A
proposta de criação de um Imposto Global Solidário.
Ontem ouvi que há um movimento, que eu não conhecia, para a criação
de um imposto mundial solidário. Pesquisando sobre o assunto
percebi que a ideia não é nova, já foi pensada, já foi rejeitada.
Penso que tem um “erro” crucial que é a “imposição”. Você ao
pagar uma passagem aérea ou consumir algum tipo de bem como
combustível teria agregado ao valor uma taxa obrigatória. O mundo
está em recessão as pessoas não querem mais impostos, porque os
atuais já pesam no bolso. Agora ter uma taxa solidária espontânea
pode funcionar muito melhor, regulamentada com limites claros com um
percentual máximo e mínimo. Usar a propaganda para convencer as
pessoas que podem doar “um quilo de alimento” ou “uma caixa de
remédios” pode ser mais simpático e eficaz, só que esse “fundo
para combate a fome, a doença e a miséria” teria que ser muito
“transparente”. Os custos de operação teriam que ser os mínimos, sem taxas bancárias, os bancos poderiam oferecer o serviço como
sua contribuição espontânea. As empresas poderiam até usar esta
“ação” como parte de seu retorno a sociedade, uma devolução
da boa vontade da sociedade para com a empresa na forma de doações
para o fundo. Quem administraria? Como garantir que a verba vá de
fato para a solidariedade e não se perca em corrupção, pagamento
de altos salários para poucos “CEOs”, que é o que muitas ONGs
acabam se tornando. Um Fundo Global para acabar com a miséria
Global. Como garantir que o alimento que você doa chegue as mãos de
quem precisa e não se perca no meio do caminho pela corrupção?
Como estabelecer regras que sejam universais e ao mesmo tempo
respeitem a diversidade e a soberania das Nações? Aos poucos as
ideias do Milênio estão evoluindo, mas a tendência de serem
distorcidas é grande, então há a necessidade de um pensamento novo
e de uma nova dialética, um verdadeiro diálogo mas que não seja
engessador. Porque as ideologias tem a tendência a se fecharem em
suas “verdades” e a demorarem muito para evoluir, ficam
estáticas. As questões étnicas, raciais,territoriais,
escravagistas estão nos assombrando. A liberdade não é também um
conceito absoluto e imutável, ela precisa evoluir, para que
permaneça. O que significa, na atual sociedade, ser livre? Essa
sociedade com a qual estamos acostumados ainda é viável?
Fernanda Blaya Figueiró
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