Feliz Aniversário,
Charles
Perrault!!
Dedico este poema a todas as crianças que sofrem com a Guerra do Oriente. Um dia ela termina.
Dedico este poema a todas as crianças que sofrem com a Guerra do Oriente. Um dia ela termina.
Nunca,
mas nunca conheci Mamãe Gansa.
Nem
sei nada, mas nada sobre ela.
Nunca,
mas nunca estive na Floresta Encantada ou
Conheci
os castelos
As
hortas e pradarias do velho continente.
Mas
há aqui bem perto
Exuberantes
matas tropicais.
De
1628 até 2015
Tudo
mas tudo mesmo mudou e
Nada
mas nada mesmo mudou.
A
humanidade ainda precisa
Da
mágica
Dos
contos de Fada
Liberdade!!
O
Mundo precisa cuidar dela
Com
todo o carinho e respeito
Anda
ela com olhos arregalados,
Com
medo da própria sombra
Os
Lobos (a maldade) andam
Rondando
as Chapeuzinhos ( a bondade)
Os
caminhos andam tortuosos
Mas
é preciso seguir em frente
Sempre
em frente
Que
a casa da vovó
ainda
fica no fim da estrada seja ela
Longa,
seja ela curta
Ainda
há um caçador e
Ainda
há bolinhos em cestas
Há
uma bela adormecida e um
Príncipe
valente
Há
longos trigais e galinhas poedeiras
Caminhos
desertos e mares revoltos
É
preciso ainda cuidar dos infantes
Cuidar
da mágica e acreditar em fadas.
Mamãe
gansa
Contou-me
uma bela história
Aconteceu
no ano em que Paris se ergueu
Contra
o retrocesso
Que
de tempos em tempos a
Humanidade
teima
Mas
teima muito em andar para trás
Dois
pequenos irmãos de castanhos olhos amendoados
Cruzaram
o oceano numa pequena barcarola
Sozinhos!!
Enfrentaram
o vento forte, as ondas violentas
A
fome saciada com um pequeno pãozinho,
Sem
açúcar, sem fermento
Com
gergelim, com manteiga de leite de cabra, com pura farinha
A
Geléia de damasco
Guardaram
com muito carinho
Sabem
porque?
Era
para a vovó que os esperava no Velho Continente
Tão
Velho quanto o de onde eles partiram
Papai,
Mamãe?
Se
despediram deles na praia ainda
Confiantes
que a barcarola fosse forte e
O
vento soprasse para o ocidente
Mamãe
usava uma linda túnica azul turquesa os olhos marejados
Papai
usava sandálias de outros tempos
Havia
no mar um lobo
Guloso
com bigodes pontudos e
Adorador
de pãezinhos, ninhos e damascos
O
doce aroma da cestinha
Para
um velho lobo do mar era um atrativo e tanto
Os
pequenos
Esqueci
algo muito importante
O
menino se chamava Aylan e a menina Hudea
Mas
podia ser José, Maria, Pedrinho, Aninha, Miguel, Larissa...
Aylan
vestia calças curtas de menino e
Hudea
uma capa vermelha com gorro e tudo
O
lobo era velho mas não era mal
Chegou
perto da barcarola e com voz meiga e disfarçada indagou:
“Por
esses mares não há muitas crianças, para onde vocês estão
indo??”
“Para
a casa da vovó!”- responderam prontamente, o lobo falava estranho.
“
Mas
a casa da vovó fica logo após aquela ilha” - disse ele apontando
um banco de areia. “Se vocês forem por aqui – indicou um
estreito – chegarão mais rápido e podem colher algumas flores na
praia.
“
Os
dois irmãos se olharam e confiaram no lobo.
Oh,
não!! Sem saber o estreito era um perigo o Lobo mergulhou fundo e
antes que a barcarola rebentasse na praia foi rapidinho para casa
da vovó. Vestiu sua camisola e se cobriu.
Cantarolando
e trazendo fresquinhas flores eles chegam sãos e salvos. Salvos,
salvos mas não tanto.
“Vovó
porque a senhora tem esses olhos tão grandes” - perguntaram
Para
enxergar meu Hi-FI melhor meus netinhos... Que saudade que a vovó
está
“Vovó
por que sua voz está tão forte?”
A
vovó usa um amplificador modulado, minhas crianças. Mas, cheguem
mais perto, mais perto
“Vovó
a senhora cheira a peixe?”
É
minha mais nova colônia de fragrância do mar
“
Vovó
e esses dentes tão grandes???
Nessa
hora meus amigos aconteceu o que ninguém previa a pele do lobo
começou a secar
Ele
estava muito tempo longe do mar
“É
para comer melhor esses pãezinhos!! “ O lobo abriu a enorme
bocarra e os dois irmãos saíram correndo. É o lobo, É o lobo!!!
Correram
e correram e logo ali, ou por intervenção de Alá! Havia um Drone
caçador de pilantras!!! Assim que mirou no lobo e que este percebeu
a luz vermelha em sua direção ele pulou no mar e desapareceu.
Não
sobrou na cesta um só pãozinho, uma lambidinha de geléia de
damasco, nem mesmo um único ninho enfeitado pelas mãos de fada da
mamãe.
A
vovó? A Vovó havia, há anos se mudado para o continente novo. Novo
só na palavra porque era tão velho quanto o resto da Terra.
Sozinhos,
sem casa e pãozinho eles precisavam continuar, mas para onde?
Um
fado e uma fada prestaram muita atenção a Mamãe gansa e sua
história e com sua mágica varinha digital adivinhem só o que
encontraram: uma Vovó sem netos, um Papai e uma Mamãe sem filhinhos
e com a ajuda do vento não é que todos eles se encontraram.
Farinha, sal, água e fogo em todo lugar tem. Quem goste de pão
também... Nossa história pode terminar assim assando um pão
novinho. Com eles veio um coração alegre, um sorriso maroto e uma
cesta de bondade.
O
caçador só precisa continuar atento que veio muito velho lobo do
mar junto e
Com
eles veio muita maldade e uma cesta de perversidade.
É
assim agora, muito, muito diferente do tempo dos Contos de Fada?? Ou
seria exatamente a mesma história??
Fernanda
Blaya Figueiró
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