Palavras da crise: reforma, repactuação, renegociação,reflexão.

Palavras da crise: reforma, repactuação, renegociação,reflexão.
O governo brasileiro parece que está acordando, pelo menos no discurso, na prática não sabemos ainda. Aqui o Governo Estadual repactua as dívidas com hospitais e municípios para retomar o atendimento a população, utilizando financiamentos com recursos de bancos estatais, busca também negociar a sua impagável e absurda dívida com a União que se arrasta há anos pelo pagamento de juros faraônicos e irreais. O Governo Federal fala em cortes de CCs, de Ministérios e venda de imóveis inúteis. Os municípios terão que acompanhar, fazendo cortes de secretarias, diminuição de CCs, cortes de orçamento. Espero que o mega anexo proposto pelo Congresso em Brasília seja cancelado, já que não há sentido em construir uma imensa estrutura( provavelmente com a mesma forma de gestão de recursos baseada em propinas e superfaturamento), sendo que o governo precisa cortar gastos. O que a sociedade deveria fazer era exigir que neste novo pacto social houvesse uma verdadeira fiscalização dos gastos públicos para que eles diminuam mesmo, que não aja mais espaço para cirurgias desnecessárias, próteses falsas, propina, uso inadequado das verbas, compras superfaturadas de oxigênio a prego,além de diminuição de salários dos cargos eletivos com a criação de piso e teto reais para as carreiras públicas. Que o funcionalismo público seja bem remunerado, mas não exorbitantemente bem remunerado. Acho que um pouco do que levou os sistemas públicos a beira da falência foi uma permissividade muito grande, que contaminou tudo com a corrupção, o superfaturamento e até a elevação excessiva de salários e benefícios. Cargos de Confiança e Cargos Comissionados deveriam ser limitados e bem fiscalizados, porque muitas vezes são fantasmas e ou só moeda de troca. Alguns servidores entram para funções simples e por meio de artifícios acabam tendo remunerações enormes e sem a menor legitimidade. Um funcionário que entra como gari tem que atuar como gari, só pode exercer outra função se for via um novo concurso e não é isso o que acontece, algumas vezes. Quem faz concurso para professor deve ir para a sala de aula e não ficar em secretarias fazendo outras coisas que não ensinar. A porta de entrada dos cargos públicos é o concurso e não o apadrinhamento político, que torna uma professora em bibliotecária, um gari em cargo de confiança de secretarias. Não pode um remédio que custa R$10,00 na farmácia , custar R$15,00 para o governo, ou um quilo de frango que no mercado é R$7,00 custar a merenda escolar R$12,00, sendo ainda que o governo compra em enormes quantidades, as vezes só papel, só notinha, sem o devido volume de frango correspondente. E para cuidar disso há vereadores, deputados, senadores, auditores, fiscais, recebendo salários realmente atraentes, tanto que há enormes inscrições para os concursos públicos, que são concorridíssimos e alimentam uma cadeia de cursinhos, apostilas, atendendo a editais que as vezes são apenas caça niqueis iludindo os candidatos, levando anos até que o concurso prescreva e sem que ninguém seja de fato nomeado, porque as vagas estão sendo ocupadas por “cupinchas” de políticos ou por funcionários em desvio de função. É enorme o "rolo" e saber como essas dívidas foram ficando tão grandes é profundamente necessário para que não se repita. A Presidente Dilma gastou mais do que devia? Temos que apurar. O Governador gastou indevidamente ou os prefeitos das cidades, também tem que ser apurado. Se aos poucos a máquina começar a funcionar como deveria, e como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, vem fazendo com apoio do Judiciário, no caso Lava Jato, podemos sim ter um futuro melhor e em pequeno prazo. Se precisar cortar os ministérios e toda a sua estrutura de CCs, de funcionários fantasmas, funcionários em desvio de função, pela metade: que seja feito. Quem entrou para o serviço público para servir cafezinho, sirva cafezinho a um custo real e não com um salário de marajá, que muitas vezes, como aconteceu recentemente no RS é um valor fictício devolvido a políticos corruptos, uma artimanha para usar indevidamente verba pública. O que é direito adquirido e o que é manobra para ter um adicional ao salário que não corresponde ao concurso feito? Isso no país inteiro, de Município a União? O quanto da dívida pública foi gerada em desvios de verbas? Tanto para contratos e compras superfaturadas, quanto para remuneração ilegal de funcionários, conveniados,CCs e políticos? Qual a parte da comunidade nisso tudo? Paga seus impostos em dia? A Estrutura Pública como um todo está em colapso ou só uma parte? Essas reflexões são importantes porque muito do que foi gerado em dívida não precisaria existir e nossa sociedade não precisaria hoje enfrentar essa enorme crise. Os funcionários que protestam por melhores salários como se sentem nessa questão todas, muitos deles deveriam ter evitado esse grande caos, não se sentem um pouco responsáveis pela crise? Não acredito que o governo avaliou mal o tamanho da crise, acho que omitiu da população a realidade com fins eleitoreiros, mentiu. Acho que a crise vai ser um elixir muito amargo e que vai curar o país da desordem que caiu. Fora Dilma, continuo achando.
Fernanda Blaya Figueiró

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