Tudo no lugar certo
O dia quente, claro e limpo
mostra a fuligem da poluição
a fumaça da corrupção
Estamos livres nos movendo nas tramas de
Belas imagens
Somos o produto do que mesmo??
Uma profusão de palavras desordenadas
Ilusões, geometrias, cores, pulsações
somos negativos revelados a nossa revelia
Ser até transcender
Súplicas de trabalhadores enraivecidos
saltam das ruas movimentadas da cidade
Descuidaram tanto dos jovens que
muitos morreram prematuramente
Estariam faltando anjos e demônios nos estoques
dos coletores de almas?
O sentido perdido da vida não cabe mais a nós
Só aos que estão nascendo e crescendo
Nós já sabemos?
Não sei! Talvez!
Mas já vivemos o suficiente para perceber que é
tudo um fluxo de energia
Sensação, palavras,ação, negação...
Há uma enorme quantidade de portinhas abrindo e
portinhas fechando.
Só permanecem os que são do ramo, os que conhecem bem
E quanto a nós, seres meio sem sentido??
A nós cabem as palavras, ordená-las
contar para que façam sentido
que teçam os sonhos
A nós cabe dar brilho nos sapatos da vida
corte e forma nos trajes das tragédias...
Somos as vibrantes cores, as circunferências e as portinhas, as linhas
Somos tão supérfluos como os meio fios das calçadas
Só que sem eles as ruas se desfiam
Sem contornos as retas se perdem
as curvas não se encontram
As gentes se acostumaram ao torto
ao poluído, ao desfeito
Nossa paredes estão no osso e achamos isso belo
Porque é belo.
As portinhas assustadas do comércio, as fachadas corroídas são
a atual beleza
Quem ama métrica e rima
jamais vai aceitar que aqui
nesse emaranhado difuso mora
um poema.
Escondi as vigas desta poesia,
mas elas ainda estão aqui.
Fernanda Blaya Figueiró
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