“Matei, mataria de novo! O vagabundo pegou “minha” mulher!”

“Matei, mataria de novo! O vagabundo pegou “minha” mulher!”
Essa frase foi dita por um homem brasileiro que invadiu o aeroporto com comparsas e matou a sangue frio. Ele hoje chega ao presídio, quantos dias ficará detido? Esse homem se fosse em outro país não sairia mais da cadeia, aqui se ele se comportar, sai no indulto de Natal, vai passar em casa, talvez com tornozeleira, para segurança da sociedade. Matei e mataria de novo... Sua propriedade “a mulher” vai ficar solta, se é que está viva, logo ele ao sair da cadeia vai querer acertar os ponteiros com outro que tenha pego seu “brinquedinho”... O Brasil tem que se reestruturar em tudo, legislação, educação, civilidade, sistemas de punição, porque estamos num ciclo vicioso. Escândalos e fraudes pulam de todos os lados, isso significa que há leis de mais, direitos e deveres confusos que levaram a isso, um estado altamente policiado mas ineficiente. A burocracia se tornou um nó, há dinheiro mal utilizado e o gestor público que for usar bem as verbas tranca no intrincado sistema legal, vimos isso no processo de Impeachment de Dilma, ela foi retirada do poder mas não teve os direitos políticos cassados, um debate infrutífero sobre a aplicação da Constituição Federal deixou o brasileiro leigo perplexo. Esse homem que é réu confesso que tentou intimidar os repórteres com cara de mau dentro da viatura, porque é mau, pode sair a qualquer hora da cadeia, pode de dentro da cadeia ordenar mortes, assaltos, pode manipular por telefone seus comparsas, porque há falhas no sistema. Não há vagas para todos que deveriam estar na cadeia e não há como por em prática todos os direitos que a CF determina. Direito a saúde, é fundamental a vida, mas obrigar o Estado a pagar tratamentos altamente caros e de eficácia duvidosa pode levar o SUS a UTI financeira, educação é um importante direito mas editar livros e depois vê-los no lixo ou amontoados nos corredores das escolas não leva a um ensino melhor, só mais caro. Hoje o jornal noticiou que “verbas para combate ao mosquito da dengue” não foram usadas... Se usar sem licitação o prefeito ou governador responde processo, se houver superfaturamento também, se não usar também. Isso tudo significa que a Burocracia que deveria organizar o Estado está na verdade atravancando. Então esse emaranhado pode resultar que esse preso de ontem seja solto hoje. Os policiais passam dizendo prendemos num dia e no outro bandidos perigosos já estão soltos. É proibido o comércio ilegal de ambulantes em calçadas e ruas, mas são tantos cidadãos vivendo dessa forma que é impossível combater, neste caso é preciso mudar algo, mudar a lei. Estamos quase vivendo em “cidades medievais”. A violência urbana foi levando as pessoas a erguerem muros, cercarem suas casas, colocarem cães bravos, vigias,guaritas e identificação para acesso a condomínios, bairros, shoppings, tudo é altamente monitorado, policiado, vigiado, porém cada dia mais ineficiente. São investidas fortunas com “segurança particular”, segregação entre as pessoas, os que podem e os que não podem estar em determinados lugares, consumir tais bens. Essa separação torna o ir e vir muito perigoso, porque é onde os mundos se chocam e um cansativo estado de apreensão permanente. O Terrorismo faz o mesmo em outros países, essa é a atual realidade. Só que brincar, ser espontâneo, danças, sorrir estão ficando esquecidos, com essa pressão toda a rua deixa de ser um espaço de convivência para ser campo de batalha, entre quem vigia e quem é vigiado, entre os que podem e os que não podem determinada coisa. Esse homem preso não tinha o direito de tirar a vida de outro por ter pego “sua mulher”, porque matar é contra a lei e ela é um ser vivo livre, que pode não querer mais conviver com esse monstro. Ele na verdade não tem ela, só pensa que tem, não tem direito sobre a vida do outro, sobre decidir se o outro pode ou não continuar vivo, mas pensa que tem. O Estado está neste momento com a tutela da vida deste e de muitos outros cidadãos violentos e perigosos, o que vai fazer? Dar o Indulto de Natal? Ele não é um louco é uma pessoa má que não aceita as regras sociais, vive fora da lei, a margem da educação, da civilidade, se voltar a rua vai fazer o que acha que pode.
Fernanda Blaya Figueiró

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