Mercado Negro: um
grande problema.
Assisti alguns
episódios de um documentário chamado “Mercado Negro”, sobre o
comércio ilegal no mundo, armas, bebidas, drogas, peças e veículos,
produtos piratas, algo que eu pensava que estava fora de controle no
Brasil, mas que parece estar fora de controle no mundo inteiro e
presente em todas as sociedades, talvez não tão forte como aqui.
Ontem o episódio era sobre roubo de carros, sobre sua
comercialização nos EUA e me pareceu muito igual ao que acontece
aqui, em determinado ponto um dos “entrevistados” diz que as
“gangues” tem diversos “especialistas”, uns roubam carros
outros são cafetões, ele não disse mas deve ter quem venda drogas
e muamba, aqui também, só que aqui tudo parece entrar na conta das
drogas. Muitos dos crimes como roubo a bancos, a carros fortes,
pedestres e casas, entra como se fosse atividade das gangues de venda
de drogas, então a impressão que fica é que se legalizar a droga o
crime vai diminuir. A maconha acho que já deveria ter sido
legalizada no mundo todo, só assim terminaria a mortandade que gera,
mas as outras drogas deveriam ser combatidas ou talvez esse “Comércio
do Mercado Negro” devesse ser de alguma forma legalizado, não sei
como, já que os logistas e empresários legais estão sendo
penalizados com a cobrança de pesados impostos e esse comércio todo
tira força da sociedade. Aqui no Brasil este dinheiro sujo contamina
também funcionários corruptos e políticos coniventes com as atividades econômicas ilegais, jogos de azar,comércio de
ambulantes, tráfico de drogas,roubo e contrabando. Quem compra os produtos é também responsável pela
violência, comprar uma peça para substituir no seu carro por 50%
do preço gera o assalto a um outro carro, que uma hora pode ser o seu.
Puxar um “fuminho” como se fosse uma brincadeira gera a morte na
boca de fumo, comprar produtos nas calçadas por uma pechincha
fomenta o tráfico de seres humanos e tudo isso acontece
principalmente com pessoas em “situação de risco ou
vulnerabilidade social” a maioria dessa população é negra,
indígena ou mestiça, atualmente pode ser também de origem
muçulmana. Com a crise financeira do Brasil muitas pessoas acabam
empurradas para o trabalho informal então todo esse “jogo” é
parte de um grande problema que não é local, está conectado ao
mundo de gangues e máfias, atinge principalmente a população pobre
e precisa ser coibido. Como o Sistema permitiu que o roubo e a
ilegalidade chegasse a patamares tão assustadores? Quantas pessoas
no mundo vivem de atividade econômica ilegal? Isso tem solução?
Esse mundo obscuro de uma certa forma leva ao racismo também, porque
coloca a população de baixa renda e de pele negra ou parda como “suspeita”
ou seja muito dos problemas que vemos de crescimento da violência
racial e do preconceito étnico e de gênero está intimamente ligado
ao comércio ilegal e o mundo das gangues e terrorismo. Sábado
aconteceu algo terrível aqui dois jovens na faixa dos vinte anos
morreram na explosão mal feita a caixas eletrônicos de um banco e
nas pessoas, inclusive em mim, ficou a sensação de que foi bom,
menos dois bandidos no mundo. Isso porque a população cansou da
violência, de viver com medo. No documentário de ontem um dos
rapazes disse que se houver “encomenda” por um determinado
produto eles vão atrás e “pegam” se tiverem que matar, matam.
Disse que as vezes escolhem um carro só para fazer um “serviço de
execução”,então se esse marginal se explodir por acaso a
sociedade não se importa. Imagino que estes explosivos que foram
usados no banco caíram nas mãos de jovens incompetentes para o
serviço, porque a polícia andou prendendo uma das maiores gangues
de roubo do Estado, então a gangue deve ter perdido o seu
“especialista” e precisa de dinheiro para resgatar “chefes”
do sistema prisional, como aconteceu lá no Rio de Janeiro
recentemente. Esse documentário me causou tristeza pela escalada da
violência e perplexidade por perceber que está em todas as partes.
A polícia está combatendo a marginalidade o tempo inteiro e em
alguns momentos erra, usa força bruta contra inocentes, porque a
pessoa “abordada” pode estar armada, pode reagir violentamente,
pode ter drogas ou ter comparsas, em fim a violência urbana é uma
nova forma de guerra que não tem front, acontece nas ruas e casas,
no meio da comunidade. E há entre os policiais aqueles que são
corruptos, bandidos. Pense nisso ao ser abordado pela polícia ou por bandidos alguém
com suas características pode ter cometido um delito ou você
pode estar na mira de bandidos, que podem ter uma “encomenda”
para seu celular, seu carro, suas jóias, não reaja entregue, podemos a qualquer tempo ficar na mira de um assaltante, um
estelionatário, um maníaco ou louco qualquer. Quanto mais inclusão
o sistema conseguir gerar, com emprego, programas sociais que levem a
emancipação financeira e não a dependência, menos espaço terá
para o “Mercado Negro” ou seja irá para esse “sub mundo” uma
parte menor de pessoas e o “controle do estado” será mais
eficaz, terminar não vai nunca, é parte da natureza humana, mas
diminuir pode. É a vida, é bonita e é bonita.
Fernanda Blaya Figueiró
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