Morte do Livre
Arbítrio, estou me repetindo.
Copiei uma frase minha
do facebook, onde comentava um artigo sobre a geração atual. O
problema da diferença entre a escrita criativa ( não posso chamar
tudo que escrevo de literatura, tem um pouco dela o resto é mais
exercício) é que não segue um protocolo. É livre, desordenada e
as ideias elas vão e vem. Então ao sentar e tentar produzir algo a
mente busca tal assunto. A frase é essa “A
morte do "livre arbítrio" parte do atual pensamento
dominante da "cientizaçaõ" de tudo, no caso do
comportamento a "Psicologização", é parte dos atuais
problemas.” Que frase de efeito!! Buenas acho a ideia de livre
arbítrio fantástica, pois ela coloca o ser humano como agente da
sua fortuna ou miséria, ou por intervenção divina, o acaso o
destino, o fado, ou por conscientização que seria a via mais
socialista, a vida como um ato de tomada de consciência . O que deu
errado? Hoje interagindo com um post que nem sei se é verdadeiro,
falo nisso no texto anterior, me deparei mais uma vez com a metáfora
do eterno retorno. Se tudo vai repetir eternamente na mesma
seqüência, no mesmo momento eu poeirinha da poeirinha nada posso
fazer. Minha ação no mundo já foi determinada e nada do que faço
fará a menor diferença. A leveza estaria em aceitar o peso do fado.
Se minha ação no mundo determina o mundo o peso é insuportável.
Porque precisamos de sentenças e metáforas? Para nos proteger da
crueldade, do supremo mal que existe e sempre existiu. Numa reportagem
sobre um menino que faleceu vítima de bala perdida em Porto Alegre,
uma cidadã brasileira desesperada pede: que alguém um secretário
um ministro alguém faça Justiça, entre lágrimas diz se precisar
chamar os militares, chamem (referindo-se provavelmente a Guarda
Nacional). Essa senhora quer voltar a ter paz. Nossa comunidade vive
uma guerra entre milicianos traficantes que armados até os dentes
lutam por território e mercado no mundo das drogas. É como se
algumas comunidades brasileiras fossem de tempos em tempos tomadas,
deixassem de ser território nacional para se tornar pontos de
tráfico, território marginal. A Polícia Civil e a Brigada Militar
tem trabalhado exaustivamente, mas não estão conseguindo manter o
controle da cidade, talvez essa senhora tenha razão em seu pedido de
um reforço na segurança. Estaria o menino predestinado a morrer na
calçada enquanto a avó buscava um pastel na feira? Isso tinha que
acontecer? A mancha no chão da calçada, o portão sempre existiram?
A ampulheta virou para ele? Se pensarmos assim nada pode mudar, nada
nunca vai mudar. A culpa do ser que atirou contra o menino é de seus
pais ou porque o mimaram muito, ou por que deixaram que faltasse algo
essencial a sua vida, em sua primeira infância? Ele ao portar a arma
sabia que se tornaria um assassino? Que força agiu nele para que se
tornasse um criminoso? O que a mãe entende por Justiça? O menino
não volta mais. Ou volta? Essa metáfora de que construímos coisas
para destruir é verdadeira? Esse movimento faz o mundo girar
economicamente? Não tem como pensar em algo melhor? Tomar
consciência da minha existência me torna superior ao outro a ponto
de usar a sua vida e morte para fins de edificar um projeto político.
Os fins justificam os meios? Não. Não acredito, não precisa
existir um Deus para que eu consiga amar ao próximo. O que é amar e
respeitar, quais são os limites para a minha ação no mundo. Em que
ponto eu passo da liberdade para a irresponsabilidade. O que vai
acontecer com nossa sociedade se não pararmos um pouco para pensar.
Em
quantos momentos atualmente você já se pegou pensando “a solução
para tal problema é uma bala no meio da testa dos bandidos?" Sejam
eles armados ou de colarinho branco e caneta na mão. Livre arbítrio,
tomada de consciências, limites e contornos para a liberdade, se há
ou não uma possibilidade real de transformação são conceitos que
precisamos entender, divergir, convergir até que mudem. Ser ou não
ser? Eu tenho ou não liberdade para decidir sobre o meu fim, minha
jornada? Quem é este ser não eu que tira o sossego do povo? Levar a
vida como se tudo o que vai acontecer é o que tem que acontecer,
algo que a maioria das religiões prega, é muito mais tranqüilo,
mais fácil. E se eu estive todos estes anos a beira de uma porta
aberta, com um guardião e quando ela se fechasse eu descobrisse que sempre
esteve aberta para mim? Bastava que eu tivesse tido a ousadia de
passar. Todos os meus limites, minhas preocupações teriam me
impedido de conhecer. De acessar a mais profunda beleza da alma humana, a sua plenitude de desenvolvimento. Teria perdido de beber o
néctar do conhecimento. Cordeiro ou lobo? Talvez o mundo esteja
colhendo os frutos de seu plantio. A humanidade está caminhando para
reviver coisas que já superou e que não precisava mais lidar e isso talvez esteja certo. Talvez tenha que ser assim para que este milênio
cumpra com suas descobertas e reinvente o nosso conhecimento. Estava
tudo muito estático, muito monótono.
Fernanda
Blaya Figueiró
Texto de Kafka se alguém se interessou, vou reler faz anos que não leio. http://www.esquerda.net/media/Diante_da_lei.pdf
o texto inicial era esse " Uma frase de efeito, só. A vida é complicada, sempre foi, cada geração tem seus próprios desafios. Acho que um pouco do que esta senhora aborda é resultado de um excesso de "psicologismo", onde tudo tem que ter uma patologia escondida. Aqui no RS uma menina de 15 anos esfaqueou outra de 14, por ciúmes. Os pais já tinham procurado o Juizado de Menores para pedir ajuda, ela era incontrolável, já havia esfaqueado outra menina, agredido a própria mãe. Os pais deram uma entrevista pedindo desculpas a sociedade e a família da vítima, ou seja não eram pais complacentes, que concordavam com a falta de controle da filha. Agora provavelmente será diagnosticada como Border Line, Bipolar, psicopata... E a culpa? Da mãe e do pai que não fizeram isso, ou aquilo ou que fizeram isso, aquilo e mais um pouco.
Será que não se trata simplesmente de maldade. Ou de propaganda"Meninas Boas vão para o Céu, as más vão onde quiserem" KKKK Então: seja uma menina má! Você pode é seu direito. Tome o "Bofe" que você quiser mesmo que ele não te queira... Os meninos também tome o tênis do Playboizinho, passe a mão na garota de saia curta, "é o que ela quer". Beijinho no ombro, porrada e você toma para si o que quiser. Terminam na cadeia, no necrotério ou nas ruas. A culpa é claro dos pais ou por que mimaram ou por que foram rígidos demais. Um artigo como este vende uma ideia de que toda uma geração só tem "bundinhas". Simplista. A vida é muito complicada para toda uma geração ser "rotulada" assim. Todos nós merecemos a vida, a felicidade, a fortuna, como chegar lá é um longo aprendizado. Essa geração não inventou a "crise financeira", nem a "violência urbana desenfreada", as famílias sempre protegeram seus filhos, sempre sonharam. Porque sonhar com uma vida melhor é parte da evolução humana. Ninguém da a vida para um ser e deseja que ele sofra, mas o sofrimento é parte da vida. Mérito, demérito, ser mãe e pai tá virando quase um crime antecipado, pode ter certeza que você vai errar. Você é um ser humano, lembre-se disso. Você ri nas horas erradas, chora quando devia ser forte. Você é responsável só até um ponto. A morte do "livre arbítrio" parte do atual pensamento dominante da "cientizaçaõ" de tudo, no caso do comportamento a "Psicologização", é parte dos atuais problemas. Essa menina, de quinze anos, em algum momento decidiu: " Vou furar essa "piriguete" que quer meu "homem", vai ser na "porrada" e bejinho no ombro." Quinze anos já tinha atacado uma outra menina e nada aconteceu, sabia que se atacasse acabaria ferindo e matando, acabaria "puxando" FASE, isso a tornaria uma "Kill Bill". Será que foram os pais que, sozinhos, criaram essa ideia nela de que poderia tudo e conseguiria assim a felicidade? Pesquise quantos jovens matam e morrem? É culpa dos pais levar e buscar nas festas, na escola? Fazer "viagens protegidas" então o certo seria largar os filhos mundo a fora sem dinheiro e sem passaporte? E os pais da menina que morreu se tivessem proibido ela de ir a festa? Seriam bons ou maus pais?" sobre um artigo "Meu filho, você não merece nada" de Eliane Brum. em revista Época.
Chato ficar se repetindo, num texto imaginem eternidade a fora.
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