Reencarnação II
Parte
Acordei na madrugada
com a sensação que faltava a toda essa história uma pequena parte,
ou porque alguém na rua está acordado e falava alto, algo que
nunca acontece essa hora, nessa rua. Bem a palavra Ouro na crônica
anterior pode ter despertado alguma cobiça e atrair a má sorte, mas podem achar que o objeto que eu penhorava ainda está
comigo. Não! Dei de bom coração ao bom amigo Penai, que na época
tinha uma angústia realmente profunda, dei a ele a bela e poderosa
Medalha de São Jorge que era minha desde os quinze anos, um hábito
de famílias antigas, era muito, muito iluminada e quitou qualquer
dívida de outra encarnação que eu tivesse com o Universo, dei a Penai a Capa, o Escudo e a Espada de São Jorge, que
valiam mil vezes mais o seu peso em ouro, de apenas algumas gramas.
Bem “não há almoço de graça” diz o clichê ou jargão, Penai
me deu em troca seu medalhão de proteção, era muito belo e de
latão,nele havia dois Dragões sobre uma Roda da Vida, um objeto cheio de energia, que o protegia há mais de vinte anos, olhem
como são as coisas no mundo místico, um dia o medalha de São
Jorge, ele me contou, foi furtada, logo em seguida fui a uma escola
contar histórias e levei o Medalhão de Proteção do Dragão,
contava um belíssimo conto “O Rouxinol e o Imperador da China",
cheio de magia e mistérios, num momento do dia um menino de alma
pura, sem querer partiu o medalhão, deixou cair no chão.
Inicialmente achei que era um sinal ruim, mas eis que no mundo fora
do mundo a espada de São Jorge pode ter libertado o Dragão, que
ambos são amigos de longa data. A criação literária tem dessas
coisas, há alguns dias que penso em contar um conto e meu conto deve
ser esta pequena história que queria ser contada. Guardo o Medalhão,
mesmo partido e imagino que no céu estas figuras livres São Jorge,
sua Espada, Capa e Escudo e os dois Dragões na alquimia do mundo devem
ter travado uma batalha ou ainda uma dança cósmica. Porque livres somos
todos para acreditar ou não que os objetos tem toda essa magia e as
histórias acontecem o tempo todo. Silenciou a rua... não quis
perder tão belo conto, aproveitei a madrugada, nós escritores escrevemos o tempo todo...
Fernanda Blaya Figueiró
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