As sombras e as luzes da nossa mente...
Um ser só consegue se sentir livre quando descobre o que lhe aprisiona, a limitação da liberdade acontece dentro da mente. Vivemos um mundo neurótico, possessivo e limitante, mas nada disso pode retirar a liberdade de um ser. A modernidade fixou as dúvidas existenciais e reduziu a síndromes e transtornos, viver é um transtorno. A liberdade está nos nossos olhos, ao nosso alcance de cada um, é interna e nada pode limitá-la, só a própria pessoa. O que limita seu ser? Nada. Atualmente absolutamente nada limita um ser de ser quem quiser ser, nem cadeia, nem drogas, nem negações ou imposições. Deus? Pode existir ou não, pobreza e morte podem te alcançar a qualquer instante, dor e sofrimentos terríveis podem te tentar com o a Jó, somos todos Jó, sendo testados não mais por Deus, mas por outras pessoas, por censuradores públicos de tudo. Os pecados capitais hoje são vigiados e reverenciados mais do que quando foram criados:
Soberba: altivez, sentimento de superioridade, hoje é uma falha social gravíssima, digna de prisão, o ser egocêntrico, egoísta, vil, assusta os medíocres com sua opulência, sua vaidade desmedida. Será?
Avareza: apego excessivo ao dinheiro, que coisa odiável e detestável esse ser que não paga, que não consome tudo o que pode, essa pessoa que tem, não deve, mas não deixa fluir é o fim da picada, o odiável muquirana, que ofende a sociedade de consumo.
Luxúria: o intenso desejo do corpo, o desejo de ser intensamente livre para andar como quiser e sentir o que quiser, terrível falha, punível com a fofoca e o desprezo, seres considerados de segunda linha, ligados ao mundo dos sentidos, feios, horrendos como medusa.
Inveja: desejo profundo de ser e ter o que é do outro, hoje transformado na vontade de ser Deus, de saber de tudo, de controlar tudo e todos. Jogado sobre as pessoas em clichês, mensagens, propagandas... o tempo todo, você tem necessidade de ter o que é do outro a qualquer preço.
Gula: consumir excessivamente comida ou bebida, odiável isso, sua gula gera a fome do outro. Duvido um pouco disso...
Ira: rancor generalizado, algo odiável, uma total falta de educação, de noção... Odiar é patologia?
Preguiça: demora ou lentidão para fazer as coisas, e como o mundo vai lucrar se o ser não encarar a jornada fatigante da sociedade, se não correr, correr e correr?
Heresia: interpretar de forma diferente uma doutrina, isso é uma falha de caráter terrível, dizer que Deus existe, mas que sua fé é diferente da dominante, ou ainda que ele não existe, mas que há sinais de que algo mais existe.Dizer que a esquerda errou,isso é uma heresia horrenda da atualidade.
Mentira: hábito de mentir, isso é uma tragédia para a atualidade, a verdade é um imperativo forte, ligada a obrigação de confessar, de contar seu passo a passo minuciosamente, cansativamente, para que?
A liberdade está em não se deixar aprisionar por esses mecanismos de controle nem pelo excesso, nem pela falta, viver estas “falhas humanas” em equilíbrio, saber que sim nós erramos e acertamos como seres humanos e não como falsos ídolos. E daí se você errou? Você é um ser humano, não uma deidade, você está sujeito a leis humanas e da natureza humana, se errar pagará.
A mente cansada e que anda nas sombras é o conhecimento humano que precisa arejar, sorrir, brincar no sol e se recriar, estamos há muito tempo parados, num patamar assustador e limitado, não há limites, o conhecimento vai mudar, vai se iluminar, a sociedade já está mudando e esse sombra que assusta a de não ter certeza de que novidade vai acontecer é linda. É lindo não saber, não poder dizer segundo fulano de tal, em tal página e com o aval de ciclano e beltrano a verdade é isso. Não. Não é. A verdade está se formando, está em ebulição e nós não podemos conter isso, não devemos conter, prever, usar para oprimir, dar medo. Liberte-se seu futuro é sim incerto, não está garantido, nada está garantido, isso é assustadoramente humano. Há o que temer, sim. Mas, é possível manter a ordem, as linhas, os limites, para manter a mente e a sociedade funcionando. Sempre é assim depois do Dilúvio vem a calmaria e o arco íris, tudo se remova. Nesse novo patamar alguns não irão subir, ficarão presos ao mundo como era, e o mundo como era deixa de existir, então ficarão presos a algo que não existe mais, mas mesmo assim podem ser felizes, a infelicidade é produzida pela tentativa de controlar tudo, de saber de tudo, mais do que o outro. Controlar o envelhecimento, a morte, negar a vida, a beleza de acordar e perceber que o mundo está brilhante, há pássaros cantado, estamos vivos e livres para mais um dia de indagações... Não sei se servirá para algo esse longo discurso, se será útil, inútil, verdadeiro, falso, sábio ou obtuso, não importa. Pouco importa, porque a minha liberdade é infinita no momento.
A mente cansada e que anda nas sombras é o conhecimento humano que precisa arejar, sorrir, brincar no sol e se recriar, estamos há muito tempo parados, num patamar assustador e limitado, não há limites, o conhecimento vai mudar, vai se iluminar, a sociedade já está mudando e esse sombra que assusta a de não ter certeza de que novidade vai acontecer é linda. É lindo não saber, não poder dizer segundo fulano de tal, em tal página e com o aval de ciclano e beltrano a verdade é isso. Não. Não é. A verdade está se formando, está em ebulição e nós não podemos conter isso, não devemos conter, prever, usar para oprimir, dar medo. Liberte-se seu futuro é sim incerto, não está garantido, nada está garantido, isso é assustadoramente humano. Há o que temer, sim. Mas, é possível manter a ordem, as linhas, os limites, para manter a mente e a sociedade funcionando. Sempre é assim depois do Dilúvio vem a calmaria e o arco íris, tudo se remova. Nesse novo patamar alguns não irão subir, ficarão presos ao mundo como era, e o mundo como era deixa de existir, então ficarão presos a algo que não existe mais, mas mesmo assim podem ser felizes, a infelicidade é produzida pela tentativa de controlar tudo, de saber de tudo, mais do que o outro. Controlar o envelhecimento, a morte, negar a vida, a beleza de acordar e perceber que o mundo está brilhante, há pássaros cantado, estamos vivos e livres para mais um dia de indagações... Não sei se servirá para algo esse longo discurso, se será útil, inútil, verdadeiro, falso, sábio ou obtuso, não importa. Pouco importa, porque a minha liberdade é infinita no momento.
Fernanda Blaya Figueiró
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