Herança maldita: cafonice no seu noticiário de todos os dias.

Herança maldita: cafonice no seu noticiário de todos os dias.
Odeio esta expressão, acho cafona, inadequada, só falta ser dita por alguém com camisa de gola larga, paleto azul claro, calça boca de sino ou alguém que mantém o mesmo corte de cabelo há quarenta anos, ainda usa aquele sobretudo que herdou da avó e o vestidinho xadrez de lã que não termina nunca. Uma vez, faz tempo, aqui em Viamão o PT ficou no governo por 4 mandatos, 16 anos, neste período acabou com o teatro, entre outras coisas e tentou acabar com a Biblioteca Pública Érico Veríssimo, que tinha um acervo enorme, um local privilegiado e tinha um público próprio, o povo brigou por ela e conseguiu manter aberta. Bom quando o novo governo assumiu fui um dia até lá e o caos estava estabelecido, uma moça não lembro seu nome disse indignada: “Este trambolho é uma Herança Maldita deixada pelo governo anterior”. “Me caiu os butiás dos bolsos!” , como diz o gaúcho, algo que o governo anterior queria fechar, enfiou dentro da secretaria de Educação, escondeu da população e o novo governo chama de "herança maldita" uma conquista da sociedade. Acabou claro espantando a freguesia e a biblioteca virou uma sala de reuniões de burocratas que muitas vezes vão para a educação só para ter uma profissão, um salário, e não necessariamente por gostar de alunos, do ensino, de sala de aula, de estudar. “Todo dia minha aldeia me parece invisível”Saint Exupery. O novo governo podia olhar para a frente e modernizar as expressões, as ideias, foi muito difícil tirar o PT do poder, e ainda não é certo que esse governo vai continuar, mas precisa de ar, de oxigênio, de um bom corte de cabelo, uma renovação no visual, não repita coisas batidas,velhas, ultrapassadas. Chega de choradeira, o Déficit de quase 200 Bilhões significa que o PT errou feio, além da corrupção toda, geriu mal as verbas públicas, não deu bola para a crise, aprofundou a crise, foi um desastre. Temer não herdou nada, era parte do governo, ele era Vice Presidente do Brasil, o Congresso viu isso e compactuou. “Para libertar o Homem é preciso fazê-lo reinar sobre si mesmo” Saint Exupery, então o que o PT fez foi aprisionar a população ao negar a ela essa capacidade de resolver, de agir sobre sua vida, porque tornou tudo inacessível. Seremos todos iguais em miséria se continuar assim. Vamos oxigenar esse governo novo, não com a falsa malandragem e modernidade dos governos petistas, mas com a compreensão de como o mundo está funcionando. Dívida, déficit, buraco, caos, roubalheira, ineficiência essa tem uma explicação? Tem problemas de Câmbio? Tem lançamentos duvidosos de Títulos do Tesouro? Quem ganhou? Porque quando alguém perde muito, no caso o Brasil, de forma tão “suspeita e mal explicada” na outra ponta alguém forrou os bolsos de dinheiro, só que esse dinheiro gera miséria e desigualdade. Quem ganhou com o Déficit??
Sua aldeia nesse momento está nebulosa, foi atacada no ar por uma velha guerra disfarçada de Deus. Estranha coincidência que há pouco falávamos em Deus, no Homem, na Herança Humana, na necessidade de parâmetros para se ter de fato liberdade, igualdade e fraternidade. O Homem hoje não tem mais a consciência de que existe, de que precisa amar, o homem na minha e na sua aldeia parece que só anda, sem sentido. E eis que esse pode ser o sentido. Os intelectuais continuam um prato para depois, somos, sou mesmo dentro dos limites da minha atuação e formação, urubus. Recolhemos os pedaços de carne putrefacta, os vermes e limpamos tudo, damos sentido a algo que não tem. Somos iguais, fora do tempo, fora da moda, fora do banquete. Lembrei de Neruda, banquete de dinossauros acho, tenho na despensa. Entre França e Egito, talvez entre Paris e Cairo, muitas pessoas, Homens, morreram sem saber. Imagino o deserto agora, foi no mar, mas isso não importa, o sol batendo nas dunas douradas e estes teus compatriotas se juntando a ti. Saint!! Como vai? E a guerra, perguntarás, acabou?... Não, amigo, há agora um capitão girando o leme, há balas e bombas, há crianças amarradas a bombas, não exitem "crianças bomba", existe infanticídio. Deus? Morreu por nós, nada, nada temos no momento para viver ou para morrer... Acho que estamos entre, talvez a Idade Média e o Iluminismo, alguns de nós, outros estão pós, pós a atual coisa que um Urubu vai nominar, que seja dos bons. Nós estamos andando, marchando e nossa casa está lustrada. O conhecimento, a herança está como batata quente pulando de mão em mão e ninguém sabe se bendita, se maldita... Não vais acreditar: tem crianças vindo ao Mundo, a esse mundo? Depende de nós limpar o front... Hoje eu não tinha nada para fazer, então fui buscar bons amigos e não há quem melhor para conversar que os escritores, sejam grandes ou pequenos, de que tempo forem, de que língua, de que gênero. Conversei também com o jovem Baudelaire, que mesmo de um tempo mais antigo era muito mais jovem que Saint, do Vinho e do Haxixe, 1861. Dei pouco tempo de prosa, os jovens são impetuosos, difíceis, mas é um primor, para entender os dias de hoje. O fome ele diz, foi a fome que o levou ao ópio. Sete anos e a morte vei buscar seus pais, não sei se é verdade, que os escritores gostam de divagar. Não sei que guerra era essa talvez Napoleão? Não sei... Outra hora volto ao assunto, muito assunto para um meio dia. Fechem repartições inúteis, não escolas e bibliotecas. Economize na luz, na conta de telefone, nos blogs sujos, na propaganda falsa, nos contratos corrompidos, nos funcionários falsos, nas construções suspeitas. As boas iniciativas, as corretas “toca ficha” que o dinheiro não gosta de ficar parado, ele se encolhe e fica triste, gosta de movimento. Melhor e abençoada herança será voltar a viver, a sonhar e ver o brilho do sol entrando na janela. Não perca os próximos capítulos de:“Herança Maldita”...
Fernanda Blaya Figueiró
Ps. O verso de Neruda não é sobre dinossauro é sobre Centauros. "Eu sou tardo de problemas: Chego tarde no anfiteatro onde se espera a chegada de uma sopa de centauros!" Neruda, é lindo esse poema. A umidade está destruindo meus livros, que coisa, cheira a mofo.

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