Povo ou rebanho?

Povo ou rebanho?


Estou assistindo a abertura dos jogos Pan Americanos, muito linda, o Cirque du Soleil está dando um verdadeiro Show, pensei sobre como será a abertura das Olimpíadas no Rio, tomara que o Brasil consiga fazer bonito. Isso também me fez lembrar dos protestos antes da Copa FIFA 2014, que palhaçada, está claro para mim que é parte de um teatrão. Quem articulou estes protestos? Eles acabaram, coisas horríveis foram descobertas como os Bilhões de Reais roubados das nossas Estatais por empresários, políticos, funcionários públicos e a mesma Massa que protestou durante a Copa calou.... O povo brasileiro poderia ter um tratamento muito melhor com o bom emprego da fortuna que é o Capital Público, o dinheiro gerado para trazer riqueza e desenvolvimento e que foi saqueado, roubado. Nestas prévias de Olimpíadas não está havendo nada, nem notícia direito, porque é no Rio de Janeiro, não parece ser algo que vai mobilizar o país todo e deve haver interesses obscuros que talvez só fiquemos sabendo depois. Não tem alguém articulando e financiando espetáculos de protestos. Ontem assisti ao filme “A chave de Sara” sobre a ocupação nazista na França, sobre a quantidade de pessoas que foram enviadas a campos de concentração e mortas; cidadãos franceses perseguidos por serem judeus, não iria assistir porque pensei mais um filme sobre a segunda grande guerra, porque não a deixam terminar. A impressão que dá é a de que a guerra volta e meia assombra os artistas, claro que vende também, não sejamos hipócritas. A Rússia, a Europa, os outros países e continentes tem que fazer um esforço enorme para que algo tão terrível assim não volte, já está acontecendo na Faixa de Gaza, nos países tomados pelo Estado Islâmico, pelo BoKo Haram, já está acontecendo com milhares de refugiados cruzando o mar, as fronteiras em busca de salvação. O povo se manipulado entra num estado de operação tipo rebanho, aqui no Brasil são os linchamentos e as quadrilhas de traficantes e justiceiros que ocupam lugares que deveriam ser do Estado, a segurança pública foi negligenciada e levou a um sentimento de abandono. Logo aparecerá um bode expiatório e o povo vai se colocar contra, porque está cansando. Ninguém quer perder nada, se o outro está na pior o problema é dele, não meu, esse pensamento individualista que estamos experimentando é bem danoso. O que é um país? Assisti nesta semana outros vários filmes incluindo o “ Os Amantes do Café...” sobre Sarte e Simone de Beavoir; “Orange and Sunshine” sobre a deportação de crianças inglesas para a Austrália, sob o pretexto de serem adotadas, enquanto eram na verdade usadas como “escravos” de trabalhos forçados e sexuais em orfanatos de religiosos. Cidadãos ingleses exilados por sua condição social. “Uma boa mentira” sobre crianças refugiadas do Sudão”; “Estrada 47” sobre a Expedição das Forças Armadas Brasileiras na Itália no fim da guerra. Irei em breve assistir a Neruda, mas vou dar um tempo para ter fôlego. Miséria, fome, violência sexual, violência física e psicológica perpassam todas as histórias, marcam todos os povos. Porque? Porque quando os povos passam para o modo operante de rebanho perdem o senso crítico, deixam de lado o pensamento e marcham rumo a sobreviver. Não se importam com a vida, expressão máxima da nossa existência e sim na sobrevida e ao sobreviverem levam com eles estas marcas todas. Grande parte do rebanho morre no caminho, a pequena parte que tem força domina pelo medo e pela crueldade. “Toronto está pronta para iniciar seu... Pela Família da América” ouço na TV. Por esta família, parte da humanidade, é que precisamos da Arte, abrindo as portas do Esporte, porque nestes momentos estamos Vivendo em plenitude. O Ser Humano é um ser cultural, educação, esporte, cultura, economia,saúde,política, segurança, ciências, religiões são construções humanas que precisam andar juntas. O que é ser livre? Ser um, mas também ser parte de um todo, minha liberdade depende da liberdade de todos, se o individualismo está levando ao pensamento de rebanho é preciso inserir este indivíduo na sua condição de todo em equilíbrio, com uma real Justiça.


Fernanda Blaya Figueiró 

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