,
gostaria de saber porque entrevistaram o jovem Bruno? Qual foi a pergunta que
levou ele a usar essa expressão? Recentemente o ex presidente do Inter se envolveu
numa futrica danada também por declarações desastrosas, acho que tudo bem o
rapaz foi infantil, mas a imprensa tem que também fazer uma reflexão, qual sua
parte “nesse latifúndio”... Vamos
simplificar o Brasil para ele fluir melhor, sim temos uma enorme população
infratora, isso precisa mudar, então vamos mudar. Temos uma parcela da população
“marginal” vamos atuar para que entre nos trilhos. A violência pode diminuir,
acabar não vai nunca, porque é em parte natural.
Policie seu ódio para que ele não vire nem loucura, nem
maldade, experimente a vida com os sentidos e a mente mais abertas.
Fernanda Blaya Figueiró
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