A sombra
e as luzes da nossa mente, continuando a prosa anterior, para quem
não cansou ainda.
O que
está limitando a humanidade? Ou nós, seres humanos? Nada. Nada nos
limita e ao mesmo tempo tudo o que sabemos sobre o passado nos mantém
presos a velhos conceitos e verdades incontestáveis. A nossa
sociedade não vai bem e as pessoas estão agarradas a ela,
conceitos ou palavras como democracia, esquerda, direita, contratos,
promessas, paternidade, maternidade,viabilidade, sustentabilidade,
sexualidade, liberdade,nacionalidade, propriedade, direitos, deveres,
certo e errado. Estamos muito agarrados ao mundo como o conhecemos e
com dificuldade de pensar de forma diferente. Tenho, eu por exemplo,
brigado comigo mesma para trabalhar a palavra em formas antigas, que
não são mais compatíveis com o que faço hoje, contos, e mesmo
poemas, para mim, atualmente se ausentaram, não significa que não
vá mais escrever isso, mas parece sem sentido, é libertadora essa
mudança, mas ao mesmo tempo angustiante e isso é absolutamente a
mesma coisa que ver partir um barco, estando a bordo ou não. Essa
mistura de fantástico e real é uma nova percepção?
Sei lá. Escrevo sobre coisas que ninguém quer ler e dai?
Poderia
dizer que minha escrita regrediu, mas não sei se regrediu ou se
evoluiu, o quanto somos conscientes ao escrever? E um médico quando
corta a pele de um paciente, está totalmente ligado a esse ato ou
sua mente pensa no jantar? Por exemplo, não gosto de José Dirceu,
acho que errou muito, roubou muito, mas assisti um vídeo em que ele
suplica ao Juiz Sérgio Moro que o coloque em liberdade, com muita
humanidade ele fala diretamente ao Juiz, como se nunca em momento
algum dos longos anos que esteve orbitando o poder ele imaginasse, ou
calculasse que esse dia chegaria, que estaria desesperado, privado de
liberdade e segundo suas palavras, sua família estaria sem dinheiro.
É um homem inteligente, sabia o que fazia, era responsável por cada
ato, tanto que está respondendo a eles, não é um alucinado, um
doidivanas, mas parece que se achava um tipo de semideus. É um homem
que pareceu profundamente prisioneiro e impotente, se redimensiona-se
todas essas coisas poderia suportar melhor sua clausura? Merece, sem
sombra de dúvidas estar preso, porque seus atos levaram dor e
sofrimento para milhares de trabalhadores desempregados, a acionistas
que podem ter perdido rios de dinheiro, a militantes que acreditaram
num “conto de fadas”... Não escrito por mim, Graças a Deus,
comprei um pouco dessa história no início e depois fui desgostando
do enredo. Tive pena dele, que tragédia! A pior coisa que se pode
sentir por outra pessoa é pena. Mas, voltando ao que eu gostaria de
ter escrito e que não fui muito competente, a pergunta seria o que
fazemos com a nossa falta de limites atuais? Estamos conscientes e
aproveitando a liberdade, a tecnologia, a bonança? Estamos prontos
para uma tempestade? Será que existe como se aprontar para uma
verdadeira e profunda mudança? Não penso em uma invasão de
alienígenas, ou uma revelação, porque pode já haver mundos que
para nós são imperceptíveis, como era para José Dirceu uma cela,
ele nunca devia ter imaginado o que seria ser confinado a uma cela,
penso eu, devido ao apelo em sua voz. O homem arrogante e prepotente
que foi preso fazendo gestos fascistas, com o braço desafiadoramente
erguido em posição ofensiva, não é o mesmo que aturdido fala ao
Juiz.Esse é um exemplo de um Brasil que precisa mudar de patamar de
conhecimento. Essas pessoas, odiadas por nós, por mim,
estão “comendo o pão que o diabo amaçou”. Ainda bem, era hora
de dar um basta nisso, por um freio, um limite na ação nefasta
dessas pessoas. Agora é preciso urgente construir uma nova forma de relação
entre público e privado e estamos limitados, amarrados a conceitos
antigos, o que vamos fazer? Como mudar? Eles nunca imaginaram que
iriam responder por seus atos, que iriam ser descobertos, levou muito
tempo para que a sociedade resolvesse olhar para eles, olhar para o
que faziam e investigar seus erros, merecem ser punidos, mas se
nada mudar na fórmula que levou a toda essa roubalheira, só vão mudar os ocupantes dos lugares, um novo
empreiteiro, um novo político, um novo funcionário cometerão os
mesmos e velhos delitos?
Por
exemplo, olhando hoje para o que foi chamado de Primavera Árabe,
podemos dizer que foi algo bom? Ou foi o início de uma onda de
coisas ruins? Outra coisa: armas, o mundo de hoje é inconcebível
sem elas, elas estabelecem limites para a ação do outro, estão
cada dia mais potentes e ameaçadoras,não saberíamos viver sem
elas, mas estão nas mãos erradas, estão gerando miséria e dor. Drogas também, vivemos mais porque temos a disposição um
arsenal de medicamentos e drogas licitas e ilícitas, muitas pessoas não aguentariam o ritmo da vida sem um cigarro, um comprimido qualquer... Ainda nos perguntamos qual o sentido da vida ou só estamos vivendo e
pronto? Sempre foi assim ou não? Algumas pessoas nos dizem qual o
sentido, aceitamos e tudo certo. As vezes me parece muito improvável
que tudo isso exista, essas contendas, a complexidade do Planeta para
que só nós tenhamos o privilégio ou não de estar aqui, podemos
estar em celas e não termos consciência disso, o que nos prende, o
que nos liberta? Qual guerra deve ser travada? Em princípio nenhuma,
mas se não entramos em alguns litígios, se não defendemos alguns
princípios quem nos tornamos?
Estou
escrevendo só por escrever, gostei e não gostei desse e do outro
texto, mas meu ego não permite que destrua, antigamente os escritores eram mais seletivos acho, esse apego e ao mesmo tempo futilidade é
prejudicial a qualidade da escrita, é um excesso, como uma roupa de
carnaval, tem muito brilho, serve para carnaval, mas não para o dia a
dia, nem para o carnaval que vem serve...
Fernanda
Blaya Figueiró
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