Política sem dinheiro
é possível?
Os
empresários que financiavam a política brasileira estão sendo
presos, suspeitos de usar as verbas públicas para fazer este
financiamento, um ciclo que parece muito antigo no país. A
presidente em sua infeliz comparação entre a delação premiada que
está sendo feita pelas autoridade policiais ao tempo da ditadura
mostrou que deve haver muito mais sujeira oculta. Porque o medo da
Delação? Lula passeia como se ainda fosse o presidente,
provavelmente em campanha, não deve querer que a sujeira venha a
tona, apareça, muito menos quer perder as regalias que conseguiu.
Quem for esperto tem agora a oportunidade de não financiar mais
nada. Nem um centavo para a política, deixe que os partidos voltem a
ser associações comunitárias para o exercício da liberdade
política e não mais máquinas de fazer dinheiro sujo. Quando os
“captadores de recursos” aparecerem faça de conta que não está
sabendo de nada e não participe deste jogo sujo, não tem verba.
Quem não respeita a delação são pessoas que no mundo do crime se
associam e fazem pactos de silêncio, quantos mafiosos só foram
pegos porque alguém mudou de lado? Vamos mudar a política de fora
para dentro, porque por dentro nada vai acontecer. Todos os rabos
estão presos? Denuncie, delate, entregue, para o bem maior da
comunidade. Torne o Brasil viável novamente. Com que dinheiro serão
feitas as campanhas? Com dinheiro limpo, sem a participação das
mega empresas de fachada de propaganda enganosa, com a verdade, com
simplicidade. A maioridade penal acaba de ser mantida em dezoito
anos, o ministro, acho que da defesa, informou que se fosse
modificada o país teria mais ou menos trinta mil novos jovens que
deveriam ser encarcerados. O cobertor é curto, já não há vagas no
sistema prisional para os maiores de idade, então teremos em dois
anos a liberdade de trinta a sessenta mil jovens infratores.
Liberdade por falta de celas, mais todos os presos que a justiça
acaba liberando porque não tem onde colocar. A polícia tem prendido
muita gente, tem desarticulado quadrilhas inteiras de roubo a cargas,
bancos, traficantes, funcionários corruptos dos mais variados
patamares, empresários, médicos que fazem aborto ilegal, cobram e
desviam verbas do SUS. Sei lá! É tanta notícia que assusta. Onde
irão ser punidos todos estes cidadãos que saíram da linha? Além
disso há uma recessão, uma enorme crise, não maior do que a que
houve na era Collor, com o confisco da poupança, algo que
provavelmente irá acontecer com a Grécia; nem tão horrível quanto
o período das altas inflações e dos inúmeros pacotes econômicos
fracassados, nem tão ruim quanto o período em que o Brasil tinha
uma enorme dívida com o FMI. Acredito que essa melhoria do conjunto
BRICS em que o Brasil se encaixa foi planejada pelo FMI, pela ONU ou
pelo famoso G7. O que o Brasil precisa fazer é o tema de casa,
continuar apertando a corrupção, tirar espaço de traficantes e
voltar a crescer, mas sem o falso crescimento baseado em desvio de
verbas, em planejamento feito por empreiteiros apenas para colocar a
mão numa grana preta. Precisa de um planejamento que seja para
realmente desenvolver o pais. Na educação é preciso voltar a
estaca zero e pensar o que foi feito com o Sistema Nacional de
Educação, para que chegasse a esse ponto de descrédito. O
funcionalismo público em geral também precisa entender o que
aconteceu para que se tornasse essa massa apática de capital humano
inerte. Parece que há um pacto de não trabalho, de não respeito
aos cargos, as carreiras públicas. Não por todos os
funcionários, mas algo paralisou a máquina, talvez porque o modelo
seja arcaico. O mesmo pacto que há entre políticos e corruptores
aparece em outros segmentos e as pessoas parecem cansadas, como se
tivessem perdido a sua vida em um trabalho inútil. Como injetar
ânimo na nossa população economicamente ativa? Com que dinheiro?
Ai é que está: há muito dinheiro só que ele é desperdiçado, a
remuneração do capital humano e das empresas não corresponde a
energia empregada. Essa crise vai passar porque as outras também
passaram, mas vai levar tempo para que o atual contingente de
infratores entenda que a gandaia acabou. Os nossos jovens precisam de
oportunidade, de limites claros e de educação, mas também de um
sistema prisional diferente, que resgate a sua cidadania e aponte
para um outro caminho. Porque na prática essa gente toda de que o
ministro fala vai estar nas ruas matando e morrendo. O cobertor curto
do Estado vai acabar crivado de balas. Um país melhor hoje está na
mãos dos empreiteiros, na sua possibilidade de provar como as coisas
aconteciam e na Justiça de não permitir que voltem a acontecer. Aos
novos investidores pedimos que não caiam na ladainha dos corruptos e
venham para cá só se for realmente para fazer o bem, porque do mal
fazer o povo não precisa. É melhor crescer menos do que inchar e
depois furar como uma bola mal costurada. Se o PT e os outros
partidos não devem nada que se defendam, mas se devem que paguem. As
empresas pensem e percebam que acabou. Talvez estas tenham que deixar
de existir e liberar o mercado para uma nova energia, para empresas
modernas, eficientes, capazes. O eleitor não tem nada com isso,
perdeu. Quando a gente perde tem que admitir, encerrar a guerra e
partir para o pós. Pós crise.
Fernanda
Blaya Figueiró
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