Os passos da Tocha Olímpica: Bem Vinda a Porto Alegre!!
Hoje a Tocha Olímpica
chega a Porto Alegre depois de percorrer muitos lugares lindos, por
onde ela passou foi bem recebida, foi festejada e vai mostrar para o
mundo uma parte do Brasil, a maior parte, que funciona bem: cidades
limpas, povo amistoso e feliz. Se fosse feito um “mapa fotográfico”
das localidades por onde ela passou a imagem do país no exterior
seria outra. Deve também ter passado por lugares sujos,
empobrecidos, parte que também é Brasil, assim como deve ter
passado por lugares de muito luxo e avançados em tecnologia, espelho
da nossa desigualdade.
O Brasil passa por uma
crise, principalmente política e financeira, que levou a uma
desestruturação social, gerando muita violência, mas a maior
parte da população, dos serviços e das instituições está
funcionando bem, de forma não corrompida. A imprensa privilegia
noticiar o errado, o torto, a violência porque dá mais audiência,
então parece que tudo está um caos, o que não é verdade, há caos
e há ordem. Ontem ouvi uma autoridade falando sobre a violência ,
acho que no Jornal do Almoço, ele dizia que a culpa maior da atual
crise de segurança são as drogas e que se deveria combater as
campanhas de liberação das mesmas, os policiais vivem o dia-a-dia
da violência então atribuem sua “escalada” a drogadição e não
estão errados, só que é um tema muito complexo, porque as vezes um
pequeno infrator vai para o sistema prisional e vira refém do crime.
Acho que as drogas são parte do problema, a miséria, a falta de
educação, de oportunidade e de esperança, a corrupção jogam na
“marginalidade” tanto quanto as “drogas em si”, quem leva a
que? A miséria e falta de futuro leva drogadição ou ela leva a
violência e marginalidade? Acho que as duas coisas andam juntas,
algumas pessoas se viciam e entram para o crime outros não tem
outra forma de viver que não seja o crime e o dinheiro sujo das
drogas e do roubo. Os ídolos de muitos jovens são os “chefes do
tráfico”, são pessoa que nas comunidades viram bandidos-heróis,
tem acesso a bens de consumo, armas, drogas, ostentação, então
atraem para si a admiração de quem não tem “lugar na sociedade”.
Além, é lógico, de que há uma parcela da Humanidade que age fora
da lei, basta ver a quantidade de “bem educados” que saqueou o
Brasil com falcatruas e corrupção, os de colarinho branco e PhD em
alguma coisa, esses são tão ruins para o todo quanto os “chefões
das drogas”, roubam o futuro, a esperança e o lugar dos jovens e
vivem em conchavos uns com os outros, poder oficial e poder paralelo,
um usa a energia do outro e acoberta os “erros e desvios”.
A Tocha Olímpica é um
símbolo da superação que o Ser Humano busca através do esporte,
da união entre os povos e da competição saudável. A notícia de
que Messe pode ser preso por sonegação de impostos é um soco na
boca do estômago de um Mundo que está desorientado, ele é um
Herói, um dos poucos Ídolos da atualidade e pode cair na cadeia por
desvio de verbas. Será que essa forma de tributação está correta
ainda? Será que atende as necessidades da sociedade? Pergunto isso
porque precisamos modernizar algumas relações, não acho certo o
jogador ter desviado verbas, é errado, os impostos tem a função de
distribuir a riqueza em benefícios de todos com o uso em geração
de renda, emprego, infra-estrutura, na saúde financeira das cidades
e países,mas destruir um herói é um grande problema também,
porque não estão sobrando heróis, eles estão quase em extinção.
As Fortunas e as Misérias precisam ser repensadas.
Tenho defendido que se
mude a forma de agir e pensar no caso das drogas, legalizando sua
comercialização e retirando dos traficantes o monopólio deste
produto, que mesmo proibido ou por ser proibido é consumido em larga
escala, respeito quem pensa diferente e gostaria de ver uma mudança,
uma superação. O Brasil está num período de transformação, em
busca de algo melhor, vai ser um longo caminho, a Tocha é testemunha
da diversidade, da desigualdade e da beleza de nossa Nação,
espero que “As Olimpíadas do Rio” sejam um sucesso e que nossas
limitações sejam superadas um dia.
Fernanda Blaya Fígueiró
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