Dia cinza
Hoje mais
um dia cinza, o inverno aqui no Rio Grande do Sul está sendo
terrível, muita chuva e alternâncias entre frio e calor. Nosso
estado, como a maioria dos estados da federação enfrenta uma
profunda crise financeira, que já reflete na saúde, segurança e
outros serviços públicos essenciais. Uma Folha de pagamento pesada,
mal uso das verbas por gestões anteriores, promessas não cumpridas,
empréstimo em cima de empréstimos, divida rolada, empurrada com a
barriga, superfaturamento prováveis desvios. Onde vamos parar? O
Brasil está prestes a fazer parte do Banco dos BRICS ou dos
emergentes, e pouco se fala sobre isso. Ou seja irá se comprometer,
provavelmente contrair empréstimos altíssimos, num dos momentos
mais difíceis do cenário político, em que pipocam escândalos
sobre corrupções bilionárias, uma afronta ao povo. Somos um dos
país mais desiguais socialmente na atualidade. É impressionante a
falta se senso crítico diante das coisas, como o país pode fazer
esta grande aliança econômica sem um amplo debate? Como serão
usadas as verbas e com quais objetivos? Como será paga esta conta,
uma vez que o governo atual tem feito o mesmo que os Estados da
Federação: rolado as dívidas ou pedalado como queiram. “O
brasileiro não gosta de pagar impostos.”ouvi um dia desses, nem
faz caridade. Porque sabe que tanto os impostos como a contribuição
para caridade são, no fundo, desviados em grande parte. Você doa
com a intenção de fazer o bem e na realidade alimenta uma cadeia de
maus agentes sociais que usa catástrofes e a miséria humana para
angariar fundos. Você paga impostos e pensa que eles não reverterão
para o bem comum, eles se perdem. O pouco que realmente funciona está
a cada dia mais depauperado. Os políticos, a parte dos cidadãos que
é eleita para gerir o que é de todos, perderam a credibilidade. A
esquerda brasileira está deslumbrada com a possibilidade de fazer
parte de algo com a antiga “União Soviética” e o “Comunismo”
que aqui é totalmente idealizado ainda, como se não tivessem
protagonizado coisa terríveis e marchado para um período longo de
opressão, invasão de nações, censura, pasteurização do
pensamento... É assustadora a falta de visão macro das coisas, essa
União entre Emergentes pode ser boa, sim, mas também pode ser
opressora. Se o país não tiver uma estrutura sólida, e no momento
o Brasil não tem, pode vir a ser dominado e subjugado. A Grécia,
por exemplo, quer continuar sendo parte da União Européia, quer
pegar mais e mais empréstimos e não sabe como vai pagar. O Brasil
sabe? O Rio Grande do Sul não sabe, no momento está apavorado com a
possibilidade de falir, de moratória. Não sei quanto porcento da
população gaúcha vive de empregos estatais e quantos prestadores
de serviço, empresas, micro e macro vivem de vender para estes
servidores. Um mês sem a folha de pagamento em dia e entramos em
colapso? Que frágil sistema é esse? Como corrigir? O País precisa
investir em si, sim, mas a que preço? Infra-estrutura defasada,
capacidade energética defasada, educação quase aniquilada, saúde
a beira da morte e um discurso do governo que não convence mais.
Vamos sair da crise um dia? Sim, mas as pessoas precisam prestar
atenção ao que estamos vivendo. Cobrar explicações, cobrar
seriedade e principalmente respeito a liberdade, a diversidade de
pensamento, ao diálogo, sem o apoio consciente do povo nenhuma nação
cresce. As nações são o seu povo. O Brasil merece se tornar um
país melhor, o Estado do Rio Grande do Sul também. Como isso vai
acontecer? O dia que o país conseguir uma política melhor, uma
Justiça mais forte e sábia e um povo que trabalhe para que isso
aconteça, que confie novamente. São só palavras. Isso tudo, que
você que veio até o fim leu, estas palavras podem edificar ou
destruir. O mundo é feito de palavras e o Brasil está empenhando a
sua espero que não de foram leviana que nos leve para um abismo
maior ainda do que já temos que ultrapassar. Quais são as letras
miúdas, as cláusulas que o governo vai dizer depois que não leu,
que não sabia? Há os três por cento do garçom, para partidos,
políticos e funcionários públicos? Há favorecimentos a uns e
outros? Perguntem agora, investiguem agora, façam um trabalho
preventivo da lisura das ações. Se tudo estiver bem, que bom senão
parem o que está errado antes que aconteça. Ontem morreu um bebê
aqui por falta de leito em uma UTI, vamos ir fundo e cobrar: ele
tinha chance de sobreviver se houvesse sido socorrido? Ele tinha o
direito de ser socorrido? O Estado falhou? O SUS, a União? O
Município? O hospital? A justiça? A família? A comunidade? Quem
deixou de fazer o que? Esse cidadãozinho brasileiro que viveu poucas
horas tinha uma chance que lhe foi negada? Ele foi negligenciado?
Tinha dinheiro para salvar a sua vida que pode ter sido desviado para
outros fins?
Fernanda
Blaya Figueiró
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