2015 se aproxima do fim

Foi um longo e complicado ano: o Mundo está em Guerra, mais ou menos como em 1914, cem anos nos separam do início da I Guerra Mundial e estamos diante da I Guerra da Globalização. As forças e a má energia da guerra estão entre nós. O Brasil vive sua própria batalha contra a corrupção e o tráfico de drogas que assolam a vida e assombram as comunidades. O mundo globalizado combate o terrorismo, a corrupção e o tráfico de drogas. Nestes tempos difíceis tudo entra em cheque-mate, o que a Humanidade quer? Como não consegue manter a paz por longos períodos? Quantas crianças estão marcadas pela violência neste período em que estamos aqui? O corpo morto do menino na Turquia caiu num rápido esquecimento, mas ficou no nosso subconsciente, o olhar de medo da menina síria que eleva os braços em sinal de rendição para a mortífera máquina fotográfica. Os corpos em Paris.
Estamos todos sobre o impacto destas imagens fortes e de uma Humanidade que beira a barbárie. Tem que ser um ser humano muito frio para não sentir esta avalanche de imagens, notícias a estética da miséria humana. A guerra traz consigo uma energia ruim que os poetas e artistas sentem, as pessoas racionais fingem que não percebem e os maus se apropriam dela. O cinema, literatura, artes plásticas, a música, em muitos momentos refletem a dor humana que acompanha estas tragédias. Todos em algum momento deste ano olharam para a sua própria vida com um sentimento de impotência, de fracasso, de perplexidade. Pessoas estão sendo brutalizadas o tempo inteiro e há o medo de que uma hora a má sorte bata a nossa porta com toda a sua força dramática.
O mundo está deprimente, há quem pense que nos apropriamos da dor alheia só por esporte, o que não é verdade, nos apropriamos da vontade de modificar a realidade. É normal sentir o peso da maldade e reagir a ele. Não basta drogar a humanidade inteira ou hipnotizar com mensagens de paz e amor. É preciso refletir sobre as coisas, há uma patologização excessiva das relações humanas, há síndromes em excesso. Há hegemonia de mais no pensamento humano. A nós os poetas e loucos cabe reagir, gritar, espernear, estraçalhar velhas verdades. Nenhuma verdade é absoluta e imutável, capitalismo, socialismo, comunismo, humanismo, globalização, pós globalização, saúde, doença, educação. São palavras e conceitos que precisam ser repensados: quem somos nós no ano de 2015? Somos o futuro, a evolução mesmo que grande parte de nós ainda não tenha saído das cavernas. Não me trate como idiota porque não sou, eu exijo respeito ao meu pensar, ao meu modo de ser e agir. Talvez essa seja a maior arma para combater a corrupção, a drogadição e o terrorismo. Descobrir do que a juventude sente falta, do que nos acusa? Nós adultos erramos em que ponto? Talvez tenhamos nos apropriado dos meios de subsistência e dos sonhos dos jovens e os tenhamos excluído do processo de tomada de decisão sobre suas vidas. O que perdemos no meio do caminho? Algo se perdeu na comunicação, na formação da sociedade, na relação entre as pessoa. O que une um jovem que com quatorze anos mata numa cidade brasileira para roubar um carro e mil reais, a um jovem que veste um colete de explosivos na Turquia, na França, ou um jovem que mata meninas na África, um jovem que invade uma Igreja e mata seus fieis nos Estados Unidos? A maldade é um comportamento normal em alguns seres humanos e em pequenas doses em todos. A bondade é também um comportamento normal e da mesma forma presente em todas as pessoas. Raiva, amor, ciúme, tristeza, alegria, ciúmes, inveja, benevolência são partes de nós, são normais. Vida e Morte são naturais, ninguém pode ser dono da vida ou da morte de outro ser humano, quando isso acontece a sociedade está em desequilíbrio. Ninguém deve se explodir por Alá ou por qualquer coisa, isso demonstra que algo precisa de conserto, algo natural que é o instinto de sobrevivência foi alterado nestes seres, porque algo nas suas vidas quebrou, talvez a falta de espaço para sonhar e ser em plenitude.
Hoje consultei o I Ching, sim eu acredito em tolas crendices, em Deus e em oráculos, adoro todas as religiões, não pratico nenhuma fielmente, perambulo entre elas. A carta foi “A espera”, para mim é tempo de esperar. Entro então em férias, já que o Brasil fará um recesso e continuará ao que tudo indica em um profundo e lamentável retrocesso, uma estagnação ideológica e mantendo os políticos corruptos em seus postos. Por quanto tempo? Não sei, escrevi 130 textos este ano então posso me dar umas merecidas férias. Para muitas pessoas isso, o ato de pensar e escrever coisas do cotidiano não configura um trabalho, é o pensamento deles e não meu. Como sou dona de mim posso dizer que atravessei muito bem este ano e que ele foi menos penoso do que deveria, o Brasil está passando por uma mudança que será para muito melhor. O mundo pós guerra ao terror deve ser melhor também. O sol continua a iluminar a humanidade e isso nos alavanca rumo a um milênio de descobertas e de contato com nossos limites. Com a possibilidade de superarmos a nós mesmos. Quanto a morte? Cada um descobrirá a seu tempo o que ela é, até lá é tempo de esperar e de modificar a realidade, tornar a vida leve. Os velhos conceitos e verdades estão caindo, a humanidade vai renovar seu entendimento e nada pode segurar as verdades que estão morrendo porque é a hora delas, foram úteis até aqui, daqui para frente são passado. 


Fernanda Blaya Figueiró 

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